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02/02/2017

TAXISTAS DENUNCIAM CHEGADA DA UBER A FRANCA




Um grupo de mais de 40 taxistas esteve na Câmara, ontem, para denunciar a chegada da Uber, empresa que permite a motoristas particulares atuar como taxistas por meio de um aplicativo de celular. Segundo os profissionais, a Uber já estaria atuando em Franca de forma não oficial, usando, para isso, redes sociais, como o Facebook, e grupos de Whatsapp. A empresa também teria enviando convites a motoristas de Franca para que façam o cadastro e possam futuramente trabalhar para o aplicativo. Oficialmente, o aplicativo da empresa continua informando que ainda não atua na cidade.



A denúncia foi feita durante uma audiência pública organizada pelo vereador Pastor Otávio (PTB) para ouvir representantes dos taxistas. “O que queremos é que haja uma posição firme da Câmara e da Prefeitura contra o trabalho clandestino dessa empresa. Eles não pagam impostos, não oferecem qualquer garantia ou segurança e ainda prejudicam um grupo de trabalhadores que são legalizados”, disse o taxista Paulo dos Santos Andrade.



Segundo ele, a Uber já estaria se preparando para começar a atuar oficialmente. “Já existem grupos no Facebook que fazem a ligação entre o motorista da Uber e o cliente. Eles também estão criando vários grupos no Whatsapp para poder trabalhar”, disse Andrade.



Para ele, a chegada do serviço é uma ameaça aos taxistas legalizados. “Nós pagamos tributos e somos obrigados a obedecer a uma série de regras impostas pela Prefeitura. Eles (ligados à Uber) não. Nem mesmo exigem a carteira de motorista profissional. É uma concorrência desleal e um risco aos usuários.”



Um dos mais antigos taxistas da cidade também compareceu à audiência e se disse preocupado com a situação. Durvalino Moreira é taxista há 42 anos e tem medo de que seja obrigado a abandonar a profissão. “Com a crise, o número de corridas já despencou. Há dias em que trabalho o dia todo e faço apenas duas corridas. Imagina se a Uber passar a atuar oficialmente na cidade... Não terei como continuar”, disse.



A mesma preocupação é dividida pelo também taxista Moacir Donzelli, que há nove anos atua em Franca, na região do Leporace. “Antigamente, por noite, eu chegava a ter até 15 corridas, nos fins de semana esse número era ainda maior. Agora quando faço quatro, acho bom. Ontem mesmo trabalhei a noite toda e fiz duas corridas apenas.”



Ele conta que, como taxista, já flagrou em pelo menos quatro ocasiões carros particulares atuando como táxis. “Esses dias mesmo, vi dois carros pretos com placa de particular carregando passageiros. Um deles estava no shopping. Tenho certeza de que eram ligados à Uber.”



Outra taxista que preferiu não se identificar também disse ter usado o serviço apenas para comprovar a existência. “Eu fui adicionada a um grupo no Whatsapp. Combinei uma corrida e, de fato, um homem em um carro particular e que não tinha licença para ser taxista, veio me buscar.” Segundo ela, os preços cobrados pelos motoristas da Uber não são fixos. “Cada um cobra o que quer. Eles fazem corridas por menos de R$ 10. Não tem como concorrer”, disse. No táxi legalizado, o valor cobrado pela corrida é de R$ 18.



O diretor da Prefeitura Dirceu Alves Cortês, que acompanhou a reunião, disse que ainda não havia registrado nenhuma denúncia relacionada à Uber e que, de fato, a empresa não tem autorização para atuar no município. “Eles são todos clandestinos. Não oferecem qualquer segurança. O passageiro corre risco”, disse ele, que se prontificou a agendar uma nova reunião, desta vez, com a participação da Guarda Municipal, que faz a fiscalização dos clandestinos na cidade, para acertar um trabalho em parceria com os taxistas para aumentar a fiscalização.



O vereador Pastor Otávio também se comprometeu a levar a questão ao prefeito Gilson de Souza (DEM) e discutir com a Procuradoria do Município medidas legais para impedir a atuação de motoristas sem autorização.

Fonte: gcn.net.br