Olimpíadas no Rio de Janeiro: desinteresse dos brasileriosO início das Olimpíadas do Rio de Janeiro está próximo. Se as atenções do mundo esportivo estão cada vez mais voltadas à capital carioca, os olhos de grande parte da população brasileira não estão nos Jogos.
Realizada pela Kantar Worldpanel, uma pesquisa abrangendo 52 milhões de domicílios e feita em março de 2016 revelou que apenas 29% dos ouvidos comparecerão ou pretendem acompanhar, de alguma forma, mesmo que pela TV, o evento.
Aliás, 83% das pessoas afirmaram que não estarão presentes nos eventos realizados no Rio de Janeiro. A principal justificativa, que corresponde a 60%, está relacionada à falta de dinheiro. Além disso, 42% não irão aos jogos por residirem em outro Estado, enquanto 24% consideram os preços dos ingressos elevados.
Os altos custos das obras também foi abordado. Segundo a pesquisa, 66% dos entrevistados considera o investimento na infra-estrutura olímpica além do necessário; 86% das pessoas acreditam que as obras para os jogos podem aumentar os casos de corrupção no país.
Situação Preocupante
Quando o Rio de Janeiro ganhou o direito de sediar as Olimpíadas, em 2009, o Brasil planejou uma série de projetos para mostrar o quanto havia crescido.
Mas este ano, quando os turistas começarem a aparecer para assistir ao evento, o Brasil não exibirá o que tem de melhor, e sim sua mais profunda crise.
A Baía da Guanabara cheia de esgoto pela qual os visitantes passarão ao sair do aeroporto – local onde os eventos olímpicos de vela serão realizados – e deveria ser limpa e cintilante.
A nova linha de metrô do bairro nobre de Ipanema até os jogos funcionará, na melhor das hipóteses, em um horário limitado, já que as operações começam apenas quatro dias antes da cerimônia de abertura das Olimpíadas, marcadas para o dia 5 de agosto.
E quanto aos equipamentos de último modelo que a polícia receberia para ajudar a manter os viajantes seguros? Um alto funcionário da organização diz que eles nunca chegaram.
Democracia próspera. Será?
“Quando você olha os documentos da proposta, de 2009, vê que a Olimpíada definitivamente foi projetada e vendida como uma forma de exibir o Brasil como uma democracia próspera e uma economia pujante”, disse Jules Boykoff, autor de um livro sobre a história das Olimpíadas que critica o legado dos grandes eventos esportivos.
A maior parte dos R$ 39 bilhões (US$ 11 bilhões) em arenas e infra-estrutura que estão sendo construídas para as Olimpíadas estarão prontas a tempo e, à parte algumas áreas degradadas e atrasos de transporte, é possível que a maioria dos turistas nem sinta falta de tudo o que deveria ter sido feito.
Mas as obras inacabadas são um indicativo de um problema muito maior que durará até muito depois de os visitantes tomarem seu vôo de volta: o Estado do Rio de Janeiro está praticamente quebrado.
Atualmente, o Brasil enfrenta uma recessão devastadora, e o Estado do Rio de Janeiro descumpriu pagamentos de dívidas no mês passado e está atrasando os salários dos servidores públicos depois que os preços do petróleo, fonte primária de recursos, vieram abaixo.
Denúncias
E pelo menos seis empresas contratadas para realizar os projetos olímpicos e a infra-estrutura relacionada ao evento, foram incapacitadas de fazer as obras devido acusações de que pagaram propinas para ganhar lucrativos contratos nas obras públicas.
O secretário da Casa Civil do Rio de Janeiro, Leonardo Espíndola, disse ao Supremo Tribunal Federal em abril que o estado está à beira de um “colapso social”, que o secretário estadual da Fazenda, Júlio Bueno, concorda.
No início de uma entrevista de uma hora, no mês passado, Bueno disse ter “o pior emprego do Rio de Janeiro”. “Não conseguimos manter serviços essenciais, como policiamento e saúde”, completou.
Agência afirma que ataque terrorista não está descartado
A Agência Brasileira de Inteligência considera "muito provável" que haja um ataque terrorista nas olimpíadas do Rio de Janeiro, que começa em 5 de agosto. A informação foi revelada pela revista Veja, que teve acesso a um documento preparado pela agência e distribuído aos órgãos de segurança que trabalharão nos jogos.
Para a Agência, um dos motivos que indicam a iminência de um ataque terrorista é o alto nível de segurança online que os apoiadores do Estado Islâmico vêm adotando no Brasil. É o mesmo procedimento que outros grupos terroristas adotaram em outros países, antes de realizarem ataques.
Além disso, há poucos dias o Estado Islâmico divulgou uma lista de pessoas que deveriam ser assassinadas por seus soldados. A lista inclui brasileiros, conforme mostrou a Web News Viral / Blasting News.
No documento a Abin admite ainda que o monitoramento das atividades do grupo terrorista no Brasil ainda é falho. A Agência fala em limitações operacionais e legais que "apontam para um aumento sem precedentes" da probabilidade de ataques terroristas em 2016, especialmente durante a realização dos jogos olímpicos.
Apoio
De acordo com a revista Veja, a Agência Brasileira de Inteligência tem tido o apoio de diversas agências de inteligência estrangeiras para evitar atentados durante os jogos. A americana CIA está no Brasil há meses, com a anuência do governo federal, monitorando o Estado Islâmico.
A Abin ressalva, entretanto, que ataques terroristas espetaculares, como os realizados no 11 de setembro, têm poucas chances de acontecer no Brasil. A grande preocupação dos órgãos de segurança é com os chamados "lobos solitários", combatentes simpáticos a grupos terroristas que planejam os ataques sozinhos, a exemplo do realizado na boate gay Pulse, de Orlando. "Esse tipo de ação não requer grande planejamento ou aporte financeiro", diz a Agência.
Dez curiosidades sobre as Olimpíadas do rio
Medalhas
Serão distribuídas 306 medalhas no total
Novos esportes
A Olimpíada de 2016 terá 42 modalidades de esporte em disputa. As novidades foram a inclusão do rugby e do golfe
Custos
O orçamento dos jogos custou a bagatela de R$ 37,6 bilhões de reais
Largada
O torneio de futebol começa antes da cerimônia de abertura das Olimpíadas. Além disso, os jogos não vão acontecer somente no Rio de Janeiro. Mais quatro cidades diferentes vão ser palco das partidas: São Paulo, Salvador, Manaus e Belo Horizonte.
Número de pessoas
Ao todo, serão 10.900 atletas de 204 países que virão para o Brasil disputar medalhas
Tocha Olímpica
A tocha olímpica passa pelas mãos de 10 mil carregadores durante um revezamento que leva 100 dias e percorre os 27 estados do Brasil.
Vila Olímpica
A Vila Olímpica é composta por 31 prédios residenciais, divididos em sete condomínios em apartamentos de 2 a 4 quartos
Meta do Brasil
O objetivo traçado pelo Comitê Olímpico Brasileiro é o 10º lugar. Para isso, estima-se que os atletas do país devam subir ao pódio pelo menos 30 vezes
Audiência
A última cerimônia de abertura, na Olimpíada de Londres, alcançou a audiência global de 900 milhões de pessoas. Será que vamos bater?
Ingressos
Serão comercializados 7,5 milhões de ingressos, divididos em quatro categorias diferentes. O ingresso mais barato custa R$ 40 e o mais caro sai por R$ 4.600.
Curiosidades históricas sobre as Olimpíadas
Os jogos olímpicos surgiram na Grécia, como homenagem aos deuses do Olimpo, em 776 a.C. Os gregos encontraram nos jogos uma forma pacífica de reunir as populações de suas cidades, que viviam em guerra, apesar de falarem a mesma língua e praticarem a mesma religião.
Os jogos ocorriam em Olímpia, a principal cidade de Elida, na península do Peloponeso. Nos primeiros jogos olímpicos, era disputada uma única prova: a corrida de 170 metros. Aos poucos, os gregos foram incluindo outras modalidades.
Os jogos olímpicos da antiguidade aconteciam de quatro em quatro anos e duraram mais de mil anos, até 393, quando o imperador romano Teodósio I aboliu o evento, alegando que se tratava de uma festa pagã. A ideia do paganismo dos jogos está associada a ascensão do cristianismo no século IV.
O criador dos jogos olímpicos da era moderna foi o Barão de Coubertin. Seu nome verdadeiro era Pierre de Fredy. Ele nasceu em Paris, França, no dia 1º de janeiro de 1863 e morreu em Genebra, Suíça, no dia 2 de setembro de 1937. Seu coração, lacrado numa urna de bronze, está sepultado em Olímpia.
Em 1896, em Atenas, na Grécia, foram realizados os primeiros jogos olímpicos modernos. Naquele ano, o príncipe grego Constantino invadiu a pista de corrida e percorreu os metros finais da maratona ao lado do corredor Spyridon Louis, seu compatriota e vencedor da prova.
O revezamento que leva a tocha olímpica de Atenas até a sede dos jogos foi ideia do alemão Theodore Lewald, membro do Comitê Olímpico Internacional, em 1936. Na antiga Olímpia, um fogo permanente queimava diante de Héstia, a deusa do coração e da chama sagrada. O fogo tinha significado divino.
O corredor Emil Zatopek, eleito o esportista tcheco do século XX, quebrou 18 recordes mundiais durante sua carreira. Ele era chamado de “Locomotiva Humana” pela constância de suas passadas. Tornou-se uma lenda olímpica, pois foi o único atleta de longa distância a conquistar três medalhas de ouro numa única Olimpíada.