Ação desenvolvida pelo LOI (Lúpicos Organizados de Ituverava), no ano passadoDoença autoimune rara, mais frequente nas mulheres, o lúpus é provocado por um desequilíbrio do sistema imunológico, exatamente aquele que deveria defender o organismo das agressões externas causadas por vírus, bactérias ou outros agentes patológicos.
Para conscientizar sobre a doença, é celebrado anualmente em 10 de maio, o Dia Internacional de Atenção à Pessoa com Lúpus. Para marcar a data, o Grupo LOI (Lúpicos Organizados de Ituverava), criado em 2010 e atualmente composto por 17 portadores da doença, promove, a partir da próxima segunda-feira, 8 de maio, em Ituverava, a Semana de Conscientização do Lúpus.
Na ocasião, o grupo fará ações com o objetivo de conscientizar a população a respeito da doença.
Causas do lúpus não são totalmente conhecidas
Nos portadores do lúpus, a defesa imunológica se vira contra os tecidos do próprio organismo como pele, articulações, fígado, coração, pulmão, rins e cérebro.
No entanto, se o tratamento for feito de forma adequada, pessoas com lúpus têm condições de viver normalmente. Já que não se trata, na maioria das vezes acaba tendo complicações sérias.
A causa subjacente das doenças autoimunes não é totalmente conhecida. O lúpus pode ocorrer em qualquer idade, mas aparece mais frequentemente em pessoas entre 10 e 50 anos. Os afro-americanos e os asiáticos são afetados com mais frequência do que pessoas de outras raças.
Os sintomas de lúpus podem variar de pessoa para pessoa e podem aparecer e desaparecer. Quase todas as pessoas com lúpus apresentam dor e edema nas articulações. Algumas desenvolvem artrite, e as articulações como os dedos, mãos, punhos e joelhos, são muito afetados.
Regiões Afetadas
Pele, rins e sistema nervoso central são as regiões mais afetadas pelo lúpus. A alta exposição aos raios ultravioletas torna o indivíduo mais suscetível à doença. O sintoma mais claro é o aparecimento de manchas no rosto, no formato de “asa de borboleta”. Nos casos mais graves, chamados de lúpus eritematoso sistêmico, o paciente pode apresentar lesões crônicas que deixam cicatrizes na pele.
Outros sintomas comuns são: dor no peito ao inspirar profundamente, fadiga, febre sem outra causa, desconforto, ansiedade, mal-estar, perda de cabelo, feridas na boca e sensibilidade à luz do sol.
O lúpus ocorre quando o sistema imunológico ataca e destrói alguns tecidos saudáveis do corpo. Não se sabe exatamente o que causa esse comportamento anormal, mas pesquisas indicam que a doença seja resultado de uma combinação de fatores, como genética e meio ambiente.
Esses mesmos estudos mostram que pessoas com pré-disposição ao lúpus podem desenvolver a doença ao entrar em contato com algum elemento do meio ambiente capaz de estimular o sistema imunológico a agir de forma errada. O que a ciência ainda não sabe é quais são todos esses componentes.
Exames e Tratamento
Os exames mais comuns usados para diagnosticar a doença são: exames de anticorpos, incluindo teste de anticorpos antinucleares; hemograma completo; radiografia do tórax, biópsia renal e uranálise.
Não há cura para o lúpus, mas com o tratamento é possível controlar os sintomas. Dentre os famosos que são portadores de doença estão a cantora Lady Gaga e a atriz e cantora Selena Gomez.
Doença Grave
O lúpus grave ou agudo atinge menos de 20% dos portadores da doença. Mais de 90% dos pacientes que tratam o lúpus e levam as orientações médicas a sério respondem bem ao tratamento e quase não sofrem com os sintomas da doença.
O tempo médio de tratamento é de cinco anos e há casos de pessoas que, depois de tratadas, não voltam a manifestar a doença.
Tratamentos
A Sociedade Brasileira de Reumatologia informa que o tratamento contra lúpus pode variar muito de acordo com as manifestações da doença. O tratamento inclui remédios para regular as alterações imunológicas e medicamentos para tratar outras alterações decorrentes da doença, como hipertensão, febre, dor, entre outras.
Para tratar as alterações imunológicas, são usados medicamentos como corticóides, antimaláricos e imunossupressores. Outros sintomas podem ser tratados com analgésicos ou anti-inflamatórios. Os pacientes devem evitar exposição ao sol, que pode desencadear uma reação imunológica nos pacientes.
Conscientização
A idealizadora do Grupo LOI (Lúpicos Organizados de Ituverava), Marlene das Graças de Oliveira, fala sobre a conscientização sobre a doença. “É importante que a população se atente à doença, e que entenda que portadores de LES (Lúpus Eritematoso Sistêmico) desenvolvem anticorpos que reagem contra as células normais, podendo, consequentemente, afetar a pele, os rins, além de outros órgãos e a circulação”, afirma.
“Ou seja, desta maneira, a pessoa se torna ‘alérgica’ a ela mesma, o que caracteriza o LES como uma doença autoimune”, lembra.
Outro intuito do grupo, de acordo com Marlene, é mostrar que lúpus não é uma doença contagiosa, infecciosa ou maligna. “Acredito que a ação tem alcançado plenamente o seu objetivo, pois o grupo se uniu e conseguiu levar importantes informações à população”, completa.