Público presente na palestra. No destaque, Vicente Golfeto Proferiu palestra em Ituverava na última terça-feira, 15 de setembro, o renomado economista Vicente Golfeto, professor universitário e comentarista do Sistema Clube de Comunicação.
Ele, que esteve na cidade a convite da Escola Técnica “Professor José Ignácio de Azevedo Filho”, abordou o tema “Escola é o melhor elevador na sociedade do conhecimento”, em palestra proferida no Núcleo Cultural “Dr. Paulo Borges de Oliveira”, salão social da Associação de Pais e Amigos de Excepcionais (Apae). O ingresso foi uma embalagem de um achocolatado, um litro de óleo ou uma caixa de leite integral, produtos que foram destinados à Apae.
Prestigiaram a palestra, entre outras autoridades, o secretário municipal do Tesouro, Fabiano de Paula Galdeano; o diretor da Etec, Marcelo Inácio da Silva; o superintendente da Fundação Educacional de Ituverava, Luís Olavo Alves (“Luque”); o gerente de Recursos Humanos da FE, Reinaldo de Almeida; a diretora da Apae, Lucymara Bertinatto de Carvalho Sanches; a representante da presidência da Apae, Rosângela Borini; o representante do deputado estadual Roberto Engler, Antônio Pádua Alves; empresários, professores e estudantes.
Em entrevista exclusiva concedida à Tribuna de Ituverava, Golfeto falou sobre o tema discorrido. “Vejo, como professor há 53 anos, tendo passado pelo Ensino Médio, graduação e pós-graduação, que os brasileiros estão cada vez mais inteligentes. A geração que hoje tem de 20 a 30 anos, por exemplo, tem três pontos de QI a mais que a minha, e essa média continua subindo”, afirma.
“O mercado de trabalho é onde as pessoas transformam conhecimento em dinheiro. O fertilizante do mercado é o conhecimento, e quanto mais fertilizante, mais produtividade”, ressalta o jornalista.
Golfeto lembra, no entanto, que a educação não se limita ao conhecimento acadêmico. “Temos duas pistas na educação. Uma é a que leva à formação, ou seja, que está relacionada a valores, que vêm da família. A outra é a formatura, que vem da transmissão do conhecimento. Os valores e o conhecimento somados formam a educação”, observa.
“E se essa educação for bem trabalhada, sabendo que a sociedade está cada vez mais inteligente, o resultado será muito bom. Certa vez Jesus disse que muitos serão os chamados, porém poucos os escolhidos. E isso também se aplica ao mercado, daí a importância de sempre buscar conhecimento e valores”, enfatiza Golfeto.
Economia
Grande conhecedor do assunto, Golfeto também analisa o atual cenário econômico do país. “No Brasil, estamos vendo historicamente que as soluções políticas de ontem são os problemas econômicos de hoje. Casos como o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, e o golpe militar, em 1964, podem ser usados como exemplos. E estamos, mais uma vez, vivendo essa seqüência histórica”, relata.
“A questão é que a economia é o território em que tudo tem preço. Já na política, nada tem preço. Quando as questões relacionadas à política, como o voto e a concessão de cargos, começam a ter preços, nasce a corrupção”, destaca.
Golfeto também avalia o pacote de corte de gastos anunciando pelo Governo Federal para amenizar a crise. “Ele pode, transitoriamente, ter um impacto positivo. Mas o Brasil precisa parar de mandar a conta para o contribuinte, porque o contribuinte do século XXI está como os escravos no século XIX. Estão precisando de uma Lei Áurea”, completa.
Palestrante
Antônio Vicente Golfeto nasceu em Ribeirão Preto em 14 de novembro de 1942. Iniciou seus estudos no Grupo Escolar Antonio Diederichsen, onde concluiu o curso primário. De lá, foi estudar no Instituto de Educação “Otoniel Motta”, onde cursou o colegial. É formado em Direito pela segunda turma da extinta Associação de Ensino de Ribeirão Preto, hoje Unaerp (Universidade de Ribeirão Preto).
Iniciou o curso de Economia na Instituição Moura Lacerda, mas não concluiu. Ingressou na ACIRP (Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto) em 1965, no Departamento Jurídico. Sua carreira como advogado foi curta. Sem vocação alguma, resolveu tomar outro rumo na vida.
Em 1966, entrou para o Instituto de Economia da ACIRP, onde está até hoje. Neste mesmo ano foi eleito o vereador mais votado de Ribeirão Preto pelo PTN (Partido Trabalhista Nacional). Foi vereador por mais de uma legislatura, até deixar a vida política, em 1988. Sempre gostou de ler e escrever.
Profissionalmente nas letras, começou fazendo reportagem no jornal A Cidade; depois ganhou coluna de economia e finanças. No final dos anos 80, passou a ser comentarista econômico nos jornais da extinta TV Ribeirão (hoje EPTV). Atualmente, além de articulista do Jornal A Cidade, é comentarista do Jornal da Clube.