Centenas de milhares de pessoas prometem voltar às ruas em todo o País, no próximo domingo, para protestar contra a corrupção e manifestar apoio à Operação Lava Jato e ao fim do foro privilegiado. Nas redes sociais, senadores estão sendo pressionados para assinar um requerimento de urgência para levar a plenário a votação de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com o privilégio dos políticos em julgamento. O número mínimo de 41 assinaturas foi atingido.
Na contramão do que anseia a população brasileira, o senador por Franca, Airton Sandoval (PMDB), afirmou que não pretende dar sua assinatura e que votará contra a proposta. “Hoje, a rede social me dá umas bordoadas, dizendo que eu não assinei aquela emenda. Não assinei porque não fui procurado, mas se tivessem me procurado, eu não assinaria por uma razão muito simples: privilégios não podem haver para todos. O político, aprovando esta emenda do jeito que está, vai criar uma situação muito complicada.”
O senador fez a afirmação à colunista Patrícia, durante evento promovido pela Acif na última sexta-feira. Empresários e políticos que acompanhavam a entrevista demonstraram surpresa com os comentários feitos por Sandoval, sem que ele tivesse sido questionado a respeito. “Se tirar este privilégio, da forma como estão pretendendo, em todas as cidades do Brasil, qualquer promotor, qualquer cidadão poderá entrar com ação contra o deputado, contra o prefeito, contra o vereador, contra o presidente, e ele não vai ter condição de se defender nesta quantidade de ações que vão cair”, completou.
O senador colocou uma condição para mudar de posição e dizer sim à proposta. “Eu votarei a favor de uma emenda desta natureza se ficar claro lá que o político só poderá ser processado na cidade do seu domicílio eleitoral. Assim, contem com o meu voto. No sentido contrário, eu não voto.”
O deputado federal Adérmis Marini (PSDB), que estava ao lado do senador, disse ao Comércio que o fim do privilégio é essencial para contribuir com o andamento da Operação Lava Jato. “Político que não deve não pode ter medo do fim do foro privilegiado. O privilégio blinda quem se envolve em corrupção. Não que ele não vai ser investigado, mas a morosidade do processo judiciário é tão grande que, muitas vezes, cai na prescrição.”
O foro privilegiado é direito adquirido por algumas autoridades públicas, como senadores, garantindo que possam ter julgamento especial quando são alvos de processo penal, podendo ser processados apenas pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Fonte: gcn.net.br