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A personagem Larissa, vivida por Grazi Massafera
03/10/2015

EDIÇÃO 3149 ENQUETES - NOVELA ALERTA SOBRE PERIGOS DO USO DE ENTORPECENTES


Atriz global Grazi Massafera emocionou os telespectadores ao interpretar a personagem Larissa, em Verdades Secretas

A máxima de que a vida imita a arte é válida. Porém, muitas vezes, o contrário também ocorre. Prova disso é a novela Verdades Secretas, da Rede Globo, que terminou na última semana, e colocou em evidência um dos maiores problemas enfrentados não somente por pessoas de todas as classes sociais: o consumo de drogas.

Ao longo da trama, de Walcyr Carrasco, a personagem Larissa, brilhantemente interpretada por Grazi Massafera, mostrou com profundidade o quanto o consumo de entorpecentes pode transformar a vida das pessoas, e expô-las a situações extremamente tristes, como solidão, prostituição, falta de moradia e até o abuso sexual.

Grazi Massafera protagonizou um dos momentos mais angustiantes da novela, quando a personagem Larissa, perdida na cracolândia, foi estuprada por viciados e, em seguida, socorrida pelo missionário Emanoel. A seqüência foi ao ar no capítulo de terça-feira, 22 de setembro.

Elogios pela interpretação
Grazi, mais uma vez, foi alvo de elogios de internautas e colegas de emissora nas redes sociais, como Angélica, Giovanna Ewbank, Fernanda Souza e Bárbara Paz. Na segunda-feira, a produção bateu o recorde com 27 pontos no ibope com cenas que mostraram a decadência da personagem Larissa.

Se a história é triste na TV, imagine o que pode ser na realidade de muitas pessoas que vivem em tantas cracolândias espalhadas pelo Brasil. Um exemplo é um homem de 46 anos, que foi encontrado morto na última semana, na cracolândia de Campo Grande.

Estatísticas
Segundo o último Relatório Mundial sobre Drogas da ONU (Organização das Nações Unidas), divulgado em 2014, cerca de 5% da população mundial entre 15 e 64 anos, o que corresponde a uma média de 243 milhões de pessoas, usam drogas ilícitas.

O estudo indica, no entanto, que o consumo permanece estável, aumentando proporcionalmente com o crescimento da população. Elaborado pelo Escritório da ONU sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês), o relatório aponta também a existência de uma média de 27 milhões de usuários de drogas problemáticos (aqueles que consomem drogas regularmente ou os apresentam distúrbios ou dependência). Isso corresponde a cerca de 0,6% da população adulta mundial ou 1 em cada 200 pessoas.

Os dados são de 2012 e foram fornecidos à entidade pelos países participantes do levantamento, no ano passado.

Outro dado preocupante, segundo o estudo, é que apenas um em seis usuários de drogas tem acesso ou recebe algum tipo de tratamento para dependência de drogas a cada ano. Em 2012, ocorreram 200 mil mortes relacionadas a drogas.

Queda da Cocaína e da Maconha


De acordo com o relatório, houve queda na disponibilidade de cocaína no mundo devido à menor produção de 2007 a 2012. Porém, o uso permanece alto na América do Norte, apesar de os números caírem na região desde 2006. Na América do Sul, o consumo de cocaína e o tráfico se tornaram mais proeminentes.

Grazi Massafera fala sobre seu papel em “Verdades Secretas”
Grazi Massafera passou por uma verdadeira transformação diante dos olhos do público na novela Verdades Secretas. Uma transformação física, claro, mas também como atriz. A ela coube o papel de Larissa, a bela modelo da agência de Fanny, vivida magistralmente por Marieta Severo.

Desde o início da trama, sabia-se que o autor Walcyr Carrasco havia reservado a Larissa um caminho tortuoso, que a levaria à dependência do crack e à conseqüente autodestruição. Não seria um papel muito grande, mas a carga dramática da personagem já dava sinais de que Grazi tinha uma oportunidade de ouro em mãos. E, ao longo da trama, ela cresceu nas telas.

À medida que se afundava no vício, Larissa se afastava de sua bonita fachada, e ganhava cabelos desgrenhados, corpo esquelético, pele manchada e dentes amarelados (com auxílio de uma prótese dentária).

Esse processo de degradação física da personagem, que acaba perdendo tudo e passa a vagar na cracolândia com o namorado, foi acompanhado por sua deterioração interna, emocional - mérito de Grazi e do diretor Mauro Mendonça Filho.

Cenas Impactantes
Grazi colecionou uma série de cenas impactantes, como a do estupro coletivo que sofreu, sendo alvo de elogios do próprio Walcyr, do diretor, da crítica e, nas redes sociais, do público.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a atriz paranaense, de 33 anos, conta que justamente o tom de sua atuação a preocupava.

“Nunca fui da noite, não tenho vícios, não é meu estilo de vida. Então, tive muito medo diariamente de cair no caricatural, no exagero. Foi um cuidado meu e da direção”, afirma.

Ao contrário do que ocorria nas novelas Negócio da China (2008) e Flor do Caribe (2013), quando precisava se dedicar horas a fio às suas protagonistas, a atriz teve, desta vez, mais tempo para depurar a personagem.

“As cenas são tão fortes que elas marcam, porém não são tantas. Isso foi muito bacana, porque tive de ficar em casa, de estudar, tive todo o tempo que precisei para minha vida aqui, com minha filha”, diz.

“Quando era protagonista, eu gravava 25, 30 cenas por dia. Como dá para você ter a mesma dedicação? A Larissa, gravei no máximo 7 cenas (por dia), e, para minha personagem, gravar essa quantidade equivale a muitas, porque é muito exaustivo. Quando eu chegava ao set, já me concentrava e só saía desse estado depois que acabava”, ressalta.

Antecedência
Receber os capítulos com certa antecedência também contribuiu para esse trabalho de construção.

Deu para fazer um gráfico da personagem, deu para amadurecer. Às vezes, primeiro eu imaginava uma coisa e, depois de uma semana, já virava outra. Eu gravava na seqüência, ia se transformando junto com a direção, com os atores, com a equipe toda. Dava tempo de eu reestudar tudo de novo”, relata.

Para o laboratório, sua passagem pela cracolândia era inevitável. Ela foi uma vez ao local e lá ficou por cerca de duas horas. Conversou ainda com usuários, para saber como era a vida deles, como se comportavam, as reações provocadas pelo uso do crack, o tipo de gíria que usavam, entre outras questões.

“Esse contato foi fundamental. É um choque visual, é muito triste. Foram alguns diretores, o pessoal da fotografia também, cada um ali registrou coisas importantes para a gente tentar se aproximar da realidade”, destaca.

Questões relevantes sobre o uso de Crack
Cientistas estão trabalhando em uma vacina contra o vício em crack e cocaína

Sim, é isso mesmo. Cientistas da Faculdade de Medicina Weill Cornell, Nova Iorque, desenvolveram uma vacina capaz de anular os efeitos do crack e da cocaína no corpo dos dependentes químicos. Para isso, os pesquisadores acoplaram ao vírus que causa gripe comum uma molécula artificial com o mesmo formato da molécula da cocaína.

O vírus foi injetado em ratos e macacos e o sistema imunológico dos animais passou a ver a molécula como um objeto intruso. Ou seja: o corpo humano desenvolveu defesas contra a molécula. A partir disso, o organismo destruía a molécula antes de ela chegar ao cérebro e desencadear os efeitos conhecidos da droga, como a euforia.

O Brasil lidera o ranking mundial de usuários da droga

De acordo com o mais recente Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, realizado pela Unifesp em 2012, cerca de dois milhões de pessoas já usaram crack no Brasil – e isso coloca o Brasil no topo do ranking internacional de usuários da droga.

Apesar de os Estados Unidos liderarem no consumo de todas as formas da cocaína juntas, quando se observa só o crack separadamente, o Brasil está em primeiro lugar. Vale lembrar que se acredita que o crack surgiu na década de 1970 nos Estados Unidos, mas se popularizou somente na década seguinte por lá, especialmente nos bairros pobres de cidades grandes como Nova Iorque e Los Angeles.

O primeiro relato de uso no Brasil aconteceu em 1989 e a primeira apreensão da droga rolou em 1991.

Mais da metade dos usuários de crack morrem vítimas de assassinatos Apesar de a droga ser extremamente destrutiva dentro do corpo – o crack inibe a recaptura de neurotransmissores pelos receptores pré-sinápticos, pode causar uma série de manifestações neurológicas como o acidente vascular cerebral, aumenta a freqüência cardíaca e a pressão arterial podendo culminar em isquemias e infartos agudos do coração, entre outras coisas – é a violência do universo do crack que acaba fazendo a maior parte das vítimas fatais.

De acordo com uma pesquisa da Unifesp em relação às causas de morte dos usuários da droga, 56,5% dos viciados são assassinados. A Aids vem em segundo lugar, responsável por 26% dos óbitos. A overdose propriamente dita mata menos de 9% dos usuários, segundo o levantamento.

O crack mata 50% mais neurônios que a cocaína

O fato de o crack ser uma forma menos pura da cocaína garantiria outros problemas relativos ao consumo dessa droga. Um estudo feito pela USP mostrou que o processo de aquecimento de dois componentes que formam o crack, a cocaína e o éster metilecgonidina, aumenta em 50% a morte de neurônios, em comparado com o consumo individual das duas substâncias.

O éster metilecgonidina, no caso, é um produto da queima da pedra do crack, produzido basicamente a partir da mistura de pasta da cocaína, bicarbonato de sódio e água.

Leva apenas 15 segundo para o crack fazer efeito
A absorção do crack no corpo acontece de forma muito rápida. No cérebro, os efeitos são quase imediatos: basta somente de 8 a 15 segundos para a droga fazer efeito e, assim que chegam ao cérebro, atuam por cerca de dez minutos ocasionando reações que vão desde euforia e prazer até agitação, irritação e alterações de percepção.

Nesse período, é potencializada a liberação de neurotransmissores como dopamina, serotonina e noradrenalina. Para ter uma noção de como isso é rápido, basta saber que no caso da cocaína, leva cerca de 15 minutos para que a substância chegue ao sistema nervoso central.

Confira as respostas: