Vacina contra a febre amarela tem sido bastante procuradaO Ministério da Saúde confirmou oito mortes causadas por febre amarela em Minas Gerais e admite um surto da doença. Já foram notificados 206 casos suspeitos da doença em 29 cidades de Minas.
A doença estava erradicada em cidades há 75 anos e a principal maneira de preveni-la é através da vacinação, disponível na rede pública de saúde.
Em Ituverava, a vacina está disponível nos Postos de Saúde, para as pessoas que realmente tenham a necessidade de se vacinar, ou seja, que fazem parte do público-alvo. “É fundamental, no entanto, que a pessoa leve a sua Carteira de Vacinação, para que possamos verificar a real necessidade da aplicação da vacina”, comenta a coordenadora das campanhas de vacinação em Ituverava, a enfermeira Ione Márcia Mendonça de Castro.
Apesar de a febre amarela não ser registrada em meios urbanos desde 1942 no Brasil, o vírus nunca deixou de circular nas matas. Transmitida por mosquitos silvestres, periodicamente a doença causa problemas.
A vacina é uma importante ferramenta contra a febre amarela e recomenda-se que moradores de municípios em o vírus esteja circulando devam ser vacinados assim como quem visitar esses lugares, devam se imunizar 10 dias antes de viajar.
Não devem tomar a vacina: grávidas, crianças com menos de seis meses, alérgicos a ovos e pessoas que vivem em áreas sem registro do vírus. Pessoas com mais de 60 anos devem consultar um médico antes de se vacinar:
Mortes
Das oito pessoas que morreram por febre amarela em Minas Gerais, quatro tiveram exames confirmados para a forma silvestre da doença. Os outros, apesar de terem exame biomolecular positivo para a febre amarela, ainda precisam de investigações para confirmação da origem. Minas também registra mais 45 mortes suspeitas de febre amarela.
Ao todo, foram notificados 206 casos suspeitos da doença em 29 cidades do Estado. Municípios do Espírito Santo próximos a Minas Gerais também registraram suspeitas: seis notificações em quatro cidades. Com estes casos, o Estado, que não tinha recomendação de imunização para a doença, passou a vacinar a população de 26 municípios como medida de prevenção.
“Temos um surto em Minas e consideramos a situação sob controle. O Ministério da Saúde tem vacinas no estoque para distribuir, a vigilância é qualificada e os municípios cooperam. Não temos nenhuma situação de ter que socorrer os Estados com mais do que vacina”, disse o ministro da Saúde, Ricardo Barros.
Segundo Eduardo Hage, diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério, os casos suspeitos são notificados quando o paciente apresenta os sintomas da doença, mas ainda não fez exames. “Eles podem apresentar um quadro clínico de febre amarela, mas também semelhante a outras doenças, como a hepatite viral ou mesmo dengue”, comparou.
Os óbitos suspeitos ainda passam por exames para verificar se a doença foi provocada pelo vírus silvestre ou pela vacina, que, embora seja um evento muito raro, pode provocar a doença em pessoas com imunidade muito baixa. “Embora seja um evento raro, um caso para 400 mil ou 1 milhão, quando ocorre, o quadro clínico é muito semelhante ao de febre amarela vacinal e silvestre. Isso está sendo verificado”, disse Hage.
Vacinação
A população de 14 municípios do Estado do Rio de Janeiro também deve tomar a vacina contra a febre amarela. A Bahia, que já está na área com recomendação para a vacina, também intensificará as ações de vacinação na região próxima à divisa com Minas. Ao todo, o ministério enviou reforços de 1,6 milhão de doses de vacinas para Minas Gerais, 500 mil para o Espírito Santo, 350 mil para o Rio de Janeiro e 400 mil para a Bahia. Todo o Estado de Minas faz parte da área de recomendação da vacina da febre amarela.
Região
No início deste ano a Prefeitura de Ribeirão Preto confirmou que um homem de 52 anos morreu por febre amarela no último dia 26 de dezembro.
A confirmação da morte, primeira no interior de São Paulo desde 2009, associada a mais de 100 casos suspeitos, incluindo mortes em Minas Gerais, levantou um alerta em todo o país. Em Franca, isso não é diferente em Franca. Somente entre novembro e dezembro, de acordo com dados da Vigilância Epidemiológica, 2,6 mil pessoas foram vacinadas contra a doença na cidade. Recentemente a cidade anunciou que está em alerta contra a febre amarela.
Saiba mais sobre a doença
A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, causada por um arbovírus (vírus transmitido por insetos), que pode levar à morte em cerca de uma semana se não for tratada rapidamente.
No Brasil, desde 1942 só são registrados casos silvestres da doença, ou seja, cujo vírus é transmitido pelos mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que têm os macacos como principais hospedeiros. Nestas situações, os casos humanos ocorrem quando uma pessoa não vacinada circula em uma área silvestre e é picada por mosquito que foi contaminado por macacos.
Na febre amarela urbana, o vírus é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti ao homem, mas esta não é registrada no Brasil desde 1942, quando houve um caso no Acre.
A doença não é contagiosa, ou seja, não há transmissão de pessoa a pessoa. É transmitida somente pela picada de mosquitos infectados com o vírus.
Em 2015, foram registrados nove casos de febre amarela silvestre em todo o Brasil, seis em Goiás, dois no Pará e um em Mato Grosso do Sul, com cinco óbitos. Em 2016, foram confirmados sete casos da doença, nos Estados de Goiás (3), São Paulo (2) e Amazonas (2), sendo que cinco deles levaram a óbito.
Sintomas
Os sintomas iniciais são febre de início súbito, calafrios, dor de cabeça, dores nas costas, dores no corpo em geral, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. Em casos graves, a pessoa pode desenvolver febre alta, icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos), hemorragia e, eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos. Cerca de 20% a 50% das pessoas que desenvolvem doença grave podem morrer.
Imunização
Desde junho de 2016 a Organização Mundial da Saúde considera que com apenas uma dose da vacina já se adquire proteção contra a doença, porém, no Brasil o Ministério da Saúde prevê uma dose e um reforço no calendário de vacinação em esquemas que dependem da idade. Quem já tomou a dose e o reforço pode se considerar imunizado e não precisa mais recorrer aos postos de saúde.
Quem foi vacinado há mais de 10 anos precisa de nova dose?
Apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmar que apenas uma dose da vacina da febre amarela é suficiente para proteger contra a doença por toda a vida, o Ministério da Saúde continua a indicar duas doses. A medida vale para quem mora nas áreas de recomendação e para quem vai viajar para elas — fica de fora apenas a faixa litorânea do país, incluindo o Rio de Janeiro.
Especialistas brasileiros consideram que a imunização em duas doses é uma estratégia de prudência. Pela recomendação do ministério, a primeira dose garante proteção por dez anos. Mas, para uma imunização definitiva, para toda a vida, é preciso aplicar uma segunda dose, de reforço.
“Garantir que uma dose só imuniza por toda a vida é um pouco arriscado”, diz Reinaldo de Menezes Martins, consultor científico sênior de Biomanguinhos/Fiocruz, instituição que produz a vacina no país.
No Brasil, onde há a doença de forma endêmica, é melhor ser mais prudente. A recomendação no país já foi tomar a vacina de dez em dez anos ao longo de toda a vida, mas comprovamos que isso é um exagero. No entanto, se vai continuar sendo dada em duas doses ou se passará para somente uma dose, isso vai depender de novas pesquisas científicas feitas nos próximos anos.
A OMS alega ter realizado uma revisão de estudos que mostram a eficácia de apenas uma dose, mas, segundo Martins, existem estudos brasileiros localizados que evidenciam o contrário.
“Não estou dizendo que a decisão da OMS é errada, mas optamos por ser mais cautelosos”, pontua ele.
Publicidade
Atualmente, dentro das áreas de recomendação no Brasil, a política é que as crianças sejam imunizadas aos 9 meses de idade e tomem uma segunda dose aos 4 anos. Quem toma a primeira dose depois dos 5 anos deve tomar um refor0ço após dez anos.
Em nota, o Ministério da Saúde justifica as duas doses como uma medida extra de segurança. “O esquema adotado pelo Ministério da Saúde de manter a dose de reforço é uma medida a mais de segurança para evitar a transmissão da doença, visto que não há estudos locais que comprovem a eficácia de apenas uma dose na população brasileira, até o momento”, diz a nota.