Ele morreu na quinta-feira (17), em casa, aos 87 anos, no Rio de Janeiro. Manga foi um dos principais diretores de cinema na época das chanchadas.O corpo do diretor Carlos Manga vai ser velado neste sábado (19), no Cemitério do Caju, numa cerimônia restrita a parentes e amigos. O diretor morreu, em casa, nessa quinta-feira (17) à tarde. Ele tinha 87 anos
Exigente e criativo. É assim que os artistas que trabalharam com Carlos Manga lembram do diretor. Para atriz Rosamaria Murtinho, ele era também um homem que sabia ouvir.
“Soube que a minha melhor cena do Memorial [minissérie Memorial de Maria Moura] tinha sido cortada. Aí eu telefonei pra ele e disse que era a melhor cena e ele disse ‘não vou deixar cortar não’, e não cortaram. Descobri que ele era uma pessoa muito leal”, disse a atriz.
Ao longo dos 60 anos de carreira, Carlos Manga se tornou referência.
“Não tem uma pessoa que não falou da competência e dos padrões que ele deixou de filmar, de fazer trabalho comercial e bem feito de televisão e cinema”, afirmou o produtor musical de novelas João Paulo Mendonça.
Dentro dos estúdios, Manga fez de tudo um pouco. Foi contra-regra, assistente de montagem e de revelação até virar diretor. Foram 32 filmes. "Eu só pensava em cinema. Eu via dois filmes por dia, quatro num sábado, quatro num domingo”, contou certa vez Manga em entrevista ao Jô Soares.
Junto com Watson Macedo, foi um dos principais diretores dos anos 1950 da Atlântida, onde esteve à frente de clássicos como "Nem Sansão nem Dalila" (1954), "Matar ou correr" (1954) e "O homem do Sputnik" (1959). Sua estreia foi em um filme produzido em 1952 pela antiga companhia, dirigido por José Carlos Burle: "Carnaval Atlântida" (1952). No total, trabalhou em 32 filmes no cinema.
“Eu só pensava em cinema. Eu via quatro filmes no sábado, quatro no domingo”, disse em entrevista a Jô Soares.
Televisão
Na televisão, começou a carreira no início dos anos 1960. Em 1980, foi contratado pela Globo, onde dirigiu a segunda versão do humorístico "Chico City", de Chico Anysio. Ainda no humor, dirigiu também "Os Trapalhões".
Na década de 1990, já como diretor artístico de minisséries da Globo, foi responsável por produções como "Agosto" (1993), "Memorial de Maria Moura" (1994) e "Engraçadinha... Seus amores e seus pecados" (1995). Dirigiu ainda "A Madona de Cedro (1994)", "Incidente em Antares (1994)" e "Decadência" (1995), de Dias Gomes.
Manga tornou-se diretor de núcleo e foi responsável pela produção de duas novelas: o remake de "Anjo Mau" (1997), escrita originalmente por Cassiano Gabus Mendes em 1976 e adaptada por Maria Adelaide Amaral. A segunda novela foi Torre de Babel (1998), de Silvio de Abreu.
Também tem no currículo o programa "Zorra Total" (1999) e as séries "Sandy & Junior" (1999) e "Sítio do Picapau Amarelo" (2001). Em 2004, voltou a trabalhar como diretor artístico na minissérie "Em um só coração", de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira.
“Eu lembro das coisas com beleza, com amor, com carinho. Mesmo os erros. E não tem nada que eu tenha que omitir, eu não tenho que esconder nada”, disse em depoimento ao Memória Globo.
"Eu acho que só posso agradecer, eu fui recompensando e de todas as maneiras, definitivamente", confessou o diretor em uma entrevista.
Três filhos
Filho do advogado Américo Rodrigues Manga e de Maria Isabel Aranha, José Carlos Aranha Manga nasceu em 6 de janeiro de 1928, no Rio de Janeiro. Ele deixa três filhos: Paula Manga, Carlos Manga Jr. e Maria Eduarda Manga.
Começou a trabalhar como bancário, porém sua paixão pelo cinema logo o levaria para a indústria cinematográfica, através do cantor Cyll Farney. Foi contra-regra, assistente de montagem, assistente de revelação e, finalmente, diretor. Seu nome artístico foi sugerido pelo então presidente da companhia, Luiz Severiano Ribeiro Júnior.
O diretor morou na Itália onde trabalhou com Federico Fellini. Também foi diretor dos programas de auditório, como o Domingão do Faustão (1989), e de seriados como "Sandy & Junior" (1999) e "Sítio do Picapau Amarelo" (2001).
Fonte: g1.globo.com