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Uso de celular pode oferecer sérios riscos à saúde
14/03/2017

EDIÇÃO - 3221PESQUISA DIZ QUE O CELULAR DEVE MATAR MAIS QUE CIGARRO




O uso do celular deve matar mais que o cigarro em alguns anos, segundo estudo de um médico australiano publicado na internet. Vini Khurana, um neurocirurgião que recebeu 14 prêmios em 16 anos, pede que a população use o aparelho o mínimo possível, principalmente quando se trata de crianças.

O médico analisou cerca de cem trabalhos científicos publicados sobre o tema para chegar às suas conclusões. Segundo ele, há ao menos oito estudos clínicos que indicam uma ligação entre o uso de celulares e certos tipos de tumor no cérebro.

“Já há previsões de que esse perigo tenha mais ramificações para a Saúde Pública do que o amianto ou o fumo. Isso gera preocupações para todos nós, especialmente com a geração mais nova”, afirma Khurana, que é professor de neurocirurgia na Faculdade Nacional de Medicina da Austrália, no estudo.

A comparação entre as mortes causadas por cigarro e por celular se deve ao fato de, atualmente, cerca de 3 bilhões de pessoas usarem esses aparelhos, número três vezes maior que o de fumantes, afirmou ele ao jornal “The Independent”.

Processo Lento
Para Khurana, ainda não há mais dados sobre o assunto pelo fato de a intensificação no uso dos celulares ainda ser recente. Ele afirma que o período de “incubação” - tempo entre o início da utilização do aparelho e o diagnóstico do câncer em um indivíduo - dura de dez a 20 anos.

“Entre os anos de 2008 e 2012, nós teremos atingido o tempo apropriado para começar a observar definitivamente o impacto dessa tecnologia global nos índices de câncer de cérebro”, diz ele.

Para evitar o problema, Khurana sugere, entre outras medidas, que as pessoas evitem ao máximo o uso do celular, dando preferência ao telefone fixo. Ele pede também moderação no uso de Bluetooth e de headsets (fone de ouvido com microfone) sem fio. Outra dica, de acordo com o médico, é usar o viva-voz para falar, mantendo o celular a pelo menos 20 cm da cabeça.

Em janeiro deste ano, o governo francês pediu “prudência” no uso de celular pelas crianças, apesar de não ter dados científicos que comprovem os malefícios do aparelho para a saúde.

O ministério pediu que as “famílias sejam prudentes e saibam usar estes aparelhos”, lembrando que é recomendado o uso moderado do celular, principalmente pelas crianças, “que são mais sensíveis porque seus organismos ainda estão em desenvolvimento”.

Estudo reforça suspeita de que uso de celular tem ligação com câncer
Pesquisadores do Programa Nacional de Toxicologia do Governo dos Estados Unidos divulgaram um novo estudo sobre a relação entre celulares e câncer. Os cientistas chegaram à conclusão de que há, sim, evidências que ligam o uso constante de smartphones com o surgimento de tumores.

Os cientistas observaram um pequeno grupo de camundongos expostos à radiação emitida por telefones celulares desde a gestação até a vida adulta e compararam com cobaias que não foram expostas. O estudo constatou que a incidência de câncer nos animais atingidos pela radiação era maior do que naqueles que não foram atingidos.

Mais precisamente, observou-se um aumento no número de casos de dois tipos de tumor nos camundongos do sexo masculino: um ligado ao cérebro e outro ligado aos nervos periféricos. O estudo foi elogiado e destacado pela Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC, na sigla em inglês), mas o apoio não foi unânime na comunidade científica.

Contraditório
No início de maio, cientistas australianos chegaram a uma conclusão bem diferente após um estudo com quase 20 mil homens e 14 mil mulheres. Os pesquisadores da Universidade de Sidney compararam o número de casos de câncer cerebral entre 1982 e 2013 no país com o número de usuários de telefones celulares desde 1987.

Neste estudo, porém, nenhuma relação entre o uso dos aparelhos e o surgimento de câncer foi encontrado. Outros cientistas que já desenvolveram pesquisas sobre o assunto também defendem que não há evidências conclusivas de que a radiação de celulares pode causar câncer, como aponta a Organização Mundial da Saúde e a própria IARC em seu site oficial. O debate, pelo visto, está longe do fim.

Enquete
Para saber o que os ituveravenses pensam sobre o assunto, a Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana.

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