Rua Payaguás, local onde houve problemas com o transformadorAs quedas de energia sempre causam transtornos. Porém, quando se tornam freqüentes, pode se tornar um grave problema. E é justamente isso que vem ocorrendo em Ituverava nos últimos meses, especialmente em alguns bairros, como o Jardim Guanabara e Jardim Marajoara.
Ao contrário do que acontece normalmente, quando a energia acaba por conseqüência de ventos fortes ou raios, várias regiões do município têm ficado sem eletricidade sem motivos aparentes. Às vezes o problema da queda de energia dura alguns minutos, no entanto, outras, demora horas para voltar. Um exemplo ocorreu do dia 12 para o dia 13 de dezembro, quando um setor do Jardim Marajoara ficou sem energia por cerca de 18 horas.
As conseqüências disso são inúmeras. Aparelhos eletrodomésticos podem queimar; produtos estragam nas geladeiras; atividades domésticas são interrompidas e até mesmo eventos são cancelados.
Outro problema é que a falta de energia, principalmente durante a noite e madrugada, causa insegurança na população, pois criminosos podem se aproveitar da situação para agir.
É compreensível que a falta de energia aconteça esporadicamente, porém a freqüência que ela tem ocorrido e a falta de avisos prévios à população demonstra certo descaso da CPFL, responsável pela distribuição de energia elétrica para o município.
Para que explicasse sobre os problemas ocorridos no município, a Tribuna de Ituverava entrou em contato com o setor de Comunicação da CPFL. Porém, até o fechamento desta edição, não havia recebido nenhuma resposta.
Procon
O semanário também ouviu o diretor do Procon de Ituverava, Marcelo Spósito Liporaci Machado, que explicou como proceder diante deste tipo de problemas. “As constantes quedas de energia elétrica têm causado prejuízos materiais aos consumidores, sendo certo que, muitas vezes, produtos armazenados em geladeiras estragam, e equipamentos elétricos ou eletrônicos são danificados assim que há o restabelecimento do serviço”, relata.
“Em qualquer situação, onde fique configurada a má prestação do serviço por parte da concessionária de energia, bem como o dano material sofrido pelo consumidor, ele deve primeiramente registrar o ocorrido na concessionária, seja através do 0800 ou no escritório da empresa localizado nesta cidade. Via de regra, será exigido que o consumidor apresente três orçamentos, por escrito, nos quais deverão constar basicamente a origem do dano no produto, peças a serem substituídas e valor”, explica Liporaci.
União
A Tribuna de Ituverava clama a população para que se una e leve sua reclamação à CPFL ou ao Procon, pois é direito de todos ter o serviço de energia elétrica de qualidade, afinal, todos pagam - e muito - por isso. Somente se houver engajamento da população, a CPFL se atentará ao problema recorrente em Ituverava e o resolverá definitivamente.
Ressarcimento
Ainda de acordo com ele, o consumidor também pode denunciar que o produto danificado não tem reparo, por falta de peças de reposição ou por ser inviável seu conserto.
“Ele deve entrar com o pedido de ressarcimento e aguardar a resposta da concessionária. Em caso de negativa, o consumidor pode se dirigir ao Procon ou ao Juizado Especial Cível (pequenas causas), munido dos orçamentos acima descritos”, explica.
“Esse tipo de demanda tem crescido nos últimos tempos e a resolução nem sempre é fácil, pois muitas reclamações acabam sendo encaminhado ao Fórum”, diz.
Machado lembra que a lei prevê que todos os prejuízos causados aos consumidores pelas concessionárias de energia elétrica devem ser reparados, sejam eles materiais, morais, lucros cessantes ou danos emergentes.
“Para finalizar, quero fazer menção ao dito comum nos meios jurídicos que diz ‘a justiça não socorre aqueles que dormem’, ou seja, se você sofreu um prejuízo e não ‘correr atrás’, ficará no prejuízo mesmo”, completa Marcelo Spósito Liporaci Machado.
Moradores do Marajoara se queixam das quedas de energia
Entre as 16h do dia 12 de dezembro e às 10h do dia 13, alguns pontos do Jardim Marajoara ficaram sem energia, o que causou desconforto e trouxe prejuízos aos moradores do local. “Só na minha casa devemos ter ligado umas quinze vezes, pára a CPFL e não obtivemos respostas. Só conseguimos contato com a companhia no domingo, por depois que enviamos um e-mail. Logo em seguida, em questão de meia hora, empresa enviaram uma equipe para solucionar o problema. Fizeram o trabalho que havia de ser feito na rede, que tinha sido atingida por uma folha de zinco, o que ocasionou o apagão na Rua Payaguas e proximidades. Apesar do atendimento, o CPFL não se dignou a prestar os devidos esclarecimentos sobre o ocorrido”, diz inconformado Paulo Roberto de Curcio, 62 anos, aposentado “Ouvimos dizer que o problema só poderia ser resolvido depois de ordem de serviço emitida pela central da CPFL, que no momento se encontrava atendendo outras emergências na região”, afirma.
“Outro morador chegou a registrar um boletim de ocorrência denunciando o fato, porém foi informado que nada poderia ser feito neste caso, a não ser aguardar decisão da CPFL. Acho que deveria haver na cidade, um plantão ou telefone de contato da CPFL, para facilitar qualquer tipo de reclamação para que problemas possam ser solucionado com rapidez”, ressalta Paulo de Curcio.
Outras queixas
O aposentado Odírcio Domiciano Alves, 79 anos, também reclama do descaso da CPFL. “Ficamos sem energia elétrica das 16h do sábado, até as 10h de domingo. Liguei seis vezes para a CPFL e não fui atendido em nenhuma delas. Quase tive prejuízo com alguns alimentos que estavam na geladeira, que só não estragaram porque a energia voltou há tempo. Não sei porque está acontecendo apagão, que este ano foram várias vezes”, relata.
“Quase perdi algumas compras feitas para o Natal. Liguei várias vezes para a CPFL e em nenhuma delas obtive resposta. Também não nos deram nenhuma satisfação sobre o que vem acontecendo com a energia elétrica, pois é só chover que ela acaba”, completa Rosa Elaine de Campos Santos, 45 anos, dona de casa.