ENQUETES

19/12/2016

EDIÇÃO - 3210 ONU DESEJA ACABAR COM A EPIDEMIA DE AIDS ATÉ 2030


No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, doença faz 5,6 vítimas fatais a ada 100 mil habitantes

Dezembro é o mês escolhido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para alertar e prevenir sobre os perigos da Aids. A campanha, chamada de “Dezembro Vermelho”, busca combater a epidemia da doença, que já atinge 33 milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo estudos de especialistas, 2,5 milhões de pessoas, anualmente, contraem o vírus HIV, vírus responsável pela doença.

Em meio às notícias ruins, no entanto, uma chama a atenção: a ONU (Organização das Nações Unidas) anunciou que busca acabar com a epidemia mundial de Aids até o ano de 2030. Para isso, tem desenvolvido diversas ações, inclusive com apoio de associações, entidades e cientistas.

Outro aspecto positivo é que existe uma tecnologia da medicina reprodutiva permite que doenças virais, como a Aids e as Hepatites B e C, não sejam transmitidas para filhos ou parceiros não infectados. A técnica, chamada lavagem seminal, centrifuga e filtra o sêmen, isolando os espermatozoides não contaminados do restante do líquido seminal, o que possibilita que os espermatozoides sadios sejam utilizados em procedimentos de reprodução assistida, sem risco de contaminação.

Técnica já utilizada
De acordo com o médico Paulo Serafini, especialista em reprodução humana e sócio-diretor do Grupo Huntington, apesar de parecer recente, essa técnica já é utilizada há 15 anos e possibilita a gravidez sem que existam riscos de contaminação para a mulher ou o bebê. “Apesar do procedimento não ser recente, poucos sabem de sua existência e até se surpreendem com a possibilidade. É uma oportunidade aos casais que têm o sonho de construir uma família saudável”, diz.

Os casos mais comuns são os de homens infectados, mas com parceiras sadias. Porém, há casos onde o casal tem a doença, mas o estado clínico de saúde da mulher é o principal. Se a carga viral positiva for baixa em ambos e as condições clínicas da mulher forem satisfatórias, há possibilidade de que o vírus não seja transmitido ao bebê e o tratamento é realizado. “Enquanto a quantidade de vírus não for reduzida com os medicamentos disponíveis, as técnicas de reprodução assistida são contraindicadas”, ressaltou o médico.

Luta contra a Aids
O Brasil registra mais de 540 mil casos de Aids desde o início da década de 1980. Desses, cerca de 179 mil se concentram no Estado de São Paulo. Mais de 217 mil brasileiros morreram em decorrência da doença no mesmo período. De acordo com a Unaids (Unidade de Pesquisa de Vacinas Anti-HIV), o número de casos notificados em mulheres vem aumentando nos últimos anos. Para aproximadamente dois casos notificados em homens, é notificado um em mulher.

Entre os homens, 45% dos casos notificados são de transmissão heterossexual. Para as mulheres, esse percentual é de 97%. Cerca de 50% dos casos se referem às pessoas sem escolaridade ou que não completaram o ensino fundamental. Para tentar reduzir esses números, foi criado o Dia Internacional de Luta contra a Aids, celebrado no dia 1º de dezembro e a campanha “Dezembro Vermelho”.

Brasil registra 5,6 óbitos por Aids a cada 100 mil habitantes
O Brasil chegou aos 35 anos de epidemia de HIV e Aids em 2016 diante de vários dilemas. O país perdeu o pioneirismo mundial no enfrentamento da doença, está na contramão da tendência global de queda do número de infecções pelo HIV (entre os jovens, sobretudo, a tendência no Brasil é de crescimento) e está estagnado nas campanhas de prevenção.

O país está perdendo a batalha contra dois dos principais indicadores de Aids: o número de novos casos e as mortes pela doença. Dados divulgados no dia 30 de novembro, pelo Ministério da Saúde, mostram que as taxas registradas no ano passado de infecções e de óbitos são praticamente as mesmas relatadas há dez anos. É como se todo o avanço científico nesse período não tivesse trazido benefícios ao País.

As taxas de mortalidade cresceram nas Regiões Norte e Nordeste e caíram no Sudeste, entre 2005 e 2015. Como consequência, a estatística nacional fica inalterada. São 5,6 óbitos a cada 100 mil habitantes.

Diagnóstico Antecipado
Uma das estratégias do governo para reverter esse quadro é tentar antecipar o diagnóstico e o início do tratamento de pacientes. Atualmente, cerca de 112 mil pessoas no Brasil vivem com o HIV e desconhecem essa condição. Pelos cálculos do Ministério da Saúde, outras 260 mil sabem que têm o vírus, mas não querem iniciar o tratamento.

Para tentar conter esse avanço, o Brasil vai implementar no primeiro semestre de 2017 o uso de antirretrovirais entre pessoas saudáveis, como forma de evitar a contaminação pelo HIV. Batizada de Terapia Pré-Exposição (PREP), a estratégia está prevista para ser implementada em todas as capitais e ficará restrita à parcela da população considerada mais vulnerável à contaminação: homens que fazem sexo com homens, travestis, profissionais do sexo e casais em que apenas um dos parceiros tem HIV.

Descuido
Uma pesquisa do Ministério da Saúde apontou um contraste entre o conhecimento e prática quando o assunto é prevenção da Aids. O levantamento com 12 mil pessoas mostrou que 94% dos brasileiros sabem que a camisinha é a melhor forma de prevenir doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids. Mas 45% dos entrevistados assumem não terem usado preservativos nas relações sexuais casuais nos últimos 12 meses.

Por ano, 12 mil brasileiros morrem por consequências da doença. O grupo que mais preocupa é o de jovens entre 15 e 24 anos, faixa etária em que o número de pessoas diagnosticadas com a doença tem aumentado. Em sete anos, o crescimento foi de 40%. Um dos argumentos para esse crescimento é o aumento no número de parceiros, um grau menor de proteção e desconhecimento dos reais perigos da doença.

“Os mais jovens não viram o efeito devastador da doença em personalidades ou em pessoas próximas. É uma geração que iniciou a vida sexual sabendo que existe a possibilidade de tratamento, que, inclusive, é fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), gratuitamente. Porém, estes jovens desconhecem os efeitos adversos da terapia antirretroviral. O fundamental mesmo é praticar a prevenção", reforça a infectologista da rede de centros médicos Dr. Consulta, Lilian Mitiko Ouki.

A médica alerta ainda sobre a preocupação com a população acima de 60 anos, que já há alguns anos está mais sexualmente ativa e, muitas vezes, se descuida na prevenção e não faz o exame anualmente.

Enquete
Para saber se a população acredita que a epidemia da Aids terminará até 2030, a Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana.

Confira as respostas: