ECONOMIA

Desaceleração global e perspectivas sobre emergentes preocupam. Ministro da Fazenda e presidente do Banco Central representaram o Brasil.
12/10/2015

VEJA COMO FOI O ENCONTRO DO FMI E DO BANCO MUNDIAL EM LIMA




A instabilidade vivida pela economia mundial, principalmente pelos países emergentes, foi o foco de boa parte das discussões do encontro do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial que, pela primeira vez em quase 50 anos voltou a ser realizado na América Latina.

Durante o encontro, também ficou clara a preocupação tanto do FMI quanto dos ministros de finanças que participaram de debates em relação à indefinição da alta dos juros dos Estados Unidos. Se as taxas subirem de fato, como é esperado pelo mercado, emergentes como o Brasil possivelmente teriam uma fuga de capital, ou seja, os investidores tirariam o dinheiro que aplicam no Brasil e levariam para os Estados Unidos, onde é mais seguro investir.

A diretora-gerente do FMI, Cristine Lagarde, defendeu inclusive que os bancos centrais das economias avançadas deveriam considerar as consequências que suas decisões poderiam trazer para os países emergentes.

Previsões do FMI
As perspectivas do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre o desempenho da economia brasileira neste ano pioraram e os técnicos já veem uma retração de 3%, o dobro da estimativa anterior. A queda prevista é até mais intensa que a dos economistas do mercado financeiro brasileiro, que acreditam em um recuo de 2,85%.

“No Brasil, a confiança dos empresários e dos consumidores continua a recuar, em grande parte por causa da deterioração das condições políticas, e os investimentos estão caindo rapidamente. A necessidade de “apertar” as políticas macroeconômicas também está colocando para baixo a demanda doméstica”, disse o FMI, acrescentando que a crise no Brasil foi mais profunda do que o esperado.

As perspectivas também são desfavoráveis para a América Latina como um todo. Neste ano, a economia do bloco deverá recuar 0,3% e no próximo, deverá crescer 0,8%.

Banco Central
Um dos representantes do Brasil nos debates do FMI foi o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Em seminário sobre a atuação dos bancos centrais na América Latina, Tombini disse que o ajuste fiscal que o governo tem promovido para tentar equilibrar suas contas estava sendo aplicado em um ritmo abaixo do esperado diante do conflito político com o Congresso.

Falando sobre a desvalorização do real frente ao dólar, Tombini garantiu que o Banco Central está preparado para usar os instrumentos de que dispõe. "O BC entra no mercado para garantir que ele funciona corretamente. E garantir que as condições de liquidez são satisfatórias", afirmou. "Estamos preparados para deixar a taxa de câmbio funcionar como primeira linha de defesa".

No dia seguinte, Tombini se reuniu com a imprensa brasileira e falou sobre o câmbio, que "houve um certo exagero, referindo-se à alta do dólar em tempos recentes, quando questionado sobre a perda do ritmo de alta na última semana.

Ministério da Fazenda
Em debate com a gerente do FMI, Christine Lagarde, Joaquim Levy disse que a receita para o Brasil recuperar a confiança é sempre "dizer a verdade". "A melhor maneira é ser claro com sua politicas, com os desafios e como chegar lá. A maioria das pessoas entende quando você está falando a verdade." Nas democracias, isso é fundamental", afirmou o ministro.

No dia seguinte, o ministro falou com um grupo de jornalistas brasileiros. Na avaliação de Levy, quando a incerteza se dissipar, poderá haver uma "retomada relativamente forte". "Estamos tomando todas as medidas... para permitir que o crescimento seja duradouro", disse.

Christine Lagarde
Cristine Lagarde defendeu que os bancos centrais das economias avançadas devem considerar os riscos que a consequência de suas decisões pode trazer para os países emergentes.

Referindo-se à possibilidade de aumento dos juros nos Estados Unidos e sobre as mudanças na política monetária chinesa, Lagarde defendeu que "tudo isso fará com que a economia global fique mais resiliente frente ao aumento das incertezas enfrentadas hoje".

BID
Em passagem pelo encontro do Fundo Monetário Internacional em Lima, o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, afirmou que o ajuste fiscal pelo qual o Brasil está passando é difícil e que a instituição vê a "mudança de ciclo".

OCDE
As perspectivas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para o Brasil e Rússia têm se deteriorado significamente, segundo indica documento apresentado ao Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC).

"As perspectivas a médio prazo para os emergentes variam. Por exemplo, enquanto as perspectivas para o Brasil ea Rússia tem se deteriorado significativamente, a Índia continua a ficar relativamente isolada das adversidades globais, devido ao forte consumo interno e aos investimentos públicos em infraestrutura", afirma o documento apresentado pelo secretário-geral da OCDE, Angel Gurría.

América Latina
Essas reuniões anuais voltaram a ser realizadas na América Latina pela primeira vez em quase 50 anos. A última vez em que o encontro ocorreu aqui foi em 1967, no Rio de Janeiro.

O fundo escolheu uma das regiões do mundo mais hostis a sua forma de atuação. Em entrevista à agência France Presse, Claudio Loser, ex-chefe da divisão da América Latina no FMI. "Existe há tempos um discurso no continente segundo o qual o FMI é um instrumento de um novo tipo de imperialismo."

Segundo o ex-dirigente, ao realizar o encontro pela primeira vez em 50 anos na América Latina, especificamente em Lima, o FMI também quer demonstrar que os tempos mudaram e que quer “virar a página”.

"A região não mudou muito nos últimos vinte anos e o Fundo também evoluiu", disse Werner, para quem a relação é "menos conflitiva e mais construtiva que no passado", afirmou em entrevista à France Presse.



Fonte: g1.globo.com