SAϿ�DE

06/02/2016

NÚMERO DE MÉDICOS EM ITUVERAVA É MAIOR QUE MÉDIA BRASILEIRA


No município, são 3,87 médicos para cada mil habitantes, enquanto a média nacional é de 2 para cada mil

O Brasil nunca viveu uma expansão de médicos como atualmente, com novas vagas em escolas de medicina e vinda de estrangeiros pelo Mais Médicos. A distribuição, porém, permanece desigual pelo território.

A média nacional, de dois médicos por mil habitantes, contrasta com locais como Maranhão, Pará e Amapá, que não mantêm um profissional para cada grupo de mil, segundo a Demografia Médica no Brasil 2013, do CFM (Conselho Federal de Medicina).

Baixa remuneração e falta de condições de trabalho, aliadas à qualidade de vida dos grandes centros, explicam a concentração de profissionais, segundo especialistas.

O país reúne hoje 430 mil médicos, segundo o CFM (o Ministério da Saúde estima pouco mais de 400 mil). Nos anos 90, eram 219 mil profissionais. A pasta prevê chegar a 600 mil médicos em 2026 através da criação de mais vagas em cursos de Medicina e nas residências. Assim o país alcançaria a marca de 2,7 profissionais para cada mil habitantes.

Ituverava
Na contramão do país, Ituverava, que é considerada um pólo regional de Saúde, tem um número maior de médicos que a média nacional. O município, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), possui 38.695 habitantes, e o número de médicos, segundo levantamento feito pela Secretaria Municipal de Saúde, a pedido da Tribuna de Ituverava, é de aproximadamente 150 profissionais.

Com isso, o número de médicos para cada mil habitantes em Ituverava é de 3,87, ou seja, quase o dobro da média nacional. O número se tornará ainda mais expressivo a partir de março, quando outros médicos chegarão à cidade, para fazer Residência em Medicina da Saúde da Família.

Eles atuarão no município por dois anos, trabalhando na Santa Casa e nos PSFS.

Qualidade
É importante lembrar que não se trata apenas de quantidade, mas, sobretudo, de qualidade. Hoje Ituverava possui importantes instituições de Saúde consideradas referência para toda a região, como o AME (Ambulatório Médico de Especialidades), a Santa Casa de Misericórdia, o Hospital e Maternidade de Ituverava - São Jorge, além de diversas clínicas, que atendem as mais diversas especialidades.

Exatamente pela qualidade e por atender inúmeras especialidades, Ituverava se consolidou como uma referência regional em Saúde, atendendo milhares de pacientes por dia, não só do município, mas também de diversas cidades da região.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Dr. Gonçalves Aparecido Dias, o número faz de Ituverava uma grande diferencia. “O número de médicos, além de estar acima da média nacional, é o ideal, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). É importante lembrar que além da quantidade, temos excelente infra-estrutura e bastante tecnologia. Por conta destes fatores, somados à qualidade dos médicos que atuam na cidade, Ituverava se consolidou como uma referência em Saúde”, completa.

Estados onde apresentamas piores proporções do país
O Maranhão apresenta a pior proporção de médicos no país - 0,71 a cada mil habitantes. Para reverter o quadro, o governo Flávio Dino (PC do B) traçou metas até "sonhadoras", admite o secretário estadual da Saúde, Marcos Pacheco.

O objetivo é dobrar o número de hospitais de grande porte (atualmente são quatro), de centros de apoio ao diagnóstico espalhados pelo Estado (são 12) e ampliar as vagas na universidade estadual.

Em Roraima, com o menor número absoluto de médicos -cerca de 900-, os municípios têm dificuldade para paga-los em dia. "O prefeito não paga dois, três meses e o profissional desiste", diz o secretário-adjunto da pasta, César Penna.

Mais Médicos
Se o Mais Médicos conseguiu levar profissionais para áreas remotas do Norte e Nordeste, o desafio agora é a carência de especialistas, diz Wilso

n Alecrim, presidente do Conass, entidade que reúne secretários da saúde dos Estados e chefe da pasta no Amazonas.

"É a hora do segundo passo. O profissional do Mais Médicos consulta, mas, em muitos casos, o paciente tem de ser referenciado para o especialista", afirma ele.

Qualidade
A expansão de vagas na formação médica é vista com preocupação pelas entidades médicas. “É excessiva a formação médica que o governo federal está propondo”, afirma o presidente do CFM, Carlos Vital Tavares Corrêa Lima. "São abertas escolas sem condições de ensino e com dificuldade de docência e de infraestrutura", completa.

Segundo o Ministério da Saúde, o número de vagas em medicina, atualmente de 0,8 por dez mil habitantes, é muito baixo. “Posso assegurar que não tem uma expansão de vagas além da necessidade”, afirma Hêider Aurélio Pinto, secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde da pasta.