Lavrador de 36 anos morreu por febre amarela na zona rural de BatataisA Secretaria da Saúde de São Paulo confirmou dia 23, a morte de um trabalhador rural de 36 anos, vítima de febre amarela, na cidade Batatais. Ele foi internado na Santa Casa da cidade dia 7 de janeiro e morreu no dia seguinte.
Esta é a segunda morte em decorrência da doença no período de dois meses na região de Ribeirão Preto. Um homem de 52 anos, que morreu em 26 de dezembro do ano passado em Ribeirão, também havia sido diagnosticado com febre amarela.
A morte do lavrador de Batatais se soma a outros dois óbitos registrados este ano no Estado de São Paulo. Um dos casos foi importado de Minas Gerais, com a notificação ocorrida em Santana de Parnaíba. Outra confirmação ocorreu em Américo Brasiliense.
A Secretaria Estadual de Saúde investiga ainda outros dez casos de febre amarela silvestre em pessoas que estiveram em Minas Gerais. Desse total, três pacientes morreram. Em 2016, foram confirmadas duas mortes em decorrência da doença - uma delas em Ribeirão Preto. A pasta informou ainda que recebeu 1,7 milhão de doses da vacina do Ministério da Saúde no último semestre de 2016, e mais de 400 mil em janeiro desse ano.
Até 16 de janeiro, foram confirmados 24 casos de adoecimento ou mortes de macacos por febre amarela. Na região, foram ao menos cinco mortes: dois em Jaboticabal, dois em Ribeirão e um em Monte Alto.
Ituverava
Em Ituverava, a vacina está disponível nos Postos de Saúde, para as pessoas que tenham a necessidade de se vacinar, ou seja, que estão com o calendário atrasado. Inclusive, a Carteira de Vacinação precisa ser levada aos postos de saúde, para que os profissionais possam constatar a necessidade da vacina.
O esquema vacinal da febre amarela são duas doses, tanto para adultos quanto para crianças. As crianças devem receber as vacinas aos 9 meses e aos 4 anos. Assim, a proteção está garantida para o resto da vida. Para quem não tomou as doses na infância, a orientação é tomar uma dose e um reforço dez anos depois da primeira.
Secretário de Saúde
Em entrevista concedida à Tribuna de Ituverava, o secretário municipal de Saúde, Alcides Antônio Maciel Júnior tranquiliza a população e fala sobre a doença. "A febre amarela é uma doença que estava praticamente extinta no Brasil há 30 anos, porque é transmitida por um mosquito chamado haemagogus, mas também acredita-se que ela seja transmitida pelo Aedes aegypti. No entanto, com a vacina já existe há mais de 50 anos, então praticamente todas as pessoas do Estado de São Paulo já foram imunizadas. Lembro que em 1997, quando eu era secretário da Saúde, promovemos uma vacinação para todas as pessoas que ainda não haviam sido imunizadas em Ituverava”, afirma.
“A vacinação é aplicada a cada dez anos e acredita-se que se a pessoa tomar uma dose, ela não precisará de mais nenhuma pelo resto da vida. A gente só faz o reforço para as pessoas que viajarão para zonas endêmicas”, ressalta.
Ainda de acordo com Alcidão, hoje a endemia no Sul da Bahia, Espírito Santo e leste de Minas Gerais é da doença silvestre, ou seja, aquela que se pega em fazendas e matas. “Se a pessoa não for viajar para essas regiões, não há a necessidade de tomar a vacina. Também é bom lembrar que algumas pessoas não podem tomar a vacina, como portadores de HIV e que faz uso de alguns tipos de medicamentos, como os imunobiológicos contra reumatismo e câncer. A vacina também não deve ser aplicada em gestantes e pessoas maiores de 60 anos. Os postos de saúde têm doses suficientes para atender a todos e não há a necessidade de desespero ou de correr para os postos de saúde”, completa o secretário de Saúde, Alcides Antônio Maciel Júnior.
Sintomas da febre amarela
A febre amarela é uma doença infecciosa grave, causada por vírus e transmitida por vetores.
Geralmente, quem contrai este vírus não chega a apresentar sintomas ou os mesmos são muito fracos. As primeiras manifestações da doença são repentinas: febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias.
A forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias), quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço intenso. A maioria dos infectados se recupera bem e adquire imunização permanente contra a febre amarela.
Transmissão
A febre amarela ocorre nas Américas do Sul e Central, além de em alguns países da África e é transmitida por mosquitos em áreas urbanas ou silvestres. Sua manifestação é idêntica em ambos os casos de transmissão, pois o vírus e a evolução clínica são os mesmos — a diferença está apenas nos transmissores.
No ciclo silvestre, em áreas florestais, o vetor da febre amarela é principalmente o mosquito Haemagogus. Já no meio urbano, a transmissão se dá através do mosquito Aedes aegypti (o mesmo da dengue). A infecção acontece quando uma pessoa que nunca tenha contraído a febre amarela ou tomado a vacina contra ela circula em áreas florestais e é picada por um mosquito infectado.
Ao contrair a doença, a pessoa pode se tornar fonte de infecção para o Aedes aegypti no meio urbano. Além do homem, a infecção pelo vírus também pode acometer outros vertebrados. Os macacos podem desenvolver a febre amarela silvestre de forma inaparente, mas ter a quantidade de vírus suficiente para infectar mosquitos. Uma pessoa não transmite a doença diretamente para outra.
Prevenção
Como a transmissão urbana da febre amarela só é possível através da picada de mosquitos Aedes aegypti, a prevenção da doença deve ser feita evitando sua disseminação. Os mosquitos criam-se na água e proliferam-se dentro dos domicílios e suas adjacências. Qualquer recipiente como caixas dágua, latas e pneus contendo água limpa são ambientes ideais para que a fêmea do mosquito ponha seus ovos, de onde nascerão larvas que, após desenvolverem-se na água, se tornarão novos mosquitos.
Portanto, deve-se evitar o acúmulo de água parada em recipientes destampados. Para eliminar o mosquito adulto, em caso de epidemia de dengue ou febre amarela, deve-se fazer a aplicação de inseticida através do "fumacê”. Além disso, devem ser tomadas medidas de proteção individual, como a vacinação contra a febre amarela, especialmente para aqueles que moram ou vão viajar para áreas com indícios da doença. Outras medidas preventivas são o uso de repelente de insetos, mosquiteiros e roupas que cubram todo o corpo.