Em telefonema interceptado, Maria Zuely Librandi diz ter pago R$ 2 milhões a Marco Antônio dos Santos (Foto: Reprodução/EPTV)22/09/2016 07h00 - Atualizado em 22/09/2016 08h08
Gaeco pede anulação da delação de advogada suspeita de pagar propina
Lista apreendida aponta que Maria Zuely Librandi mentiu ao depor, diz MP.
Defesa nega acordo e diz que documento foi produzido por outros suspeitos.
Adriano Oliveira
Do G1 Ribeirão e Franca
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Em áudio, Maria Zuely Librandi diz ter pago R$ 2 milhões em propina a Marco Antônio dos Santos (Foto: Reprodução/EPTV)
Em telefonema interceptado, Maria Zuely Librandi diz ter pago R$ 2 milhões a Marco Antônio dos Santos (Foto: Reprodução/EPTV)
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público entrou com uma representação na Justiça pedindo que o acordo preliminar de delação premiada da ex-advogada do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto (SP) Maria Zuely Alves Librandi não seja homologado.
Maria Zuely foi presa em 1º de setembro na Operação Sevandija, mas acabou sendo libertada nove dias depois, devido ao acordo de delação. Agora, a Promotoria quer que a advogada volte a ser presa, porque entende que ela oferece risco à investigação.
O advogado Luis Carlos Bento, que representa Maria Zuely, nega as acusações, afirmando que a cliente foi vítima do esquema, como já relatou à Polícia Federal (PF) e ao Gaeco.
Para o Gaeco, Maria Zuely mentiu em depoimento no dia 5 de setembro, quando disse que foi extorquida e pagava propina a agentes públicos, entre eles a prefeita Dárcy Vera (PSD), para que pudesse receber os honorários advocatícios de uma ação movida contra a Prefeitura em nome de servidores municipais.
Entretanto, um documento apreendido no último dia 14, no escritório do atual advogado do Sindicato, Sandro Rovani da Silveira Neto, preso na Operação Sevandija, aponta que, na verdade, houve um acerto entre as partes, muito antes de a decisão judicial ser firmada.
O material indica um suposto rateio do valor total dos honorários, cerca de R$ 69,9 milhões, entre a advogada, a prefeita Dárcy, o então secretário de Administração, Marco Antônio dos Santos e o Sindicato dos Servidores.
A investigação
A partir de interceptações telefônicas e apreensão de documentos, o MP e a Polícia Federal identificaram o esquema de corrupção envolvendo o pagamento dos honorários referentes a uma sentença popularmente chamada de "acordo dos 28%" – um processo movido pelo Sindicato contra a Prefeitura exigindo a reposição de perdas salariais do Plano Collor.
Inicialmente, a suspeita era de que agentes públicos responsáveis por liberar os pagamentos do acordo judicial exigiam que Maria Zuely, que representou os servidores municipais na ação, pagasse propina para receber os valores que lhe eram devidos.
Entretanto, a partir dos novos documentos apreendidos, a linha de investigação foi alterada. Agora, o Gaeco suspeita que o acordo judicial só ocorreu porque as partes envolvidas fizeram um acerto prévio, dividindo o valor total dos honorários que seriam recebidos por Maria Zuely.
A Promotoria também não descarta a participação do presidente afastado do Sindicato dos Servidores Municipais, Wagner Rodrigues (PC do B), que atualmente é candidato a prefeito de Ribeirão, no suposto esquema de corrupção.
Isso porque, para homologar a sentença, a Justiça exigiu a realização de uma assembleia, onde os servidores sindicalizados votariam a proposta do acordo. Para o Gaeco, Rodrigues pode ter influenciado a decisão dos trabalhadores.
Rateio antecipado
Também teria participado do rateio, segundo o Gaeco, o escritório Soares Hentz Advogados, contratado por Maria Zuely para defendê-la em outra ação, em que reivindicava o direito de receber os honorários, uma vez que já tinha deixado de representar o Sindicato.
Em 5 de janeiro de 2009, a advogada deixou a entidade porque foi nomeada assistente do secretário da Casa Civil de Ribeirão Preto, conforme consta no Diário Oficial do Município publicado em 16 de janeiro daquele ano.
O advogado André Soares Hentz, que defendeu Maria Zuely no caso, foi um dos alvos de mandado de condução coercitiva na Operação Sevandija, em 1º de setembro.
Segundo o MP, ele afirmou que foi procurado pela ex-advogada do Sindicato, após a celebração do acordo judicial, alegando que precisaria dele para fazer "acertos que garantiriam que ela continuasse a receber os honorários".
Fonte: g1.globo.com