Usários devem ficar atentos às informações que circulam pela internetNão é preciso passar muito tempo online para se deparar com alguém compartilhando mentiras em redes sociais como se fossem verdades. No mundo virtual, tudo é muito rápido, o que naturalmente tem conseqüências negativas, como a reprodução de discursos sem verificação dos fatos.
Nos últimos meses, em meio ao processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, muitas mentiras se espalharem rapidamente. Algumas delas buscavam defendê-la e outras atacá-la. Depois do processo de impeachment, as mentiras continuaram se espalhando.
Em uma delas, foi dito que um empresário chinês se dirigiu ao presidente Michel Temer como “Mr. Fora Temer”. A piada, na verdade, foi do colunista e humorista José Simão, porém muita gente levou a sério.
Na internet, considere (ainda mais) a máxima: uma mentira viaja metade do mundo enquanto uma verdade ainda está calçando as botas. E, aí, não vale o clichê “mentira tem perna curta”.
Rumores
Uma pesquisa recente da Universidade de Warwick, na Inglaterra, analisou como 330 rumores – como um que cravava que o presidente russo Vladimir Putin teria sumido por 10 dias, em conseqüência de ter morrido ou ter sofrido um golpe militar – se espalharam pelo Twitter.
Com isso, descobriu-se que enquanto uma notícia verdadeira costuma demorar 2 horas para ser confirmada como tal, uma falsa leva 14 horas para ser desmentida; e que uma mentira tem, em média, mais compartilhamentos e curtidas do que uma verdade.
Detectar e checar verdades
Já outro estudo, da Universidade de Indiana, nos EUA, está desenvolvendo um software capaz de detectar e checar verdades e mentiras na web. Por enquanto, a pesquisa já chegou a um achado preocupante: usualmente, leva 13 horas entre uma notícia falsa ser divulgada e o seu esclarecimento.
O problema é que o embuste continua a circular por Facebook, Twitter e WhatsApp, em velocidade maior que o desmentido (como provaram os cientistas de Warwick). Ou seja, dificilmente a verdade irá se sobrepor.
Pesquisa demonstra como pessoas acreditam facilmente em mentiras
Em um estudo chamado On the reception and detection of pseudo-profound bullshit (Sobre a recepção e a detecção de bobagens pseudoprofundas, em tradução livre) cinco pesquisadores da Universidade de Waterloo, no Canadá, investigaram como “frases aparentemente impressionantes, apresentadas como verdadeiras e significativas, mas que na verdade são irrelevantes e vazias” são recebidas pelas pessoas.
Segundo, a conclusão do estudo é, no mínimo, intuitiva: quanto mais vulnerável à “falsa profundidade” você for, mais propenso estará a teorias conspiratórias e crenças paranormais. Também é provável que você seja pouco reflexivo e não tenha uma habilidade cognitiva lá muito alta.
Enquete
Para saber se os ituveravenses acreditam que as mentiras se espalham rapidamente pela internet e se costumam checar informações, a Tribuna foi às ruas nesta semana.
Escala de Receptividade de Bobagens
De acordo com Gordon Pennycook, o coordenador da pesquisa, o problema de possuir uma alta pontuação na Escala de Receptividade de Bobagens é quando esse grau de receptividade é pensado no contexto atual de propagação infinita de notícias e fatos em incontáveis mídias.
A falta de pensamento crítico pode tornar as pessoas presas fáceis para notícias falsas e, muito tranquilamente, torná-las cúmplices ao compartilhar coisas que não batem com a realidade. A era do conhecimento é também a era da bobagem.