O governo brasileiro enviou à Espanha todos os documentos necessários para que seja viabilizada a extradição de Guilherme Longo. Ele é acusado de matar o enteado Joaquim em Ribeirão Preto (SP) em 2013 e havia fugido do país no ano passado. Longo foi localizado em Barcelona e preso por agentes da Interpol em abril deste ano. Agora o governo espanhol deverá julgar a solicitação.
O técnico em informática foi indiciado por homicídio triplamente qualificado em Ribeirão Preto e estava foragido desde setembro de 2016, seis meses após ter deixado a Penitenciária de Tremembé (SP) depois de ter obtido um habeas corpus no Tribunal de Justiça de São Paulo.
Para a Polícia Civil e o MP, Longo aplicou uma alta dose de insulina em Joaquim, que sofria de diabetes, e jogou o corpo no córrego próximo à residência da família, no Jardim Independência.
Depois de ser detido em Barcelona, ele foi levado a uma prisão espanhola com capacidade para 1,2 mil detentos, com academia de ginástica e televisão em cada cela.
Em função da crise no sistema carcerário brasileiro, as autoridades estrangeiras pediram uma vistoria no presídio de Tremembé para avaliar as condições de recolhimento do acusado antes de definir a extradição. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, toda a documentação necessária para formalizar o pedido de extradição foi recebida na terça-feira (16).
No mesmo dia, o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) realizou a análise técnica de admissibilidade do caso e enviou o pedido de extradição de Guilherme Longo ao Ministério das Relações Exteriores. O pedido foi retransmitido ao governo da Espanha, que julgará a solicitação. Até lá, as autoridades brasileiras aguardam a decisão do governo espanhol.
As autoridades da Espanha podem decidir extraditar Longo tanto no início quanto no fim do processo por uso de documento falso, utilizado para entrar no país. A tramitação não deve interferir na eventual condenação. A Justiça brasileira ainda não marcou a data do julgamento.
Além de Longo, a mãe do menino, a psicóloga Natália Mingone Ponte, é ré no caso e aguarda o julgamento em liberdade. Ela é acusada de ter sido omissa em relação à segurança do filho, por saber que o padrasto era agressivo e havia voltado a usar drogas na época da morte do garoto.
Da fuga à prisão
A hipótese de que Longo estaria na Europa foi levantada por uma mulher que mora no Chile, que entrou em contato com o pai de Joaquim, Arthur Paes Marques. Por meio das redes sociais, ela informou que o acusado usava um nome falso no exterior e identificou o hotel onde ele havia se hospedado.
De acordo com o advogado do pai da criança, Alexandre Durante, um brasileiro com o nome de Gustavo Triani deixou o Brasil pelo Uruguai em 20 de dezembro do ano passado e chegou a Madri de avião três meses depois, em 19 de março. Triani é um primo de Guilherme Longo que mora em Santa Catarina e nega participação na fuga. Ele diz ter visto o técnico de informática pela última vez em 2013.
Alexandre Durante afirma ainda que Longo teria tentado se alistar na Legião Francesa, mas teria desistido por receio da documentação.
As informações levaram o produtor do Fantástico, Evandro Siqueira, a Barcelona. Ele esteve no hotel onde Longo ficou hospedado por cinco dias e descobriu que o hóspede procurava emprego na cidade. Evandro Siqueira também descobriu que o padrasto de Joaquim participava de um grupo de brasileiros que moram em Barcelona e conseguiu um currículo do candidato.
Com o número de telefone usado por Longo em Barcelona, Siqueira entrou em contato fingindo ser um comerciante interessado em uma entrevista de emprego. Guilherme Longo foi localizado no dia 25 de abril pelo produtor.
As informações sobre o paradeiro de Longo foram repassadas pelo Fantástico à Polícia Federal, que incluiu a ordem de prisão expedida pela 4ª Vara Criminal de Ribeirão Preto na Difusão Vermelha da Interpol, que contém os nomes de foragidos internacionais.
Em 27 de abril, o escritório da Interpol em Madri e o Cuerpo Nacional de Policia da Espanha o prenderam em Barcelona. Longo foi levado a um complexo da polícia espanhola e foi transferido para uma penitenciária no país.
O caso
O corpo de Joaquim foi encontrado no Rio Pardo, em Barretos (SP), em novembro de 2013, cinco dias após o menino desaparecer da casa onde morava com a mãe, o padrasto e o irmão, no Jardim Independência, em Ribeirão.
A Polícia Civil concluiu que o padrasto matou o menino, que sofria de diabetes, com uma alta dose de insulina, e jogou o corpo em um córrego próximo à residência da família. Longo foi indiciado por homicídio triplamente qualificado.
Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) emitido na época da morte do garoto apontou ausência de água no organismo, o que descartaria a suspeita de afogamento, mas não identificou outras substâncias.
Em liberdade, a mãe do menino, Natália Ponte, é acusada de ter sido omissa em relação à segurança do filho, por saber que Longo era agressivo e havia voltado a usar drogas na época da morte do garoto.
Preso em Tremembé (SP) desde janeiro de 2014, Longo obteve um habeas corpus da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que considerou excessivo o prazo do processo.
A liberdade provisória, no entanto, estava sujeita a obrigações, como o comparecimento à Justiça periodicamente, e a proibições, como deixar a cidade. Ele também deveria ter permanecido em recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga de trabalho.
Todas as testemunhas do caso já foram ouvidas pela Justiça, que deve definir se o caso vai a júri popular.
Durante o tempo em que Longo esteve foragido, o promotor de eventos Arthur Paes, pai da criança, espalhou outdoors para tentar localizar o acusado.
Fonte: g1.globo.com