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Metallica teve apagão e Mötley Crüe misturou fogo e choro neste sábado. 2º dia teve dançarinas zumbis, tatuagens, Korn e camisas pretas no calor.
20/09/2015

ROCK IN RIO, 2º DIA: VEJA O RESUMO DO FESTIVAL EM VÍDEOS, FOTOS, GIFS E TEXTOS




O dia do metal também foi o dia do apagão. No terceiro show seguido do Metallica em um Rock in Rio brasileiro, neste sábado, a banda interrompeu a apresentação após falha de som durante "Ride the lightning".

O grupo saiu do palco por cerca de cinco minutos, mas voltou após o problema ter sido resolvido e tocou "The Unforgiven".

Mesmo assim, os fãs de metal mostraram força neste sábado de festival.

Eles chegam bem mais cedo do que admiradores de outros estilos musicais, usam preto mesmo no calor de 35º e entoam gritos de "Olê, olê, olá... [insira aqui o nome da sua banda de rock pesado favorita]".

Foram recompensados com mimos bem variados. Que tal um showzinho de dançarina de pole dance zumbi ao som de Noturnall?

Ou prefere levar para casa o baixo do Nikki Sixx, do Mötley Crüe? Pode ser também um punhado de farofa, na parceria do Angra com Dee Snider, vocalista do Twisted Sister.

Foi uma pena, claro, que no auge da festa tenha rolado uma falha técnica que interrompeu o show do Metallica por cinco minutos. Mas a banda se foi com a promessa de volta e com Lars Ulrich dizendo que este foi o melhor show deles no festival.

O Rock in Rio divulgou um comunicado sobre o incidente que silenciou o Metallica: "A organização do Rock in Rio informa que a parada do som no show da banda Metallica ocorreu pela desconexão da linha de saída de som entre a mesa da banda e a do festival". O "apagão sonoro" foi uma das raras novidades perceptíveis no show certeiro e previsível do grupo.

Um dia após a temperatura bater recorde de calor no inverno, o sábado no Rio registrou 35,5°C na Zona Oeste, região onde acontece o Rock in Rio. Mesmo com o calorão, os metaleiros não descartaram o traje preto e confirmaram que, para eles, vale mesmo fazer tudo pelo rock.

A escalação do Korn para o Palco Sunset pareceu um equívoco. Mas só porque a banda, símbolo do new metal dos anos 1990, mostrou que merecia o Palco Mundo, espaço principal. Ao término, o quinteto liderado por Jonathan Davis (e seu pedestal de microfone no formato de mulher nua estilizada) ouviu coro de "Olê, olê, olê, olê... Kornê, Kornê!". O público foi o maior do Sunset até aqui. Eles são bons de palco e cumprem a missão básica: promover bate-cabeça coletivo.

O baixista Nikki Sixx, do Mötley Crüe, entregou seu instrumento a um grupo de fãs que estava na grade. Talvez tenha ficado com pena do calor que o povo ali perto passou, já que o palco tinha diversos canhões de fogo acionados com frequência quase imprudente. Dava para sentir a calor a uns 50 metros de distância.

Não bastasse ter a participação de Michael Kiske, ex-Helloween, o Noturnall apostou em show cheio de surpresas no Palco Sunset. Dançarinas de pole dance zumbis, um boneco gigante macabro e uma grande bola jogada no público animaram a apresentação. Mas nada foi tão inusitado como a palhinha de Maria Odette, mãe do vocalista Thiago Bianchi.

A estudante Victória Vix, 16 anos, é de Araçatuba, interior de São Paulo, e há 2 anos decidiu registrar no corpo a paixão pela banda Mötley Crüe. Com o aval da mãe, Soraia Dias, ela desenhou o nome da banda na barriga. “Doeu pra caramba, mas valeu a pena”, contou ela. "Rock e tatuagem é de família", disse a mãe.

Fãs do Royal Blood haviam confessado no Facebook e Twitter que temiam pela recepção da banda no Palco Mundo. Devem estar aliviados. A dupla fez barulho para fãs de Metallica com baixo, bateria e um rock direto. Sem vaias. Ao vivo, o duo inglês faz som com qualidade de CD. Pena que quase toda plateia tenha acompanhado omo se alguém tivesse dado play em um DVD. Mesmo bons, foram meio peixe fora d´água, desloados em um dia de metal. Ah, e o baixista Mike Kerr é desde já um dos melhores cantores do festival.

Na barulheira em volume considerável para uma banda de abertura, não dava para entender as letras contra a destruição do meio ambiente. Mas deu para pegar o clima apocalíptico do dsicurso da o Gojira, banda francesa. O tradicional bumbo duplo do metal, usado e abusado pelo baterista do Gojira, estremeceu a Cidade do Rock.

A plateia do Angra no Palco Sunset mostrou mais respeito que empolgação na primeira metade de show, mas o jogo virou quando a banda cantou "Rebirth", aplaudida no início e com coro de "Olê, olê, olá... Angrá, Angrá". Mas nada comparável ao fim do set, com Dee Snider no palco e os sucessos do metal farofa "I wanna rock" e "Were not gonna take it", as duas da banda dele, Twisted Sister. Belíssima parceria.

No show do Angra rolou um clima de "Sou brasileiro com muito orgulho". "O Rock in Rio leva para o mundo o selo de excelência do Brasileiro. Esse cara ali é do Angra e vai representar o Brasil no Megadeth, caralho", disse o guitarrista Rafael Bittencourt, apontando para Kiko Loureiro. Ele convidou então Marcelo Barbosa, do Almah, que vai substituir Kiko enquanto ele estiver no Megadeth. Todos tocaram "Carry on".

Os fãs de rock que optaram pelo transporte público para chegar à Cidade do Rock tiveram um sábado (19) tranquilo, em comparação com o dia anterior. O BRT mudou o esquema de embarque — que, na sexta, deixou os passageiros por pelo menos uma hora na fila. Com mais funcionários auxiliando a entrada dos passageiros, os fãs do rock não chegavam a enfrentar filas na hora de entrar no coletivo.

O vocalista Al Jourgensen comandou o Ministry no Palco Sunset. Além de seu vozeirão rouco e das letras críticas, principalmente à direta política americana, também foi notícia por fazer xixi em uma planta, no backstage, e por beijar uma repórter do canal Multishow. Ao fim, com seu jeito carinhoso de ser, Jourgensen agredeceu ao "Rio fucking de Janeiro" e disse que depois dali iria fumar e beber.



Fonte: g1.globo.com