A Justiça Federal do Paraná fará duas audiências nesta quinta-feira (10) referentes a processos da Operação Lava Jato. A primeira envolve um processo sobre a empreiteira Andrade Gutierrez, um dos alvos da 14ª fase, deflagrada em junho deste ano. Entre os 13 réus desta ação está o ex-presidente da empresa Otávio Marques de Azevedo, que está preso no Complexo Médico-Penal em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
Serão ouvidos como testemunhas de acusação o delator e ex-presidente da Camargo Corrêa Dalton Avancini dos Santos, o ex-dirigente da Toyo Setal e também delator Augusto Mendonça Neto, além de Marcos Pereira Berti, que também foi executivo da Toyo Setal, e Maurício Godoy, que é presidente do grupo Estaleiros do Brasil e foi ligado ao grupo Toyo Setal. A sessão está marcada para começar às 9h30.
De acordo com o juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, a delação premiada de Dalton Avancini contribuiu para comprovar a participação da Andrade Gutierrez e da Odebrecht no esquema de cartel das empreiteiras.
Um e-mail cedido pelo executivo mostra a convocação para uma reunião do chamado “Clube das Empreiteiras”.
Em um depoimento de delação, Avancini declarou que objetivo principal do cartel era manter os preços dos contratos “em um patamar bom para as empreiteiras, não existindo uma pretensão de majorar artificialmente o valor a ser pago pela Petrobras”.
Recentemente, Augusto Mendonça foi chamado de mentiroso pelo ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque durante uma acareação na CPI da Petrobras, realizada em Curitiba.
"Só gostaria de deixar ressaltado que o senhor Augusto é um mentiroso, ele mente na delação, ele sabe que está mentindo, mas pela orientação do meu advogado vou permanecer em silencio", disse Duque durante a CPI. Mendonça relatou em um de seus depoimentos que, entre 2008 e 2011, pagou entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões em propina à Duque.
Agenda da tarde
A segunda audiência começa às 13h30 e envolve um processo contra o ex-deputado federal Luiz Argôlo, afastado do Partido Solidariedade da Bahia, e que também está preso no complexo médico em Pinhais.
Além de Argôlo, também será interrogado Carlos Alberto Pereira da Costa, que atuava como advogado do doleiro Alberto Youssef - considerado pela Justiça como o líder do esquema investigado pela Lava Jato.
O homem apontado como laranja de Alberto Youssef, Rafael Angulo Lopez, disse em depoimentos à Justiça que o ex-deputado federal Luiz Argôlo recebia frequentemente valores do doleiro. Lopez fez um acordo de colaboração com a Justiça, em troca de benefícios em eventuais condenações nos processos a que na Lava Jato.
Luiz Argôlo criou uma relação com o doleiro Alberto Youssef diferente dos demais parlamentares envolvidos, segundo as investigações. "Ele criou relação de sociedade com Youssef. Então, muitas vezes, Alberto repassava dinheiro diretamente para o Argôlo", afirmou o procurador do Ministério Público Federal (MPF) Paulo Galvão. Conforme o procurador, Youssef tinha interesse especial na carreira do então deputado.
Fonte: g1.globo.com