Sistema caseiro de captação de água da chuva. No destaque, Celso Barbosa SandovalEm um momento que o Brasil enfrenta uma das maiores crises de falta de água em várias regiões do país, o historiador e escritor ituveravense, Celso Barbosa Sandoval, encontrou uma maneira prática de captar água da chuva e economizar na hora de pagar a conta de água.
Sandoval construiu uma engenhoca na varanda de sua residência para o reaproveitamento da água das calhas. Providenciou reservatórios (tambores) e bolou um projeto de encanamento para todo o telhado, com dois coletores especiais, interligados às calhas.
A idéia é basicamente simples. Ele explica que através dos coletores a água da chuva é captada e por meio de tubos direcionada aos seus respectivos reservatórios. Após o processo de armazenagem atingir o nível máximo, o excesso é recolhido pelo sifão-ladrão.
“Em tempos de estiagem e altas temperaturas, usar e abusar da água tornou-se inconcebível. Estamos enfrentamos dias difíceis, porém amanhã pode piorar, caso não façamos a nossa parte. Partindo deste princípio, a consciência falou mais alta e fez com que eu buscasse agir para evitar gastos em excesso, economizando”, afirma.
“É necessário procurar mudar velhos hábitos e buscar a economia, através de pequenas atitudes dentro da própria casa, como esta, que pode fazer uma grande diferença, não só nas contas do final do mês, mas também para a economia de água, para que no futuro não falte para as próximas gerações”, destaca.
Toda a água captada, segundo Celso, é exclusivamente para uso diário das tarefas de casa. “Como não criamos nenhum sistema para tratamento, não é viável usarmos para consumo próprio, apenas para as tarefas domésticas, como lavar quintais, calçadas e lavar roupas, por exemplo”, destaca. Ele ainda ressalta que é importante manter sempre as calhas limpas, livres de qualquer sujeira ou objetos que possam levar impurezas à água captada.
Custo Benefício
De acordo com o historiador, que desembolsou cerca de R$ 600 em materiais para o sistema, o projeto pode ser adequado às condições de cada um. “Não é um processo caro, eu, por exemplo, utilizei materiais mais em conta, como tambores no lugar dos reservatórios. Porém, também podem ser utilizadas caixas d’água, armazenamentos subterrâneos, entre outros”, diz.
Ele pensou no projeto, e contratou um encanador profissional para instalar. “A pessoa gasta um pouco mais agora, mas economiza futuramente. E o principal, está agindo em benefício da natureza, e bem-estar coletivo. Como moramos apenas em duas pessoas, não percebemos tanta economia no final do mês. Porém, hospitais, restaurantes, hotéis, casa com cinco ou mais pessoas ou repartições públicas onde o consumo diário de água é grande, a economia seria muito maior”, conclui.
Sudeste perdeu 56 trilhões de litros de água, mostram dados da Nasa
Novos dados de satélite mostram que a seca no Brasil é pior do que se pensava, com o Sudeste perdendo 56 trilhões de litros de água em cada um dos últimos três anos, afirmou um cientista da agência espacial dos Estados Unidos (Nasa), no dia 30 de outubro.
“A pior seca do país nos últimos 35 anos também tem levado o Nordeste brasileiro, região maior, mas menos povoada, a perder 49 trilhões de litros de água a cada ano nos últimos três anos, comparando com os níveis normais”, afirmou o hidrólogo da Nasa, Augusto Getirana.
“Os brasileiros estão bastante conscientes da seca, dado o racionamento de água, blecautes e reservatórios vazios em partes do país, mas esse é o primeiro estudo que documenta exatamente a quantidade de água que tem desaparecido dos lençóis de água e reservatórios”, disse Getirana.
O sistema da Cantareira, que fornece água para 8,8 milhões de moradores de São Paulo, tinha, por exemplo, menos de 11 por cento da sua capacidade no ano passado, segundo autoridades locais.
“É muito maior do que eu imaginava. Com as mudanças climáticas, isso vai acontecer com mais e mais frequência”, ressalta disse Getirana.
Mudanças
A pesquisa de Getirana, publicada nesta semana no Journal of Hydrometeorology, tem como base 13 anos de informações dos satélites Recuperação da Gravidade e Experimento Climático (Grace, na sigla em inglês) da Nasa, que circulam a Terra detectando mudanças no campo de gravidade causadas pelos movimentos da água no planeta.
O país não tem uma falta de água absoluta, afirmou o pesquisador. O problema é que as regiões muito povoadas, particularmente o Sudeste, dependem de aquíferos e reservatórios locais, que não estão sendo reabastecidos devido à seca.
Teoricamente, a água pode ser transportada de outras partes do país para cidades afetadas, disse, mas os custos financeiros e logísticos seriam enormes.
Alerta
As novas informações de satélite devem representar um chamado de alerta para os políticos gerenciarem melhor a água e atuarem em relação às mudanças climáticas para lidar com a crise, declarou Getirana.
Os dados não permitem que os pesquisadores façam previsões de quanto tempo a seca vai durar, disse ele, acrescentando que os níveis de água continuaram a cair nos últimos meses.