O machismo ainda é um dos maiores obstáculos para as mulheres no mercado de trabalhoApesar das mulheres se destacarem no mundo da política, como por exemplo o Brasil ter eleito a primeira mulher da história, a presidente do Supremo Tribunal Federal é a ministra Cérmem Lícia, Ituverava também elegeu a primeira prefeita da história, além de muitas outras mulheres que estão no comando de vários países do mundo, o machismo ainda é um dos maiores obstáculos para as mulheres no mercado de trabalho.
Pesquisa do Data Popular aponta que 78% dos homens avaliam como normal a mulher parra de trabalhar para cuidar da família. Por outro lado, 54% dos homens sentem vergonha de uma pessoa do sexo masculino deixar o mercado formal para cuidar dos filhos e do lar.
Segundo o Data Popular, apesar de as mulheres ganharem destaque no mundo corporativo, na maioria das companhias ainda existe uma cultura de machismo que impera nas relações de trabalho.
Conforme a entidade, isso fica claro na medida que as diferenças salariais entre os sexos masculino e feminino são maiores de acordo com o nível de renda. “Nas classes A e B a diferença no contracheque entre homens e mulheres que ocupam o mesmo cargo é maior do nos extratos populacionais C e D”, destaca a entidade.
Equidade
Para piorar a situação, a pesquisa do Data Popular indica que um terço dos homens acha constrangedor ser chefiado por uma mulher. Apesar das disparidades, o instituto destaca que esse assunto começa a deixar de ser um tabu nas empresas e nas universidades para que mudanças na cultura das organizações possam criar uma equidade entre homens e mulheres no mercado de trabalho.
“Isso precisa mudar, uma vez que não há uma justificativa para que existam essas diferenças salariais. A cultura do machismo é grande e precisa ser desmistificada”, ressalta.
Hoje entidades e associações trabalham para conquistar a equidade entre homens e mulheres em cargos de destaque no quadro de funcionários. Porém, esse objetivo ainda parece distante. É o que sustenta Sofia Esteves, presidente e fundadora do Grupo DMRH.
“A discriminação ainda aparece sobretudo em ambientes mais formais, em que a hierarquia cumpre um papel central na rotina da empresa”, diz a executiva.
A boa notícia, segundo Sofia, é que esse tipo de postura está se tornando inviável num mundo cada vez mais exigente por resultados. Ela explica que, além da evolução cultural trazida pelas últimas décadas, a própria pressão por produtividade tira a atenção sobre o gênero do profissional. “Homem? Mulher? No fim, o importante é a entrega”, afirma.
Ainda assim, resquícios do machismo são perceptíveis em alguns ambientes. Veja a seguir alguns exemplos trazidos pela executiva:
Enquete
Para saber o que a população pensa a respeito do machismo no trabalho, a Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana. A maioria dos entrevistados acredita que ainda há muita desigualdade entre os dois gêneros.
Mais “patrulha” sobre a vida pessoal
Segundo Sofia, presta-se mais atenção ao horário de saída da mulher, e frases como “Puxa, já vai?”, surgem com mais frequência. Isso porque as pessoas observam, julgam e comentam mais a intimidade delas.
O mesmo vale para encontros sociais como os happy hours, dominados pelos homens e pelas mulheres mais jovens, na opinião da executiva. “Se uma colaboradora mais velha resolve tomar cerveja com o grupo depois do expediente, isso certamente será notado pelos colegas”, afirma.
Descrédito quando se expressa emoção
“Culpar a TPM sempre é o caminho mais fácil para não ouvir a mulher”, diz Sofia. Rotulada como emotiva ou passional demais, a mulher pode ser desconsiderada por suas opiniões ou reações no ambiente de trabalho.
Pelo mesmo motivo, é muito comum confundir assertividade com agressividade. “Mulheres que expõem seus pontos de vista com firmeza são taxadas de intransigentes ou difíceis”, comenta a executiva.
Maior exigência por comprometimento
Embora a pressão por resultados exista para todos, a mulher frequentemente se sente mais compelida a ter um bom desempenho e provar suas competências.
“Elas geralmente são mais aplicadas, minuciosas e preocupadas com os prazos, o que advém tanto de expectativas próprias quanto do ambiente externo”, diz Sofia.
Linguagem mais contida
De acordo com Sofia, profissionais do gênero feminino geralmente são mais ponderadas ao assumir posições no trabalho.“Elas pensam bem mais antes de fazer afirmações categóricas”, afirma a executiva. Assim, expressões como “eu acho” e “talvez” aparecem mais vezes na fala da mulher.
Elogios “paternalistas”
É claro que ser cumprimentado por uma tarefa bem executada satisfaz qualquer pessoa. O problema, para Sofia, é quando há uma ironia sutil nos parabéns.
“Em alguns casos, é perceptível a insinuação de que o ‘projeto bem-feitinho’ é assim graças ao capricho da mulher e não à sua competência”, diz a executiva.