POLϿ�TICA

No destaque a prefeita eleita Adriana Quireza Jacob Lima Machado
07/11/2016

MULHERES FORAM ELEITAS EM SÓ 12% DAS PREFEITURAS DO PAÍS


A representividade feminina na política permanece muito baixa

No domingo, dia 30, foi o segundo turno das eleições para a prefeitura de 57 municípios brasileiros. Dentre os mais de cem candidatos em disputa, oito mulheres pleiteavam o cargo – e apenas uma saiu vencedora, Raquel Lyra (PSDB), na cidade pernambucana de Caruaru. As capitais Florianópolis e Campo Grande eram as únicas com candidatas no segundo turno, mas Ângela Amin (PP) e Rose Modesto (PSDB) acabaram derrotadas. Com o resultado, a única capital a ser governada por uma mulher continuará a ser Boa Vista, com a prefeita reeleita em primeiro turno Teresa Surita (PMDB).

No Brasil são 5,6 mil municípios, que passam a ser governados por 638 prefeitas a partir do ano que vem. É o caso de Ituverava, que no mês passado elegeu a primeira mulher da história que vai governar o município, Adriana Quireza Jacob Lima Machado, que obteve 10.911 votos, o que corresponde a 52,16% dos votos válidos.

As candidaturas femininas também foram minoria, com pouco mais de 30% de candidatas mulheres – sendo que lei de 2009 determina que cada partido tenha, no máximo, 70% dos candidatos do mesmo sexo. Nas capitais, haviam 36 mulheres em disputa no início das eleições. Ao todo, foram 2.105 mulheres candidatas, contra 14.418 candidaturas masculinas.

Balanço Geral
Ao todo, 2.105 mulheres concorriam aos cargos de prefeitas em todo o Brasil nas eleições deste ano - outras 2.988 concorriam como candidatas a vice-prefeita. Entre as vereadoras, 153.315 candidatas tentavam o Legislativo municipal.

Em 52 municípios brasileiros houve somente mulheres como candidatas à prefeitura. Em contrapartida, em 3.815 dos 5.570 municípios havia apenas homens concorrendo - no caso das 93 grandes cidades, em 36 delas.

Pouca representatividade
Nas grandes cidades brasileiras – grupo que compreende as capitais e os municípios com mais de 200 mil eleitores –, três mulheres se elegeram. Além de Raquel Lyra e Teresa Surita, em Pelotas venceu Paula Mascarenhas (PSDB). 93 municípios compõem esse grupo de grandes cidades, sendo que 57 delas contaram com candidaturas femininas. Em São Luís, Rio de Janeiro, Olinda, Montes Claros, Juiz de Fora e Florianópolis, o número chegou a três candidaturas femininas.

Os partidos que mais lançaram mulheres candidatas têm pouca representatividade – os líderes do ranking são PSOL, com 18 candidatas, e PSTU, com 14.

Do total de municípios brasileiros, 68% tiveram eleições disputadas apenas por homens. Em 52 municípios, o contrário ocorreu. É o caso da pequena Ribeirão Vermelho, em Minas Gerais, em que os menos de quatro mil votos do município foram disputados por duas mulheres, Delma Batista de Souza (PT) e Ana Rosa Mendonça (PSD), eleita com quase 67,7% dos votos. A cidade é a única dos 853 municípios de Minas Gerais a ter o cargo disputado apenas por mulheres.

Baixa Precença
A baixa presença de mulheres na política, expressa pelos resultados das eleições municipais, contrasta com o eleitorado: dos 75 milhões de eleitores brasileiros, 52% são mulheres.

Com tão pouca representatividade – que se repete não apenas nos cargos executivos mas também no Legislativo, com 12% dos cargos ocupados por mulheres –, fica difícil que os interesses femininos sejam defendidos por seus representantes.

Apenas três mulheres são eleitas nas grandes cidades em 2016
Apenas três mulheres foram eleitas prefeitas nas grandes cidades brasileiras - grupo que compreende as capitais e cidades com mais de 200 mil eleitores, onde há a possibilidade de segundo turno. Boa Vista (RR), Pelotas (RS) e Caruaru (PE) elegeram mulheres neste ano.

No total, 57 das 93 cidades tiveram candidatas mulheres nas eleições municipais de 2016. Em São Luís, Rio de Janeiro, Olinda, Montes Claros, Juiz de Fora e Florianópolis, o número chegou a três candidaturas femininas.

Desses 57 municípios, dois elegeram prefeitas mulheres já no primeiro turno: Boa Vista (RR), que elegeu Teresa Surita, do PMDB, pela quinta vez, e Pelotas (RS), onde a tucana Paula Mascarenhas foi a primeira prefeita eleita na história da cidade.

Teresa Surita, ex-mulher do senador Romero Jucá (PMDB-RR), também era a única mulher eleita no primeiro turno em 2012.

Seis mulheres disputaram o segundo turno das eleições deste domingo (30) nas cidades de Campo Grande (MS), Florianópolis (SC), Juiz de Fora (MG), Caruaru (PE), Canoas (RS) e Guarujá (SP). Apenas uma, no entanto, se elegeu: a tucana Raquel Lyra, primeira mulher eleita em Caruaru, que disputou o pleito com Tony Gel (PMDB).

Proporção de vereadoras eleitas se mantém após quatro anos
A proporção de mulheres eleitas para o cargo de vereador se manteve entre as eleições de 2012 e de 2016, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Neste ano, 13,5% dos vereadores eleitos são mulheres – ou 7,8 mil de 57,8 mil candidatos. Há quatro anos, o percentual foi de 13,3% – 7,7 mil de 57,4 mil candidatos.

Em Ituverava, foram eleitas duas mulheres: Andréa Yamada e Ana Paula Yanosteac Rodrigues Mário. Com isso, a cidade mantém o mesmo número de mulheres desta legislatura, que são Taís Elena de Paula e Yara Maria Sandoval Terra Sampaio.