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Agentes realizam limpeza de terreno
20/02/2016

BOATOS SOBRE ZIKA VÍRUS CAUSAM MEDO E CONFUNDEM POPULAÇÃO


Entre os boatos está o de que a doença traz seqüelas neurológicas não só em bebês, mas em crianças com menos de sete anos

Em meio a tantas dúvidas que o vírus da zika e os casos de microcefalia suscitam na população, boatos dos mais diferentes tipos e origens ocupam as rodas de conversas nos cafezinhos e se multiplicam em redes sociais. A matéria foi publicada pela Folha de S. Paulo.

Do produto usado no combate às larvas do Aedes aegypti a supostas vacinas vencidas aplicadas em gestantes, passando pelo registro de 3 mil grávidas infectadas na Colômbia sem nenhum caso de microcefalia, a desinformação avança em velocidade comparável ao vetor da doença.

O mais recente rumor ganhou notoriedade na última semana quando o governo do Rio Grande do Sul suspendeu o uso de um larvicida após um relatório de um grupo argentino apontar a possibilidade de a substância potencializar a má-formação cerebral causada pelo vírus da zika.

O documento cita nota da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) que alerta para o uso contínuo de larvicidas, sem relacionar a má-formação ao produto. Na segunda, 15 de fevereiro, a entidade negou que tenha feito tal relação.

Na Colômbia, o governo afirmou que não há casos de bebês com microcefalia entre as mais de 3 mil gestantes infectadas por zika. Porém, dados apurados pelo jornal Folha de S. Paulo mostram que só 10% delas já tiveram seus filhos (ou seja, é cedo para conclusões porque a microcefalia só é diagnosticada com a gravidez avançada).

No final de 2015, começaram a circular mensagens de áudio com informações supostamente repassadas por especialistas. Elas diziam que o vírus da zika deixaria seqüelas neurológicas não só em bebês, mas em crianças com menos de sete anos.

Seqüelas
Segundo o infectologista Artur Timerman, o vírus pode deixar seqüelas, mas é raro e acontece com um número pequeno de pacientes, independentemente da idade. Para desenvolver algum problema é preciso que a imunidade esteja baixa.

Infectologistas acham muito improvável. O secretário da Saúde de São Paulo, David Uip, relata ter recebido um paciente com sorologia positiva para as três doenças. No final da investigação, porém, ele só tinha chikungunya.


Uip explica quer ao fazer exames para as outras arboviroses, eles podem dar um resultado falso positivo. Ou seja, há uma reação cruzada.

Para o virologista Gubio Soares, da Universidade Federal da Bahia, foi o que provavelmente houve na Colômbia.

Vacinas
As vacinas não escaparam dos boatos. Um deles diz respeito a gestantes imunizadas contra a rubéola inadvertidamente no Nordeste, outro é sobre lotes vencidos do produto e uma terceira versão, sobre a dTPA (contra coqueluche, difteria e tétano, aplicada no último trimestre de gestação).

"Cada hora é uma vacina. É enlouquecedor. Não adianta apresentar evidência de que são seguras, há pessoas que ainda continuam acreditando", diz Isabella Ballalai, presidente da SBIn (Sociedade Brasileira de Imunizações).

Conheça as verdades e os boatos sobre o zika vírus
Boato: O larvicida pyriproxyfen, usado pelo Ministério da Saúde desde 2014, estaria relacionado aos casos de microcefalia.

Fato:
Sites de notícias e blogs disseminaram a informação com base em relatório da organização argentina "Physicians in the Crop-Sprayed Towns" (médicos nas cidades com colheita pulverizada, em tradução livre). O texto, porém, não se baseia em nenhum estudo científico.

A organização também cita nota técnica da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), que alerta para o uso continuado de larvicidas na água de famílias do Nordeste. Nesta semana, a Abrasco divulgou nota negando que tenha feito tal associação.

Boato:
Crianças e idosos estariam apresentando sequelas neurológicas graves após terem zika.

Áudios que circulam no WhatsApp dizem que há crianças "chegando aos hospitais já em coma" em Pernambuco.

Fato:
A Secretaria de Estado da Saúde afirma que "não está sendo observada, em qualquer idade, mudança no padrão de ocorrência dos casos de encefalite relacionados ao vírus da zika ou qualquer outro vírus".

O vírus da zika e outros, como varicela, herpes vírus, enterovírus e dengue, podem causar danos neurológicos –encefalites, cerebelites e neurites (inflamações no sistema nervoso)–, mas no cenário atual não há registro de aumento desses casos em crianças.

Segundo o infectologista Artur Timerman, o vírus pode deixar sequelas neurológicas, mas isso é raro, independe da idade e está ligado a quadros de baixa imunidade

Boato:
Vacinas contra rubéola aplicadas em grávidas, dTPA (coqueluche, difteria e tétano) e vacinas vencidas contra rubéola causariam microcefalia

Fato:
Segundo a presidente da SBIn (Sociedade Brasileira de Imunizações), Isabella Ballalai, a vacina contra rubéola não é usada em grávidas e uma dose vencida do imunizante não tem poder de causar microcefalia, apenas deixaria de proteger a pessoa contra a doença. A vacina contra coqueluche, difteria e tétano é segura e há resultados que mostram que ela diminui a morte de bebês.

Assim como o Ministério da Saúde, a especialista afirma que as vacinas são seguras e passam por controle de qualidade.

Boato:
A microcefalia é transmitida por bactérias inoculadas em mosquitos

Fato:
Projeto da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) conduzido com parceiros internacionais está usando baterias do gênero Wolbachia para enfraquecer o Aedes aegypti e atrapalhar a sua disseminação.

A tecnologia já foi testada com sucesso em países como Austrália, Vietnã e Indonésia e não houve qualquer associação com casos de microcefalia.

Boato:
Na Colômbia, mais de 3.000 gestantes com a doença deram à luz e não houve registros de microcefalia

Fato:
Dados do governo colombiano, apurados pela Folha, mostram que de 3.177 gestantes com suspeita da doença, só 386 já tiveram seus filhos e um caso é investigado por ter defeitos congênitos. 57 gestações terminaram em abortos.

Ao todo, as gestantes que tiveram zika já passam de 5.mil. Sobre esse dado, porém, não há informação de quantas deram à luz.

Para Décio Brunoni, professor titular de pós-graduação no Mackenzie, ainda é cedo para qualquer dedução. Como só cerca de 10% das gestantes infectadas pelo vírus da zika já deram à luz, é preciso ter mais informações sobre a qualidade desse diagnóstico feito e ter certeza se realmente elas foram infectadas pelo zika, já que os sintomas são parecidos com os da dengue e da chikungunya.

Boato:
É possível ter uma tríplice infecção, pegando dengue, zika e chikungunya ao mesmo tempo.

Fato:
Infectologistas acham muito improvável. O secretário da Saúde, David Uip, relata ter recebido um paciente no consultório com sorologia positiva para dengue, chikungunya e exame genético para o vírus da zika. Mas, no final, ele sofria apenas de chikungunya.


Ele explica que, ao fazer exames para as outras arboviroses, eles dão falso positivo. Ou seja, acontece uma reação cruzada. Segundo o virologista Gubio Soares, da Universidade Federal da Bahia, foi o que provavelmente aconteceu com caso de um colombiano amplamente divulgado.

Boato:
Mosquitos geneticamente modificados estariam potencializando o vírus da zika, em vez de ajudar no combate.

Fato:
Testes com esses mosquitos estão em andamento e não há nenhuma comprovação de que isso possa ocorrer.