A administradora da Santa Casa, Cláudia Maria Carreira Frata, e a nefrologista Andréa Ferro PortioliSe Ituverava alcançou a condição de polo regional de saúde, muito se deve à Santa Casa, instituição que vem sempre inovando para oferecer o que há de mais moderno e humano aos seus pacientes.
Uma prova disso está na Ala de Hemodiálise da Santa Casa de Ituverava, que recentemente foi remodelada e ampliada e hoje é considerada referência em toda a região e responsável pelo atendimento de pacientes de doze cidades: Ituverava, Ipuã, Morro Agudo, Nuporanga, Orlândia, Sales de Oliveira, São Joaquim da Barra, Aramina, Buritizal, Guará, Igarapava e Miguelópolis.
A hemodiálise é indicada para pacientes com insuficiência renal aguda ou crônica graves. A indicação de iniciar esse tratamento é responsabilidade de um médico especialista em doenças dos rins (nefrologista), que avalia a necessidade, ou não, do paciente.
A doença pode ser tratada com remédios que podem controlar os sintomas e estabilizá-la. Em casos em que os remédios não são suficientes e a doença progride, pode ser necessário iniciar a hemodiálise.
A hemodiálise é um procedimento através do qual uma máquina limpa e filtra o sangue, ou seja, faz parte do trabalho que os rins doentes não podem fazer. O procedimento libera o corpo dos resíduos prejudiciais à saúde, como o excesso de sal e líquidos. Também controla a pressão arterial e ajuda o corpo a manter o equilíbrio de substâncias como sódio, potássio, ureia e creatinina.
Para falar sobre o funcionamento da ala de Hemodiálise, a administradora da Santa Casa, Cláudia Maria Carreira Frata, e uma das médicas responsáveis pelo setor, a nefrologista Andréa Ferro Portioli, receberam a Tribuna de Ituverava.
De acordo com elas, a Santa Casa atende hoje 136 pacientes, de segunda-feira a sábado. “Hoje temos a disposição 28 máquinas, porém estamos usando 24 no momento. No entanto, se houver maior demanda, podemos usar as outras quatro”, afirma a médica Andréa Ferro Portioli, que é a responsável pelo setor junto ao nefrologista Eduardo Augusto de Lima Portioli.
“Se houver necessidade é possível promover expansão da ala, pois temos espaço para implantar mais máquinas e, dessa forma, atender até 234 pacientes. Esse trabalho poderá ser feita no futuro, caso surja demanda”, ressalta a administradora Cláudia Maria Carreira Frata.
Equipe multidisciplinar
Além dos médicos Andréa Ferro Portioli e Eduardo Augusto de Lima Portioli, a ala conta com equipe formada por nutricionista, psicóloga, assistente social, enfermeiras e técnicos em enfermagem. Ou seja, além das sessões de hemodiálise, o paciente tem todo o apoio da equipe multidisciplinar.
A estrutura da ala também se destaca: há recepção, sala de espera, refeitório, sanitários, sala de hemodiálise, sala de reuso, sala de enfermagem, área do tratamento de água, sala de urgência, consultórios médicos e depósito.
“Com a qualidade da estrutura, equipamentos e profissionais, conseguimos dar um apoio melhor à população, o que é muito importante, pois antes os pacientes precisavam viajar até Ribeirão Preto, onde passavam o dia todo”, ressalta a Dra. Andréa.
“Outra questão relevante é que, caso o paciente passe mal, ele pode ser prontamente atendimento ou até mesmo internado”, diz a administradora Cláudia Frata.
A preocupação com os pacientes de outras cidades também é muito grande. “Buscamos agendar as sessões de acorda com a cidade, pois assim todos podem voltar no mesmo horário. Sabemos o quanto é desagradável o paciente aguardar o dia todo para retornar à sua cidade de origem”, observa a Dra. Andréa.
Maioria dos pacientes são encaminhados pelo AME
De acordo com a administradora da Santa Casa de Ituverava, Cláudia Maria Carreira Frata, a maioria dos pacientes é encaminhada pelo AME (Ambulatório Médico de Especialidades), órgão administrado pela Santa Casa e responsável pelo atendimento de doze cidades da região.
“Na maioria das vezes o AME faz o diagnóstico e encaminha o paciente à Ala de Hemodiálise da Santa Casa. Porém, em alguns casos recebemos o encaminhamento do DRS (Departamento Regional de Saúde) de Franca”, explica.
“Há ainda os casos em que o paciente vem temporariamente a Ituverava – para viagem ou trabalho – e é atendido na condição de paciente em trânsito, que é quando é por um período específico”, destaca Cláudia.
De acordo com a médica nefrologista Andréa Ferro Portioli, muitos chegam em estado complicado e, na maioria das vezes por falta de prevenção. “Infelizmente esse é um problema geral no país. O brasileiro não tem o hábito de procurar o médico, só depois que o problema já está instalado”, enfatiza a Dra. Andréa Portilolli.
Normas
Outro aspecto importante, como destaca a administradora da Santa Casa, é que a ala funciona rigorosamente dentro das normas do Ministério da Saúde. “Tudo está adequado em relação à legislação, inclusive detalhes como a distância entre as máquinas, que inclusive são as melhores do mercado. Algo que é importante destacar é que a água utilizada pelas máquinas é extremamente purificada, motivo pelo qual é tratada diariamente. Ela passa por vários tanques de purificação e é movimentada o tempo todo, o que evita a proliferação de qualquer bactéria”, completa Cláudia Maria Carreira Frata.
Hemodiálise geralmente precisa ser feita durante a vida inteira
Basicamente, na hemodiálise a máquina recebe o sangue do paciente por um acesso vascular, que pode ser um cateter (tubo) ou uma fístula arteriovenosa, e depois é impulsionado por uma bomba até o filtro de diálise (dialisador). No dialisador o sangue é exposto à solução de diálise (dialisato) através de uma membrana semipermeável que retira o líquido e as toxinas em excesso e devolve o sangue limpo para o paciente pelo acesso vascular.
Uma fístula arteriovenosa (FAV), que pode ser feita com as próprias veias do indivíduo ou com materiais sintéticos, e preparada por uma pequena cirurgia no braço ou perna. É realizada uma ligação entre uma pequena artéria e uma pequena veia, com a intenção de torná-la mais grossa e resistente, para que as punções com as agulhas de hemodiálise possam ocorrer sem complicações.
A cirurgia é feita por um cirurgião vascular e com anestesia local. O ideal é que a fístula seja feita de preferência 2 a 3 meses antes de se começar a fazer hemodiálise.
O cateter de hemodiálise é um tubo colocado em uma veia no pescoço, tórax ou virilha, com anestesia local. O cateter é uma opção geralmente temporária para os pacientes que não têm uma fístula e precisam fazer diálise.
Os principais problemas relacionados ao uso do cateter são a obstrução e a infecção, o que muitas vezes obriga a retirada do cateter e o implante de um novo cateter para continuar as sessões de hemodiálise.
Respostas para dúvidas sobre a hemodiálise
Uma vez iniciado o tratamento, será necessário fazer hemodiálise para o resto da vida?
Na maioria das vezes, sim. Após iniciada uma terapia de substituição renal, o paciente pode na maioria das vezes mudar da hemodiálise para diálise peritoneal, e vice-versa. Além de realizar transplante renal dependendo das condições clínicas.
Existem algumas situações em que os rins deixam de funcionar por um período curto e podem voltar a funcionar depois. Isto é mais comum de ser observado na insuficiência renal aguda. Na doença renal crônica isto é raro de ser observado.
Quanto tempo o paciente necessita ficar na máquina para fazer a hemodiálise?
O tempo varia de acordo com o estado clínico do paciente e, em geral, é quatro horas, três ou quatro vezes por semana. Dependendo da situação esse tempo varia de 3 a 5 horas por sessão e pode ser feita 2, 3, 4 vezes por semana ou até mesmo diariamente. O médico nefrologista avaliará o paciente para que seja escolhida a melhor forma de tratamento para o mesmo.
Para assegurar que a diálise esteja adequada, o médico nefrologista faz revisões mensais inclusive por meio de exames laboratoriais. Se a diálise não estiver adequada, ajustes serão feitos até atingir o desempenho esperado.
O paciente em tratamento através da hemodiálise não deve faltar as sessões. Em caso de não poder comparecer a uma sessão deve avisar assim que possível.
Fazer hemodiálise dói? Quais são os desconfortos que o paciente pode sentir?
A maioria dos pacientes faz hemodiálise através da fístula, como dito acima. E essa é a melhor forma de acesso ao sangue do paciente, entretanto para iniciar a hemodiálise é necessária realizar a punção com as agulhas e esse procedimento causa dor leve.
Na maioria das sessões de hemodiálise o paciente não sentirá nada, mas algumas vezes, pode ocorrer uma queda da pressão arterial, câimbras ou dor de cabeça. Por estes motivos, a sessão de hemodiálise é sempre realizada na presença de um médico e uma equipe de enfermagem.
Geralmente esses sintomas acontecem quando o paciente tem muito líquido para remover do seu corpo naquela sessão de hemodiálise. Dessa forma, é importante seguir as recomendações da equipe médica para evitar o ganho excessivo de peso entre os dias das sessões de hemodiálise, e assim, ter uma sessão confortável.
Quais são as vantagens de se fazer hemodiálise para tratar a doença renal avançada?
Ao iniciar o tratamento o paciente perceberá uma melhora significativa nos sintomas que apresentava, como: falta de apetite, indisposição, cansaço, náuseas, dentre outros.
Adicionalmente, serão reduzidas as restrições dietéticas antes de começar a fazer hemodiálise e o paciente perceberá, em geral, uma melhora na sua qualidade de vida.
Quem faz hemodiálise pode comer e beber à vontade?
A hemodiálise substitui a função dos rins de quem tem doença renal crônica avançada, porém a hemodiálise não substitui as funções renais por completo, pois os rins não são apenas meros filtros de sangue, eles exercem várias outras funções no organismo como: controle de água corporal, controle no nível de sais minerais, controle dos ácidos (pH) no organismo, controle da pressão arterial, síntese de hormônios que estimulam a produção do sangue e controle da saúde dos ossos através da produção de vitamina D. Então seguir as recomendações de alimentação que a sua equipe elaborou é fundamental para o sucesso do tratamento.
A quantidade de líquidos ou de alimentos que pode ser ingerida varia de pessoa para pessoa e depende do estado nutricional do paciente, da quantidade de urina que o paciente ainda produz e de outros fatores como a presença de doenças associadas (exemplo, o diabetes).
As clínicas de diálise têm nutricionistas, enfermeiros e médicos para consultas e para tirar dúvidas.
O paciente que faz hemodiálise pode trabalhar?
Vários pacientes em hemodiálise trabalham, mas isso depende das condições clínicas de cada um e do horário das sessões.
O governo, através de lei Federal, auxilia financeiramente pacientes portadores de doença renal crônica em diálise. As clínicas de diálise dispõem de assistentes sociais que podem orientar os pacientes para conseguirem esse benefício.
O paciente que faz hemodiálise pode viajar?
Pode sim. As clínicas de diálise não só no Brasil, mas também em outros países, compartilham um sistema chamado hemodiálise em trânsito. Ou seja, se o paciente deseja viajar, a clínica do paciente entra em contato com as clínicas do local de destino, as informações são passadas e durante a estadia naquela cidade o paciente continua seu tratamento.
Uma vez formalizado o processo entre as duas clínicas, o paciente poderá viajar; é recomendável que o paciente ou seu familiar, antes da viagem, entre em contato com a clínica que vai lhe receber, para informar exatamente quando chegará, quais medicações precisará levar com ele, entre outras coisas.