O comandante da 3ª Cia da Polícia Militar de Ituverava e Região, capitão Márcio Alves Cardoso, o promotor de Justiça, Dr. Anderson Ogrízio e a diretora do “Justino”, Maria Lúcia Costa FiúzaO desrespeito, a violência tanto física como verbal e a falta de limites, são problemas freqüentes de muitos adolescentes, o que acaba refletindo na forma com que se comportam nas escolas. Com o objetivo de amenizar estas futuras situações de conflito, a Escola Estadual “Capitão Antônio Justino” firmou uma parceria com a Polícia Militar e com o Ministério Público.
As instituições vão atuar em conjunto para preservar a escola, professores e principalmente os jovens, conscientizando-os sobre a importância de uma conduta adequada, não apenas na instituição de ensino, mas em todos os ambientes da sociedade.
“A escola ‘Capitão Antônio Justino Faleiros’ possui uma clientela grande, com alunos vindos de todos os bairros da cidade e com idade acima de 15 anos. É uma idade que requer muitos cuidados e muita orientação e é preciso que estejamos sempre atentos a quaisquer possibilidades que os deixe ou que já estejam em situação de risco ou em eminência de ficar. Na escola há os Mediadores, que desenvolvem um bom trabalho, intermediando conflitos entre alunos e professores, entre alunos e seus pares, mas às vezes é necessário uma ajuda extra”, afirma a diretora da instituição de ensino, Maria Lúcia Costa Fiúza, em entrevista à Tribuna de Ituverava.
“Além das orientações dadas à escola através da Diretoria de Ensino, dos Manuais de Proteção Escola e Promoção da Cidadania, busquei também informações junto ao Ministério Público e à Polícia Militar , no sentido de saber como lidar e até coibir comportamentos inadequados na escola e que fugissem do âmbito pedagógico, especialmente por parte de alunos. Fui prontamente atendida pelo promotor de Justiça, Dr. Anderson Ogrízio, e pelo comandante da Polícia Militar, Capitão Márcio Alves Cardoso”, ressalta Maria Lúcia.
Parceria
A diretora fala sobre a parceria. “Em conversa com o Exmo. Doutor promotor de Justiça e com o Capitão da Polícia Militar discutiu-se a necessidade de o Ministério Público dialogar e cobrar maior comprometimento dos pais, especialmente os responsáveis por alunos que apresentam maior número de ocorrências disciplinares na escola. A presença do Conselho Tutelar também foi lembrada para colaborar nos casos de, além das ocorrências disciplinares, na questão de faltas e abandono dos alunos à escola”, destaca a diretora.
“É importante também ouvir alunos e famílias, para que a escola possa tomar medidas e orientar a equipe em seus procedimentos. Vi a possibilidade de o Dr. Anderson Ogrízio e do Capitão Cardoso virem à escola dialogar com os professores e funcionários, em uma conversa franca e aberta, no intuito de esclarecer sobre medidas legais, o proceder e a lei que trata especialmente os adolescentes”, enfatiza.
Ainda segundo ela, tanto o Ministério Público quanto a Polícia Militar, comprometidos com a educação, se dispuseram a colaborar. “Não mediram esforços para pôr em ação ações que provoquem mudanças, a meu ver, em todas as escolas do município de maneira geral. No dia 22 de agosto estiveram presentes na escola e dialogaram com todos os presentes, numa conversa franca, sadia, extremamente proveitosa e esclarecedora”, relata Maria Lúcia.
Benefícios
A diretora ainda fala sobre os benefícios que a parceria tem rendido. “Nota-se a presença mais efetiva das viaturas da Polícia Militar na entrada e saída dos alunos nos diferentes turnos da escola, o que traz mais tranquilidade para os alunos e para os pais, conforme relatos de alguns à direção. Também percebemos que aqueles alunos os quais foram chamados e atendidos pelo promotor de Justiça começam a apresentar melhoras em seu comportamento. Mesmo dentro do ambiente escolar notamos que estão mais reflexivos quanto às suas ações e seus limites. Quanto aos professores, sabem que a escola não está sozinha, que pode contar com o Poder Público sempre que necessário”, enfatiza.
“Conforme já mencionado, sentimos maior tranqüilidade e segurança para desenvolver a função precípua da escola que é educativa, preparando os nossos jovens para os desafios que terão”, destaca.
Indisciplina
Ela também lembra os prejuízos causados pela indisciplina. “Ela interfere no rendimento e qualidade educacional. É notório que a indisciplina aumentou muito nas escolas tornando-se o grande desafio da educação, e vale ressaltar o quanto os atos indisciplinares prejudica o processo de ensino e de aprendizagem. Levantar os fatores que contribuem para a ocorrência da indisciplina e buscar alternativas que possam vir a contribuir para a melhora na disciplina, especialmente no âmbito es- colar é o que estamos fazendo. Entendo que somente com ações conjuntas como essa, poderá ser alcançado o objetivo pleno da escola, que é a qualidade na educação”, observa.
“Isso também aconteceu na família, que antes se integrava mais na educação dos filhos. Devido ao comprometimento maior de tempo por parte dos pais, hoje é delegada à escola a função de educar, mas a escola não tem poder de mudança sozinha, ela colabora, porém necessita do apoio de todos os envolvidos na vida do educando. Na escola é fundamental um trabalho em parceria, com responsabilidade, com objetivos claramente definidos e pontos estratégicos, tanto em situações isoladas como coletivas. Na verdade, a prevenção ainda é o melhor caminho”, completa a diretora Maria Lúcia Costa Fiúza.
Comandante da Polícia Militar fala sobre parceria
Em entrevista à Tribuna de Ituverava, o comandante da 3ª Cia da Polícia Militar de Ituverava e Região, capitão Márcio Alves Cardoso, também discorreu sobre a parceria.
“Foi constatado casos pontuais de problemas na Escola Estadual ‘Capitão Antônio Justino Faleiros’, onde a resolução abrangia a ação integrada de vários órgãos públicos, como a própria escola, Polícia Militar, Ministério Público, Conselho Tutelar, etc. Ficou acertado que a Polícia Militar oferece reforço do policiamento ostensivo na entrada e saída de alunos, nas imediações da escola e o apoio efetivo aos funcionários, professores, mediadores e diretoria daquela escola. Não obstante, foram realizadas reuniões de trabalho onde se ficou acertado a forma das ações. O trabalho sempre foi conjunto”, explica o Capitão Cardoso.
“Identificados os problemas, através de relatos de problemas pela população, professores e policiais militares, e foram marcadas reuniões com os gestores de cada instituição. Isoladamente, não era possível chegar a uma resposta adequada ao que estava acontecendo. Foram reforçadas as linhas de comunicação, e deve ser enaltecido o trabalho do promotor de Justiça da Seção da Infância e Juventude de Ituverava, Dr. Anderson Ogrizio, que em todo momento esteve presente, inclusive aos finais de semana”, diz.
Ainda de acordo com o capitão Cardoso, apenas uma mínima parcela dos alunos da Escola ‘Capitão Antônio Justino Faleiros’ tem graves problemas de indisciplina. “Quero afiançar o trabalho e o esforço exemplar dos funcionários e professores para combater os problemas de disciplina. Nota-se claramente que a disciplina melhorou na escola, e os casos mais graves estão sendo acompanhados pelo Conselho Tutelar e pelo Ministério Público”, destaca.
Disciplina
Capitão Cardoso também lembra que disciplina não é apenas para militar. “Existe disciplina em qualquer lugar, pois, caso contrário tudo seria uma grande bagunça o que seria prejudicial a qualquer grupo humano. A disciplina muda de acordo com a necessidade. No caso das instituições de ensino, ela deve existir para possibilitar que cada aluno não tenha cerceado o seu direito de estudar, dentro do melhor quadro pedagógico. É preciso lembrar que a educação e o conhecimento libertam o ser humano, mas para que ocorra é preciso de um mínimo de ordem para o direito de ninguém seja ferido”, enfatiza o comandante.
Ainda segundo o comandante, a Polícia Militar está aberta a parcerias positivas e exalta que a participação da comunidade e da imprensa são fundamentais para uma prestação de serviço de qualidade.
Parcerias
“A Polícia Militar firmou parceria com todas as escolas. Caso existam problemas, esses podem ser comunicados e reuniões podem ocorrer normalmente. Já fizemos um trabalho semelhante ao da Escola Justino em uma escola municipal, porém não houve a necessidade de uma atuação tão extensa de outros órgãos públicos. Fui procurado por professores e funcionários dessa escola, que me relataram que o problema da indisciplina havia melhorado bastante”, relata.
“A segurança Pública é um dever do Estado, porém também é de responsabilidade de todos”, finaliza.