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O geriatra ituveravense José Mário Júnior
25/12/2015

BOA PARTE DOS IDOSOS SOFRE DE SÍNDROME DA FRAGILIDADE


Geriatra José Mário Júnior explica quais são os meios de prevenir e tratar a doença

O envelhecimento é marcado por alterações fisiológicas, que ocorrem de maneira diferenciada, em maior ou menor intensidade, em todos os aparelhos e sistemas do corpo humano, sintomas que podem significar síndrome da fragilidade.

Em entrevista concedida à Tribuna de Ituverava, o geriatra ituveravense José Mário Júnior, fala sobre o assunto. “O aumento da expectativa de vida e a multiplicação de pacientes portadores de doenças crônico-degenerativas têm impactado a realidade médica em todo o mundo. Isso porque as doenças crônico-degenerativas requerem acompanhamento constante, sendo necessária a adequação da avaliação geriátrica, com a adoção de rotinas bem estabelecidas para essa faixa etária”, afirma.

“Uma das patologias que pode levar o idoso a incapacitação é a síndrome de fragilidade. Com a identificação das condições funcionais do paciente, associadas ou não às comorbidades, é possível desenvolver o tratamento das doenças, evitando o agravamento, e, portanto, retardando o aparecimento de limitações funcionais, o que pode levar alguns pacientes a serem inseridos em programas de reabilitação”, ressalta José Mario.

Ainda de acordo com ele, a síndrome de fragilidade no idoso é definida como um conjunto de sinais e sintomas relacionados à fraqueza muscular, alteração da marcha e do equilíbrio, anorexia, perda de peso progressiva involuntária, sensação de exaustão, fraqueza e inatividade física.

Diagnóstico
“Fazem parte do diagnóstico da síndrome da fragilidade: doenças psiquiátricas (como a depressão, por exemplo); doenças malignas, gastrointestinais, endócrinas (especialmente o hipotireoidismo), cardiovasculares, nutricionais, respiratórias, neurológicas, renais, alcoolismo, infecções crônicas, bem como efeitos colaterais de alguns medicamentos”, observa o médico.

“A abordagem terapêutica envolve reposição hormonal, programa de exercícios, suporte nutricional, tratamento efetivo das comorbidades e suporte social adequado. Além disso, devem-se abordar adequadamente fatores que podem contribuir para a perda de massa muscular, como medicamentos e doenças crônicas. Isso pode ser feito pela abordagem e intervenção multidisciplinar, que são estratégias eficientes e eficazes no cuidado com o idoso frágil”, ressalta.

O geriatra lembra ainda da importância dos exercícios físicos e a intervenção nutricional, com oferecimento de aporte adequado de proteínas, energia, vitaminas e micronutrientes, para tratar a doença. “Além disso, devem-se abordar adequadamente fatores que podem contribuir para a perda de massa muscular, como medicamentos e doenças crônicas”, completa.

José Mário Júnior, 49 anos, é formado pela Faculdade de Medicina de Catanduva e atua na área de Cirurgia Vascular e é pós-graduado em Geriatria pela Fundação Unimed. Ele, que atende na Multiclínica, é casado com a dentista Ana Paula Yanosteac Rodrigues Mário e tem as filhas Mariana Yanosteac Rodrigues Mário e Bruna Yanosteac Rodrigues Mário.

Saiba mais a respeito da síndrome da fragilidade
A fragilidade é conceituada como uma síndrome clínica, que pode ser identificada por perda de peso involuntária, exaustão, fraqueza, diminuição da velocidade da marcha e do equilíbrio e diminuição da atividade física. Cada uma dessas manifestações clínicas é preditora de uma série de reações adversas (quedas, hospitalização, declínio funcional).

Há pouca informação dobre a doença, mas já se sabe que a síndrome da fragilidade costuma aparecer a partir dos 65 anos de idade e pode ser caracterizada como um círculo vicioso.

O paciente, em virtude de alguma enfermidade, termina por não se movimentar e não se alimentar direito. Com isso ele fica desnutrido, perde massa muscular, peso e condicionamento físico, o que o torna mais suscetível a quedas e a outras doenças.

Saiba o que é a geriatria e quais são as funções da especialidade
O Brasil, bem como o mundo inteiro, está envelhecendo. Em 2025, 14% da população brasileira será idosa – serão 32 milhões de pessoas com mais de 60 anos. O Brasil será o 6º é o país do mundo em número de idosos. Esse privilégio de poder viver tanto vem, entretanto, acompanhado de um desafio – de envelhecer com saúde.

Tão fácil quanto encontrar um idoso é, infelizmente, vê-lo fragilizado pelas complicações de doenças crônicas ou degenerativas, com sua autonomia e independência comprometidas, passando pelas conseqüências de uma má qualidade de vida.

Sabe-se que cerca de 85% dos idosos apresentam alguma doença crônica. A saúde, entretanto, não deve se resumir à simples ausência de doenças; deve ser antes um estado de busca contínua do cuidado, de diagnósticos precoces e tratamentos corretos. Caso contrário, confundiremos, como é comum se ouvir, envelhecimento com doença.

Ao desafio de envelhecer com saúde já existe, respostas, soluções e alternativas, que visam o viver bem ou o viver melhor. A Geriatria é uma especialidade médica que busca estudar a saúde do idoso de modo integral, focando a atenção não somente em um órgão, mas na pessoa idosa como um todo, incluindo seus aspectos físicos, psicológicos, sociais e até mesmo espirituais.

A Geriatria busca ainda prevenir o envelhecimento com doença, permitindo que a vida se prolongue com saúde e qualidade de vida. Ao preparar as pessoas para não temerem a velhice, projeta o futuro na tarefa de descobrir todas as potencialidades desta fase da vida.

Sintomas desagradáveis
Sabemos que diante do desafio de envelhecer bem, a pessoa idosa pode se encontrar envolvida por uma série de sintomas desagradáveis, tais como incontinência urinária, dificuldades para caminhar ou manter o equilíbrio, perdas de memória, uso excessivo de medicamentos indicados por diversos especialistas, dores, sintomas de depressão ou ansiedade – que podem ser corrigidos.

Muitos podem pensar, entretanto, serem normais da idade, o que não é verdadeiro. Dar anos à vida e vida aos anos que viveremos é nossa tarefa e missão básica.

Doenças relacionadas ao envelhecimento
Síndrome de fragilidade do idoso

Distúrbios de memória (e as doenças relacionadas, como o Alzheimer)

Incontinência urinária

Quedas, os distúrbios de equilíbrio e tonturas – esse é um dos temas de abordagem mais difícil em toda a medicina que envolve um grande conhecimento dos mais diversos sistemas do corpo humano

Polifarmácia (uso de muitos remédios para diferentes doenças e suas conseqüências) – a cada vez que se inventa um remédio se inventam uma ou mais doenças. Na terceira idade, as mínimas coisas afloram e os efeitos colaterais de medicamentos são freqüentes causas das queixas dos pacientes. O conhecimento profundo de farmacologia é necessário.

Imobilidade (conseqüências da limitação física devido a doenças) – as conseqüências sofridas por um paciente com seqüela de AVC e que está restrito ao leito, por exemplo.