Mais de 90% dos casos a halitose é resultado de problemas gastrointestinais ou orolaringeanos; no destaque, o cirurgião-dentista Paulo Trajano Telles RodriguesA Preocupação com as alterações do hálito existe há séculos, sendo uma prova disso o fato de que na história antiga já há relatos de que os indivíduos apresentavam mau hálito.
No entanto, somente em 1874, quando foi estudada e descrita por J. W. Howe, a halitose passou a ser considerada como uma enfermidade clínica. O reconhecimento dessa condição é relativamente simples, porém a instituição do tratamento adequado depende da identificação do agente etiológico específico.
Durante muito tempo, pouca atenção foi dada pelos pesquisadores aos pacientes com halitose, embora o mau hálito fosse uma condição comum na população em geral. Em resposta aos questionamentos dos pacientes, estudos sobre a halitose foram desenvolvidos e relatados. O aumento das pesquisas sobre o mau hálito tem melhorado a socialização das pessoas e, ainda, propiciado uma maior conscientização sobre esse problema.
O cirurgião-dentista Paulo Trajano Telles Rodrigues, que é especialista em Radiologia e Imaginologia, fala sobre o problema. “A halitose é definida como odores desagradáveis que são exalados da cavidade oral de uma pessoa ou de suas vias aéreas. É uma condição anormal do hálito na qual este se altera de forma desagradável tanto para o paciente como para as pessoas com as quais ele se relaciona. Acomete todas faixas etárias, de bebês a idosos”,afirma.
Ainda de acordo com ele, embora poucos pacientes procurem tratamento, a halitose é uma alteração comum em crianças e adultos e 50% a 60% da população apresenta halitose crônica.
Alterações Orgânicas
Ele lembra, porém, que nem todo hálito desagradável é indicativo de alterações orgânicas. “As alterações do hálito podem estar presentes normalmente, pela manhã, quando em jejum. Esta condição é também observada em pacientes sob regime de emagrecimento, em decorrência da metabolização de seus depósitos lipídicos, em maior proporção que os alimentos ingeridos”, enfatiza.
O hálito pode variar conforme a idade do indivíduo. “Em recém-nascidos e em crianças de até cinco anos de idade o hálito exalado se apresenta adocicado, em função da retenção de restos alimentares e bactérias, nas criptas amigdalianas. Já nos jovens e adultos, o hálito se apresenta neutro, enquanto que nos indivíduos idosos é frequentemente desagradável”,enfatiza.
Causas
A halitose, na maioria dos casos, é causada por problemas localizados na cavidade bucal que podem estar associados a sinusites crônicas, doenças do trato respiratório ou, ainda, ao uso de determinadas drogas.
“Mais de 90% dos casos a halitose é resultado de problemas gastrointestinais ou orolaringeanos. O odor desagradável é causado por ácidos graxos de baixo peso molecular, amônia e componentes sulfúricos voláteis presentes no ar exalado. Essas substâncias podem, a partir de bactérias presentes no intestino, ser reabsorvidas pelo sangue e eliminadas através do pulmão”, alerta o cirurgião-dentista.
Diagnóstico
Ainda segundo o cirurgião-dentista, a melhor forma de diagnosticar o problema é pedir para uma pessoa de confiança e que você tenha intimidade para sentir seu hálito.
“Outro tipo de halitose é a pseudo-halitose que é diagnosticada quando o mau hálito não está presente, porém o paciente acredita apresentar o problema. Caso o paciente, mesmo após o tratamento, continue afirmando que apresenta essa alteração, o diagnóstico será de halitofobia”, explica.
O tratamento para a halitose engloba higiene bucal adequada, técnica de escovação, uso de fio dental e limpeza adequada da língua, bochechas, assolho bucal e palato; profilaxia (“limpeza”) realizada por profissional da área, procure seu dentista para ter o correto diagnóstico e tratamento; evitar goma de mascar (chiclete) com açúcar pois alteram o pH da saliva e pioram o mau hálito, enquanto chiclete sem açúcar melhoram o hálito; e fazer bochechos com enxaguantes bucais. Todos esses procedimentos, no entanto, devem ser feitos sob orientação e acompanhamento profissional.
“Em caso de cáries dentais, radiculares, doenças gengivais (gengivites e periodontites), restaurações fraturadas, próteses mal adaptadas, tratamentos endodônticos (“canal”), extrações, entre outros, uma consulta ao dentista é necessária, pois o mau hálito também pode estar presente”, completa o dentista.
Origens do Problema
De 80% – 90%: superfície da língua e espaço subgengival com presença de microorganismos.
Cerca de 8%: trato respiratório: sinusite
Cerca de 1%: gastrointestinal: ácidos graxos de baixo peso molecular, amônia e componentes sulfúricos voláteis presentes no ar exalado, essas substâncias são provinientes de bactérias presentes no intestino, ser reabsorvidas pelo sangue e eliminadas através do pulmão.
principais fatores produtores de odor na cavidade bucal
1) Presença de restos alimentares ou células epiteliais, que pode aumentar a partir da redução do fluxo salivar. O material acumulado é, então, quebrado pelas bactérias na cavidade bucal (placa bacteriana e saburra lingual).
2) Destruição de tecidos, como no caso da doença periodontal ou da cárie dental (com ou sem necrose pulpar), que levam à formação de substratos que podem produzir odor.
3) Odor de certos alimentos, como, por exemplo, o alho, com alto teor de componentes odoríferos que, ao passarem pela boca, tendem a ser reabsorvidos pela mucosa bucal.
4) Própria saliva, especialmente durante a respiração bucal, conversação prolongada ou fome. A alimentação reduz parcialmente a halitose pois aumenta o fluxo salivar e o atrito na boca, com efeitos na redução das fontes de odor.
Perguntas frequentes
Por que o portador da halitose não sente o seu próprio hálito?
Porque o olfato se adapta ao odor, por tolerância. O epitélio olfatório rapidamente se cansa ou fadiga, se acostumando ao odor e falhando na percepção. Em pouco tempo, o paciente com halitose se acostuma ao próprio mau hálito.
Após tratamento de úlcera e gastrite, por que o paciente continua com mau hálito?
Problemas gástricos causarão halitose quando houver refluxo. Segundo pesquisa, 87% das causas da halitose estão localizadas na região da boca.
O mau hálito pode vir do estômago?
Não. Mas é muito comum pacientes com gastrite terem mau hálito. A relação entre halitose e gastrite, por exemplo, ocorre da formação de saburra, quando microrganismos se instalam no dorso lingual, proliferam e aumentam em número, podendo chegar ao estômago e desencadear a gastrite.
A manutenção do fluxo salivar em condições normais e correta higiene bucal não evita apenas a formação de saburra e mau hálito, mas também previne a possibilidade de o paciente se tornar predisposto a gastrite, pneumonia, amigdalite, periodontite etc.
A halitose é fruto de má higiene?
Nem sempre. A halitose é um sinalizador de que algo no organismo não está bem. Um paciente que mantenha boa higiene oral mas encontra-se estressado (fluxo salivar baixo), pode comprometer a autolimpeza favorecendo a formação da saburra lingual, possibilitando a manifestação da halitose.