Os Jogos do Rio 16 são história. Passados 2.515 dias desde a escolha da cidade como sede das Olimpíadas de 2016 até a cerimônia de encerramento do último domingo, 21 de agosto, a avaliação da competição que predomina na imprensa internacional é positiva. Além disso, foi a competição com melhor resultado do país, com 19 medalhas, sendo 7 de ouro, 6 de prata e 6 de bronze.
Em geral, as análises descreveram a Olimpíada no Brasil como bem-sucedida. "Foi uma noite para o Rio celebrar. Apesar de preocupações sobre segurança e zika, os jogos ocorreram em grande parte sem problemas", escreveu Tom McGowan, da rede americana de TV CNN.
"Muitos brasileiros entraram nesses jogos simplesmente torcendo para nada catastrófico acontecer. Mas o Brasil está terminando a Olimpíada em um tom decididamente otimista", avaliou Reed Johnson, correspondente do Wall Street Journal no Brasil.
Para o britânico Financial Times, os Jogos do Rio "superaram muito as expectativas em casa e no exterior".
"Após problemas iniciais, a competição transcorreu em grande parte de modo suave, e as principais manchetes vieram de pequenos delitos de hóspedes estrangeiros", escreveram os correspondentes Joe Leahy e Samantha Pearson.
Positivo e negativo
O jornal espanhol El Mundo, em texto de Germán Aranda, diz que foram Jogos vividos intensamente pelos participantes, "embora também com muito sofrimento e uma queixa comum sobre problemas de organização, sobretudo em transporte e acesso a arenas que muitas vezes tiveram pouco público".
"Vários jornalistas veteranos coincidiam em apontar Rio 2016 como os piores Jogos em que estiveram", escreveu.
Ao analisar o legado dos Jogos para o Rio, Andrew Jacobs, do New York Times, concluiu que a Olimpíada "alterou profundamente" a cidade para melhor.
"Produzindo um porto revitalizado, uma nova linha de metrô e uma onda de projetos municipais, pequenos e grandes, que estavam há muito tempo na lista de desejo de administradores da cidade", afirmou.
Embora cite críticos que apontam uma herança de remoções, gentrificação e acordos suspeitos entre incorporadoras e construtoras, o jornal diz que a competição serviu como "poderoso catalisador" de revitalização urbana e projetos de infra-estrutura que "irão melhorar a vida dos moradores".
O americano Washington Post e a rede alemã Deustche Welle mencionaram sentimento de "alívio" no Brasil pelo sucesso da Olimpíada.
"Foi algo longe de uma execução perfeita pelo Brasil, que lutou com arenas vazias, temores de segurança e uma misteriosa piscina verde. Mas as duas medalhas na reta final para os anfitriões em dois esportes favoritos, futebol e vôlei masculino, ajudaram a suavizar algumas das arestas em torno dos Jogos para os brasileiros", foi o texto dos alemães.
Aproximação
O jornal americano diz que a Olimpíada "aproximou os brasileiros em uma bem-vinda distração das dificuldades do país, substituída por duas semanas de orgulho nacional".
A publicação lembra que a cerimônia de encerramento não contou com a presença de um presidente da República. "Uma estava aguardando seu julgamento de impeachment, e o interino ficou longe dos estádios após ser inundado por vaias na cerimônia de abertura".
Volta à realidade
A imprensa internacional também destacou os desafios que permanecem à frente do país. "Qualquer efeito de bem-estar pode se dissipar quando a realidade voltar com tudo nesta semana", escreveu o Financial Times, em referência à crise política e econômica.
"Agora que o circo saiu da cidade, vai sobrar muito para cariocas e brasileiros enfrentarem nos meses e anos adiante. Embora o custo oficial dessas Olimpíadas terem sido estimados em US$ 12 bilhões, alguns especialistas afirmam que o valor real pode chegar a US$ 20 bilhões", afirmou o Wall Street Journal.
Fazendo um paralelo com a forte chuva no Rio no dia do encerramento, o jornal britânico The Independent disse que o clima foi simbólico para um evento "turbulento" que sobrepôs "glória esportiva com escândalos políticos, protestos, alertas de saúde e inúmeras sub-tramas que muitas vezes desviaram a atenção do evento em si".
Na mesma analogia climática, o Wall Street Journal concluiu que "a maioria das Olimpíadas modernas ocorreram sob a sombra da ambigüidade, então foi apropriado que esses Jogos terminassem em um final de semana nublado e chuvoso".
"Eles deixaram uma imagem final, não daquele local ensolarado dos românticos, o Rio do cinema, mas um Rio mais cheio de nuances, e um Brasil mais sutil, em tons de luz e sombra."
Pontos altos e pontos baixos das Olimpíadas
O que deu Certo
Abertura
Apesar da polêmica em torno de um segmento em que a modelo Gisele Bündchen sofreria uma tentativa de assalto (posteriormente retirado do script) e do orçamento menor do que os de Londres-2012 e de Pequim-2008, a abertura dos Jogos do Rio, com mais de 5 mil pessoas em campo e participação de Elza Soares, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Anitta e Jorge Ben foi elogiada pela imprensa internacional e levantou o astral do público brasileiro.
A participação da modelo Lea T à frente da delegação brasileira, primeira transexual com papel de destaque numa abertura na história dos Jogos, foi elogiada em muitos países.
Aeroportos
O Rio preparou-se para receber mais de 500 mil turistas, 11 mil atletas, 45 comitivas de chefes de Estado e mais de 30 mil jornalistas credenciados.
A maioria chegou pelos dois principais terminais aéreos internacionais, o Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), no Rio, e o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.
Segundo o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, somente entre 31 de julho e 6 de agosto, 595 mil pessoas passaram pelos dois aeroportos do Rio e 715 mil passaram por Guarulhos.
Apesar da demanda elevada e das filas na véspera dos Jogos, com o aumento da segurança, não houve caos aéreo, e a média de pontualidade dos voôs ficou em 95,6%, segundo o ministério.
Zika
A temida epidemia do vírus zika, que, entre os efeitos mais perversos, pode levar ao nascimento de bebês com microcefalia, foi apontada como uma das principais preocupações com os Jogos, e houve quem cancelou a vinda ao Rio por conta disso.
Governo e organizadores foram questionados quanto às medidas de prevenção, mas a Olimpíada ocorreu sem menção a casos de pessoas que tenham contraído o vírus ou adoecido durante as duas semanas.
Terrorismo
Nas semanas que antecederam os Jogos, o Brasil empreendeu operações antiterrorismo que chegaram a prender mais de dez pessoas suspeitas de atividades extremistas.
Além disso, ataques em outras partes do mundo, ameaças de extremistas ligados ao grupo autodenominado Estado Islâmico na internet, mochilas abandonadas e alarmes falsos elevaram o grau de tensão no Rio com relação à possibilidade de um ataque, o que não se concretizou.
Transportes
Apesar de algumas reclamações e problemas, metrô, ônibus (incluindo BRTs, os corredores expressos só para ônibus) e trens metropolitanos suportaram com razoável sucesso o aumento da demanda.
A combinação entre metrô, BRT e trem foi a grande responsável por movimentar o público pelas quatro regiões de competição.
No entanto, cariocas reclamaram dos congestionamentos, e, ao menos uma competição, as semifinais de 50 metros livre feminino da natação, foram adiadas em 20 minutos, porque um motorista se perdeu no caminho entre a Vila dos Atletas e o Parque Olímpico.
Boulevard Olímpico
Embora a programação cultural durante a Olimpíada tenha sido impactada pela crise econômica e atrações tenham sido cortadas, o Boulevard Olímpico, na renovada região portuária do Rio, tornou-se o grande local de aglomeração do público durante os Jogos, reunindo milhares de pessoas dia e noite para visitas a museus, shows e fotos diante da pira olímpica.
Imagem Internacional
A imprensa nacional e internacional ressaltaram aspectos negativos, como epidemia de zika, terrorismo, risco de assaltos e homicídios, crise econômica e política nos meses anteriores aos Jogos. Num artigo publicado no início de julho, o jornal The New York Times chegou a decretar que os Jogos do Rio eram um "desastre" e uma "catástrofe". Na metade da Olimpíada, publicou um editorial em que dizia que o megaevento era visto como um sucesso.
Apesar da mudança de tom em diferentes jornais internacionais, episódios de assaltos a estrangeiros e filas podem ter reforçado a visão de um país desorganizado e violento.
Sorrisos e lágrimas, ascendeu e apagou. Que saudade!
“A Cerimônia de Abertura das Olimpíadas seria um fracasso”. Isto mesmo, muitos brasileiros acreditaram neste insucesso e esse jornalista que hoje escreve essas poucas linhas, um pequeno resumo de 17 dias de jogos, defendeu insistentemente, não só a realização da Copa do Mundo de 2014 que foi um sucesso, bem como as Olimpíadas do Rio de Janeiro, um evento que de forma sobrenatural e marcante, cuja Pira Olímpica foi acesa dia 5 de agosto.
Muitos sorriram com as vitórias e ao mesmo também se emocionaram e outros ficaram tristes pelos resultados, pois sonhavam com outro objetivo. Como disse um dia, Pierre de Coubertin “o importante é sempre competir”. E assim, sempre acreditei no esporte olímpico e pude ver que muitos quiseram ir mais além de competir e dessa maneira superaram barreiras, quebraram recordes como o velocista jamaicano Usain Bolt e o nadador Michael Phelps e porque não citar, o mito da canoagem, o brasileiro Isaquias Queiroz, que foi o primeiro atleta a conquistar 3 medalhas em uma só edição dos Jogos Olímpicos e sem esquecer do inédito ouro no futebol, a consagração no vôlei masculino e tantas outras conquistas.
E como esquecer, a tristeza pela lesão do atleta francês, a queda da holandesa na bike, o desmaio do francês na maratona, o pé quebrado da americana socorrida pela neozelandesa para que pudesse completar a prova, além da grande mentira inventada pelo nadador americano Ryan Lochte e seus amigos.
Ao final, a chama olímpica se apagou e as minhas lágrimas caíram, não de dor, mas de saudade, de felicidade por ser brasileiro e ter tido a oportunidade de aos 46 anos de idade, assistir a Copa do Mundo em meu país e hoje, aos 48, ter compartilhado da mesma emoção com as Olimpíadas.
Foi um show que sempre sonhei como amante do esporte e do jornalismo esportivo e que ninguém, mais ninguém mesmo, pode prever se ainda neste século teremos outra oportunidade.
Talvez meus netos ou bisnetos possam também conhecer e sentir essa mesma emoção, porém, sei que jamais a verei novamente no Brasil. Tenho orgulho de escrever sobre esporte, pois sei que neste momento, muitos estão se dedicando a uma modalidade esportiva sem ao menos pensar que poderão ser nossos heróis no futuro. Também há aqueles que deixaram as drogas pelo caminho promissor do esporte.
Enfim, muito obrigado Brasil, independente de políticos e administradores corruptos – que cuidam das leis -, tenho orgulho de ser brasileiro e de saber que a melhor Olimpíada do mundo, foi realizada em meu país. E eu, daqui de Ituverava, agradeço a Deus por ter nos livrado de atentados terroristas que poderiam intimidar nosso povo e todas as nações que aqui se reuniram para prestigiar e competir neste grande evento.
O jornalista Nagib Miguel Neto é auditor do Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paulista de Futebol, treinador profissional de futebol, advogado e auditor municipal em Ituverava.