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PM e Gaeco apreenderam documentos de posto em Miguelópolis (Foto: Fábio Reis/Divulgação)
08/02/2017

MINISTÉRIO PÚBLICO REALIZA OPERAÇÃO EM MIGUELÓPOLIS


Agentes públicos são suspeitos de abastecer veículos com verbas dos cofres públicos

Ex-agentes políticos de Miguelópolis investigados na Operação "Cartas em Branco" abasteciam seus carros com verba dos cofres públicos, confirmou quinta-feira, dia 2, o Ministério Público. Segundo a Promotoria, somente em 2014 o município gastou R$ 1,6 milhão com combustível, valor quatro vezes maior que o de cidades do mesmo porte.

Os indícios fazem parte das 40 fraudes em licitações investigadas desde o ano passado. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a Prefeitura desviou mais de R$ 6 milhões dos cofres municipais.

Dentre as fraudes apuradas, o MP constatou que a verba destinada à merenda escolar era utilizada para bancar compras de supermercados de vereadores, prefeito e vice. Cada um dos beneficiários, de acordo com o MP, tinha um “crédito” de até R$ 800 por semana no estabelecimento – cujo dono responde em liberdade por firmar acordo de delação premiada com a Promotoria.

Além do ex-prefeito de Miguelópolis, Juliano Mendonça (PRB), preso em abril, a força-tarefa confirmou nesta quinta-feira a prisão do cunhado do ex-chefe do Executivo e apreendeu novos documentos que evidenciam as fraudes. Ainda estão foragidos um empresário suspeito de envolvimento no esquema e o ex-vice-prefeito Tárcio Barbosa (PSD).

O Esquema
Preso na manhã de quinta-feira,o cunhado do ex-prefeito é suspeito de ser responsável pela frota municipal e de controlar quem teria ou não autorização para abastecer “gratuitamente” seus veículos particulares.

Piola afirma que o Gaeco e a PM tentaram localizar o proprietário do estabelecimento envolvido no esquema e o ex-vice-prefeito Tárcio Barbosa, mas ambos são considerados foragidos.

Desvio no combustível
Segundo o promotor Rafael Piola, o ex-prefeito permitia que seu vice e os vereadores abastecessem veículos particulares, inclusive o dele, com recursos municipais. O valor total desviado pelo esquema ainda não foi calculado. “Recebemos um ofício do Tribunal de Contas que diz que, apenas no ano de 2014, foram gastos R$ 1,678 milhão com combustível, isso é três ou quatro vezes mais do que municípios de porte e frota similares. Eles [políticos] faziam a licitação pensando nesses benefícios, por isso chegam a esses valores astronômicos”, diz