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Indivíduo que não investe em qualidade de vida e trabalha exaustivamente pode pagar um preço muito caro tanto físico quanto emocional
19/03/2017

TRABALHO PODE CAUSAR SÍNDROME DE BURNOUT


Indivíduo que não investe em qualidade de vida e trabalha exaustivamente pode pagar um preço muito caro por isso

Ter um empreendimento bem-sucedido requer dedicação, flexibilidade e muita atenção para liderar não só os negócios, mas também a saúde e o bem-estar dos colaboradores. É interessante analisar que os colaboradores estão para as organizações como a alma está para as pessoas.

É muito comum ver colaboradores realizando atividades profissionais fora do horário ou simplesmente fazendo horas extras diariamente, levando trabalho para finalizar em casa, trabalhando longas jornadas e deixando de ter um tempo investido na vida pessoal, em seu próprio lazer ou com família, hábitos fundamentais para se ter qualidade de vida.

Um indivíduo que não investe em qualidade de vida e trabalha exaustivamente pode pagar um preço muito caro tanto físico quanto emocional podendo desenvolver a Síndrome de Burnout, ou esgotamento profissional.

Assunto em evidencia
Essa síndrome é causada por sincronia de patologias psíquicas, de caráter depressivo causado pelo cansaço mental, emocional e físico, devido ao excesso de trabalho. O assunto está em evidência e recentemente foi tema de reportagem de capa da revista Galileu e de do programa Bem-Estar, da Rede Globo.

Segundo o psicólogo e psicanalista Eraldo Melo, o envolvimento praticamente ininterrupto da pessoa com a área profissional afeta diretamente o seu psicológico, que através do estresse pode desenvolver outras patologias mais graves. É importante analisar os presentes hábitos em sua rotina e comportamento já que Síndrome de Burnout pode ser confundida como cansaço ou estresse.

Identificação
Algumas características podem ajudar a identificá-la, dentre elas a frequente combinação de más e boas escolhas, dificuldade em lidar com as emoções, trabalho excessivo, pouco lazer, dificuldade em falar de problemas e sofrimentos, pouca tolerância à frustração, entre outras.

O especialista diz que o indivíduo afetado por essa síndrome passa a agir de forma mais agressiva, fica mais mal-humorado e antissocial. “Nas relações de trabalho, esse profissional irá tentar impor sua superioridade até na realização das tarefas mais simples e por vezes prefere trabalhar sozinho, pois acredita que somente ele consegue fazer a atividade, isolando-se.

O trabalho acaba ocupando um espaço tão grande na vida e na cabeça desse indivíduo que dependendo de quão intenso a síndrome esteja, o sujeito pode desenvolver uma angústia profunda ou até uma depressão crônica, o que pode gerar uma grande perda do desejo de realizar suas atividades.

Outros Fatores
podem também aumentar o risco de desenvolver a Síndrome de Burnount outros fatores, como históricos de doenças mentais na família, uso de drogas ou álcool, pouco convívio social, sedentarismo, excesso de trabalho e pressão. “Essa síndrome pode levar o indivíduo a desenvolver uma compulsão ao álcool ou outras drogas como forma de refúgio”, alerta o psicanalista.

Prejuízos
Eraldo diz que os prejuízos psicológicos e físicos causados por essa síndrome afetam diretamente o colaborador, podendo causar fortes dores de cabeça ou estomacais, calafrios, falta de ar, desconcentração, insônias, tonturas, ataques de ansiedade e até depressão. “Esses picos de alterações são a forma do corpo de mostrar à pessoa que ela está atingindo um limite. A síndrome em si surge aos poucos e os impactos variam de acordo com cada um, por isso, é importante parar e se atentar se esses sintomas estão se tornando constantes”, diz o psicanalista.

Nesses casos, um acompanhamento psicanalítico é uma opção de tratar e até mesmo prevenir a síndrome do esgotamento profissional. “É preciso trabalhar o autoconhecimento deste indivíduo e entender o que tem por trás de toda essa compulsão de trabalhar. Amar o que faz é definitivamente importante para o sucesso na profissão, porém se torna um problema quando a pessoa substitui frequentemente momentos de lazer e descontração para poder trabalhar mais. Isso geralmente tem relação com acontecimentos do passado, em que a psicanálise pode ajudar o sujeito a ressignificar tais acontecimentos, para melhorar a qualidade de vida dessa pessoa, de uma forma geral”, diz.

“Algumas sugestões para ajudar a prevenir essa síndrome, como atividade física, lazer, separar um tempo para fazer algo que goste, cuidar da saúde psíquica e física e, sem dúvidas, ter acompanhamento profissional”, conclui Eraldo Melo.

Psicóloga dá importantes dicas para evitar a síndrome
Em entrevista à Tribuna de Ituverava, a psicóloga Marina Rodrigues Bernardini, da importantes dicas para evitar a Síndrome de Burnout. É indicado que as pessoas façam atividades físicas regularmente, durmam bem, alimentem-se de maneira adequada, mantenham uma vida social ativa, reorganizem suas tarefas, saibam dizer não, procurem ajuda de um profissional, tenham um horário para olhar seus e-mails.

Também é importante que busquem mais autoconhecimento, desenvolvam um hobby, tirem 30 dias de férias por ano, bebam bastante água, desabafem e conversem com seu chefe, especialmente se estiverem sobrecarregadas no trabalho ou com qualquer dos seus direitos trabalhistas ignorados.

“Se necessário, é importante buscar orientação médica no intuito de tratar os sintomas até com medicamentos, pois a síndrome não é uma doença, mas os sintomas físicos vão provocar uma doença. Então, a medicação impede que o seu organismo fique sobrecarregado e, portanto, diminui muito a chance de ter algum sintoma físico”, afirma Marina.

Ainda segundo ela, a medicação faz com que a pessoa durma melhor, com isso sua capacidade de enfrentar mais um dia aumenta muito. “Se a pessoa não consegue mudar seus hábitos sozinha, ela pode conseguir com a ajuda de um psicoterapeuta. Ele provavelmente ajudará na mudança dos hábitos de trabalho, para que eles se tornem menos desgastantes”, completa.