A universitária ituveravense Jéssica Aparecida Apolinário de PaulaRetornou ao Brasil terça-feira, 18 de agosto, depois de passar um ano e meio na Hungria, através do Programa Ciências sem Fronteiras, do Governo Federal, a universitária ituveravense Jéssica Aparecida Apolinário de Paula, 23 anos, aluna do curso de Engenharia Química na Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM).
Em entrevista concedida à Tribuna de Ituverava, a jovem fala sobre sua suas experiências no exterior. “Morei em Debrecen, a segunda maior cidade da Hungria, desde fevereiro de 2014. Lá fiz o curso de inglês por 6 meses; de húngaro por 3 meses e depois comecei a estudar na University of Debrecen, na minha área, que é Engenharia Química”, afirma.
Ela ainda fala sobre as suas impressões sobre a Hungria. “É um país com pessoas bem diferentes de nós, brasileiros, começando pelo biotipo, já que a maior parte da população é loira e tem olhos claros. Já a capital do país, Budapeste, tem uma grande diversidade de pessoas, com gente do mundo inteiro, fazendo turismo, estudando ou trabalhando”, observa.
“Assim como outros países, os húngaros não gostam de tanta ‘diversidade’ em seu país, pois é como se os estrangeiros tirassem a oportunidade de trabalho e estudos deles. Então é fácil encontrar algumas pessoas mal-humoradas, frias e que não gostam de dar informação a estrangeiros. Mas por outro lado, tem aqueles são amáveis, que gostam de saber de onde somos, e sobre como é o Brasil, ainda mais quando tentamos falar em húngaro”, ressalta.
Custo de Vida
Jéssica explica que o custo de vida na Hungria é muito barato, em relação aos outros países da Europa. “Isso vale para passagens de trem, tickets de metrô, ônibus, roupas, comidas, bebidas, entre outros produtos. Além disso, as cidades são sempre bem cuidadas e lindas na primavera e no verão, pelas flores coloridas e fontes de água”, diz.
“As estações também são bem marcadas. Pois as mudanças são notórias. O verão, por exemplo, as temperaturas chegam a 37 graus, enquanto o inverno são abaixo de zero”, enfatiza.
Jovem elogia programa Ciências sem Fronteiras
Jéssica Aparecida Apolinário de Paula fala sobre o Ciências Sem Fronteiras. “Conheci o programa entre 2012 e 2013, quando um aluno da minha universidade participou e passou um período em Portugal. Um professor me incentivou a tentar, porém não cheguei a completar a inscrição. Já em 2013, quando cursava inglês, uma amiga quis tentar se inscrever e me chamou para fazer o curso preparatório para o Toefl, um teste de proficiência em inglês que é um pré-requisito do programa. A partir daí fiz a inscrição e aulas de inglês, mas ainda não tinha noção de quão grandioso era o programa. Passei em todas as etapas e, em dezembro de 2013, soube que viajaria para a Hungria. Foi quando comecei a preparar os documentos necessários, ainda meio em dúvida se queria participar. Mas hoje vejo que essa foi a melhor escolha que eu poderia ter feito”, enfatiza.
Oportunidade
“A meu ver, o Ciências sem Fronteiras é uma oportunidade maravilhosa para os alunos que querem fazer intercâmbio. Muitos brasileiros são contra o programa, pois os alunos só querem viajar para turismo, e não querem saber de nada. Eu presenciei esse fato, e ao mesmo tempo vi vários brasileiros sendo premiados em congressos, apresentando trabalhos, tendo oportunidade de estudar em universidades do mais alto nível. Eu penso que existe tanto dinheiro em nosso país sendo desviado para outras coisas e outros bolsos, que deveria ser investido em Educação, já que o Ensino Fundamental e o Ensino Médio deixam a desejar no país. Digo isso pois sempre estudei em escola pública e sei como foi difícil conseguir uma vaga em uma universidade federal”, lembra.
Jéssica ainda diz que se considera uma pessoa privilegiada por ter participado do Ciências sem Fronteiras. “Não tinha condições de participar de intercâmbio, e com essa oportunidade pude realmente melhorar o inglês, o que será essencial na minha carreira. Além disso, o fato de presenciar aulas com povos diferentes e conhecer a cultura de cada um, e estar em países onde nem todas as pessoas falam inglês, saber lidar com essas situações foi um aprendizado que eu levarei para a vida”, afirma.
“Eu estudei, me comprometi com as obrigações na universidade, viajei para vários lugares e mesmo depois de um ano e meio eu não acredito que com 23 anos tive a oportunidade de conhecer e viver tantas coisas”, completa.
Ituveravense
Jéssica Aparecida Apolinário de Paula, 23 anos, aluna do curso de Engenharia Química na Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), é filha de Wellington da Silva Paula e Ione Apolinário de Paula.
Universitária fala sobre diferenças entre países
A universitária Jéssica Aparecida Apolinário de Paula fala sobre as principais diferenças entre a Hungria e o Brasil. “Os dois países se diferem em alguns aspectos, e um dos mais importantes é a segurança. A Hungria é muito mais tranqüila, onde não se lê no jornais tantas notícias de violência e morte. Outro aspecto é que naquele país as coisas funcionam. Os transportes são pontuais e diversificados, além de bem fiscalizados e confortáveis”, ressalta.
Diferenças culinárias
Ela relata que as diferenças na culinária também são enormes. “A comida é muito diferente. Os húngaros gostam muito de sopas, e o goulash e a palinka são o prato e a bebida tradicionais do país. Eles também gostam muito de páprica, pimentão, pepino, carne de frango e de porco, pois o preço da carne bovina chega a R$ 45 o quilo, e não são as partes mais nobres”, diz.
A culinária foi um dos fatores que ela mais sentiu a diferença do Brasil. “Senti falta de um churrasco com uma variedade de carnes, das comidas simples, mas muito saborosas da vovó, e das sobremesas”, destaca.
“Também senti muitas saudades dos meus pais, avós e avôs sanguíneos ou não, e todos os meus amigos”, relata.
Hungria
Situada no coração da Europa Central, a Hungria faz fronteiras com nada menos de 7 países: Eslováquia, Ucrânia, Roménia, Sérvia, Croácia, Eslovénia e Áustria. O seu território é essencialmente plano, com montanhas de baixa altitude a norte.
Em 2014, os principais setores da economia húngara foram a indústria (26,4 %), o comércio grossista e retalhista, os serviços de transportes, alojamento e restauração (18,5 %), a administração pública, a defesa, a educação, a saúde e os serviços sociais (17,5 %). A Hungria exporta principalmente para a Alemanha, a Áustria e a Roménia. Por sua vez, as suas importações provêm sobretudo da Alemanha, da Áustria e da Rússia.
Raio x da Hungria
Capital: Budapeste
Superfície: 93.024 km2
População: 9.879.000 habitantes (2014)
População em % da população total da UE: 1,9 % (2014)
PIB: 97,948 bilhão de euros (2013)
Língua oficial da UE: Húngaro
Regime político: República Parlamentar
Adesão à UE: 1º de maio de 2004
Lugares no Parlamento Europeu: 21 cadeiras
Moeda: Forint húngaro (HUF)