Palestra proferida na Vila Dignidade, por Samantha da Silva e CruzO predomínio de indivíduos com idade acima de 60 anos no Brasil tem aumentado em progressão significativa desde o século XX. Trata-se de uma nação envelhecida, ou seja, com uma proporção de indivíduos com 60 anos ou mais superior a 7%.
Desta maneira, existe uma situação de transição demográfica que se pode observar a diminuição das taxas de fecundidade e de mortalidade. Com o aumento da população idosa, torna-se relevante o conhecimento do profissional da saúde sobre os processos de envelhecimento fisiológico para identificar as alterações patológicas.
É o que alerta a enfermeira Samantha da Silva e Cruz, que é especialista em Gerontologia e Gestão da Assistência ao Idoso e mestranda em Atenção à Saúde.
Segundo ela, o comprometimento da capacidade funcional do idoso está relacionado a patologias na falta de autonomia, fatores sociais, econômicos, culturais e estilo de vida.
“A autonomia pode ser entendida, como um princípio ético, de uma forma de liberdade pessoal baseada no respeito por pessoas, assim os indivíduos têm o direito de determinar seu curso de vida, desde que este direito não infrinja a autonomia de outras pessoas”, explica.
“Para que a autonomia seja atingida, o idoso deve ser capaz de pensar racionalmente e se auto-gerenciar e tomar suas decisões. A autonomia inclui ainda liberdade de escolha, de ação e autocontrole sobre a vida”, ressalta.
Limitações físicas
Ainda de acordo com ela, para os idosos, a presença de uma limitação física representa risco para sua autonomia, principalmente quando esta limitação gera a dependência na realização das atividades da vida diária.
“Assim, compete aos profissionais de saúde que trabalham com esta população, a promoção da independência e da autonomia do idoso, atuando em conjunto com a família e comunidade visando ao envelhecimento sadio e com qualidade de vida satisfatória”, explica.
“Estes profissionais devem se preparar ainda mais em relação ao passado, pois, antes a morbidade era relacionada a doenças agudas e transmissíveis, diferentemente do modelo vivenciado nos dias atuais, com morbidade vislumbrada por doenças crônicas não transmissíveis”, enfatiza.
Função
Samantha explica que o papel do profissional de saúde pode ser destacado de acordo com seu grau de atuação, sendo hierarquizado, primeiramente, em dois níveis de atendimento principais: em âmbito hospitalar e em âmbito domiciliar, sendo, o primeiro em nível de Atendimento Hospitalar e o segundo em nível de Atenção Básica.
“Obviamente, estes dois profissionais distintos devem ser munidos de conhecimentos acerca de Políticas de Humanização para atendimento integral ao cliente, bem como conhecimento técnico-científico. Entretanto, cada nível de atenção poderá suprir as necessidades do idoso de acordo com sua abrangência de atuação”, explica.
“Em Atendimento Hospitalar, o idoso acometido, por exemplo, por imobilidade devido às conseqüências da iatrogenia, com fator agravante relacionado à insuficiência familiar, deverá ser acolhido pela equipe multiprofissional, passando por atendimento médico, cuidados de enfermagem, atendimento psicológico, avaliação nutricional, reabilitação com fisioterapeuta, entre outros. Este idoso deve ser atendido de maneira integral, entretanto será inspecionado, principalmente, quanto ao motivo principal que se deu sua internação, ou seja, queda com fratura, ferida infectada ou até mesmo complicações pós-cirúrgicas. Desta maneira, a equipe multiprofissional atuará para que se evite nova internação pelos mesmos motivos, mesmo que tenha dificuldades devido à insuficiência familiar, o que poderá ocorrer a qualquer momento”, observa Samantha.
Ainda de acordo com ela, o papel do profissional de saúde com o idoso com diversas condições de saúde é o de uma avaliação inicial para que este paciente, em especial, seja atendido em todas as suas dimensões biopsicossociais. “Para que o cuidado seja humanizado e holístico e para que seja atendido de maneira integral desde um curativo complexo até uma reabilitação domiciliar”, diz.
Cuidados
Logo, segundo Samantha, este idoso será encaminhado, com serviço de contra-referência, para a Unidade Básica de Saúde, a fim de dar continuidade no tratamento domiciliar, seja com cuidados diários ou apenas semanais.
“Em atendimento na Atenção Básica, o idoso acometido será avaliado integralmente, com o atendimento do médico de saúde da família, cuidados domiciliares de enfermagem, reabilitação com fisioterapeuta e os demais profissionais envolvidos. Contudo, neste tipo de atendimento, o idoso passará por uma Avaliação Multidimensional, a fim de investigar as suas condições individuais, funcional, cognitiva, afetiva, familiares, sociais e utilização de redes de suporte”, destaca.
“Neste momento serão detectados os principais problemas que levaram à internação por trás da fratura devido à queda, ou da ferida infectada e até mesmo por trás das complicações pós-cirúrgicas. O idoso demonstrará aspectos importantes que o levaram à internação e que podem ser evitados ou mesmo amenizados”, ressalta.
Problemas epidemiológicos
Para que a situação vivenciada possa ser descrita, deve-se observar, também, a distribuição dos problemas epidemiológicos, bem como sintetizar dados para o planejamento das ações e identificação dos fatores etiológicos das doenças.
“Assim, a epidemiologia do envelhecimento depende das causas de morbidade e de mortalidade, da capacidade funcional, do grau de independência e autonomia do idoso, da qualidade de vida, dos fatores de riscos, da organização da assistência à saúde e da situação econômica”, destaca.
“Integra-se uma saúde, hoje, direcionada à promoção da saúde e à prevenção de doenças, assim, deve-se existir uma adaptação no modelo de atenção à saúde para que as tecnologias apenas intensifiquem o cuidado à pessoa idosa e não sejam predominantes em relação à produção de comunicação e às relações de vínculos entre os profissionais e os idosos”, lembra.
Profissional
Samantha da Silva e Cruz, 26 anos, se formou em Enfermagem pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), se especializou em Gerontologia e Gestão da Assistência ao Idoso e faz mestrado em Atenção à Saúde pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). Ela é filha de José Pedro Cruz e Maria dos Reis Silva, e tem a irmã Fabiana da Silva e Cruz.
Ela trabalha como enfermeira da Unidade de Saúde da Família da Vila São Jorge e é professora na Fundação Educacional de Ituverava.
Seis passos para se tornar um Idoso saudável
Quem não quer uma velhice segura e livre de doenças? Se existisse uma receita infalível para isso, certamente ela já teria sido vendida e divulgada há muito tempo. Mas não, não há uma fórmula com garantia de eficácia e telefone de contato para reclamações futuras. O que existe, isso sim, são algumas dicas que podem ajudar na busca por qualidade de vida.
Genética, alimentação saudável e atividade física são fatores que estão na linha de frente para conquistar uma vida mais longeva. Além disso, pesquisadores, cada vez mais, apostam na fórmula de levar a vida mais leve e saber se relacionar como um trunfo para a uma boa velhice. O clichê “vive mais quem vive bem” está mais que em alta. Veja abaixo alguns itens para ficar de olho:
Genética
Ainda não se sabe exatamente o peso da genética na longevidade. Mas ela conta. Por isso, é bom saber como e com quantos anos morreram avós, bisavós e tataravós. De acordo com o geriatra Salo Buksman, a genética explica porque algumas pessoas consomem grodura e outros alimentos pouco saudáveis e continuam cheias de saúde por muitos anos.
Entenda: Por que é tão difícil chegar aos 100 anos?
O também geriatra Alessandro Campolina afirma que quem tem avós e pais longevos deve ter ainda mais empenho em se cuidar. “Essa informação é importante para quem tem uma genética favorável. Ter avós que viveram 90 anos pode ser um indicativo maior para se cuidar e chegar com saúde aos 100 anos”, disse.
Atividade Física
Este é o fator de envelhecimento saudável número um, já que para a genética é preciso contar com a sorte. Buksman afirma que o ideal é fazer atividades aeróbicas - como caminhada - e também as que fortaleçam a musculatura. “Além de fazer bem para a saúde, ajuda a manter a força muscular, o que evita quedas" diz.
Mova-se: 15 minutos diários de exercícios aumentam expectativa de vida A freqüência e a intensidade de atividade física variam de idade para idade. Antes dos 60 anos, a indicação é que a pessoa saudável não seja sedentária, que caminhe pelo menos 40 minutos por dia e faça semanalmente atividades que fortaleçam os músculos.
Depois disso, vale a máxima faça o quanto é bom para você. Mas nada de preguiça, hein? Velhinhos de 90 ou 100 anos devem percorrer algumas vezes um corredor, por exemplo, ou fazer uma série de três levantadas seguidas da cadeira. Já está mais que bom.
Atividade Mental
“É preciso se manter ativo socialmente, se sentir útil, senão a vida perde a graça”, diz Buksman. Para isto, ele afirma que vale cuidar dos netos, ser voluntário depois de se aposentar e principalmente criar, produzir algo novo. Se levarmos em conta que a expectativa de vida do brasileiro é atualmente de quase 80 anos, ainda há muita história pela frente quando se chega aos 60. Não é o caso de se manter inativo, sem nada para criar ou produzir.
Para evitar o envelhecimento acompanhado de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e mal de Parkinson, especialistas indicam exercícios mentais, como leitura, jogos de palavra cruzada, música. “Mas não é para fazer uma coisa ou outra, é preciso exercitar todas as funções cognitivas”, diz Paulo Camiz, geriatra do Hospital das Clínicas.
Dieta Saudável
Médicos afirmam que uma dieta pobre em gorduras prolonga a vida. A mais indicada é a dieta mediterrânea. Ao valorizar o consumo de peixe, frutas, verduras, legumes e cereais, e limitar o de carnes vermelhas e laticínios, a dieta evita os quilos extras que vêm com o envelhecimento e reduz os riscos de doenças cardiovasculares.
Moderação também é importante. ”Comer excessivamente também é ruim. É preciso evitar a obesidade, que desencadeia várias doenças: desde as no coração até as artroses, que limitam o idoso e fazem com que ele perca a autonomia”, afirma o geriatra Salo Buksman.
Controle rigoroso de doenças degenerativas
Os problemas cardiovasculares e o câncer são as doenças que mais matam no mundo. Além de cuidados com a alimentação e a prática de atividades física, hábitos como o álcool e o fumo também são fatores de risco. Alguns estudos até atribuem a maior longevidade das mulheres em relação aos homens por causa do menor consumo de álcool e cigarro. “Temos uma população grande que morre antes dos 80, 70 por causa destas doenças”, resume Buksman.
Vida emocional estável
Estudos mostram que ter uma boa vida em família tem relação com a longevidade. Ter um casamento estável, baseado em uma relação de muito amor e confiança é uma característica comum entre as pessoas longevas. Isto porque a maneira como lidamos com as emoções também conta para a longevidade. “As preocupações e os problemas da vida têm um peso alto na longevidade”, disse Marcelo Levites, médico de Família do Hospital 9 de Julho.
Sorria: Otimismo e riso trazem vida longa, diz estudo
Uma pesquisa recente mostrou que a solidão aumenta o risco de morte de idosos ainda mais que a obesidade. “Vemos que chegar a muitos anos de vida é uma conquista que tem relação muito forte entre a estabilidade no casamento, com a família, além da ausência de eventos de depressão", diz Buksman.