Denúncia aponta uso de borra de café na produção de energia (Foto: Ronaldo Oliveira/EPTV)A Nestlé tem 60 dias para suspender a utilização de resíduos de café solúvel na geração de energia na fábrica de Araras (SP) ou adotar medidas para eliminar a poluição. A Justiça impôs a determinação após um abaixo-assinado dos vizinhos da indústria e da abertura de inquérito pelo Ministério Público.
A liminar também determina que a empresa envie à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) um projeto ambiental que preveja mudanças no processo de produção de energia. Caso a decisão não seja cumprida, está prevista uma multa diária de R$ 20 mil.
"Nós não queremos sair daqui e nem queremos que a Nestlé saia. Queremos só que ela cumpra com o que ela prometeu, colocar os filtros para fuligens e os abafadores de ruídos", comentou o aposentado Antônio Mazon, vizinho da indústria. A empresa informou que já enviou uma proposta ao MP.
Fuligem e barulho
As reclamações sobre a fuligem proveniente da indústria são antigas. Em 2014 já havia queixas quanto à situação. Cansados, os moradores fizeram um abaixo-assinado e o MP decidiu abrir um inquérito civil para investigar possíveis irregularidades ambientais. De acordo com a denúncia, o pó é resultado de um processo que usa a borra de café para produzir de energia.
"Eu ligava muito lá, mas agora não ligo mais. Acho que não compensa", disse a aposentada Terezinha de Jesus, que vive a poucas quadras da fábrica. Ela contou que tem de limpar todo dia o pó escuro que se acumula pelos cantos da casa e mostrou que o carro da família fica coberto para não estragar a pintura.
A aposentada Osmarina Zutin também mora no bairro. Ela afirmou que os moradores desenvolveram problemas respiratórios e criticou o barulho proveniente da indústria. "É uma descarga que eles dão, acho que de 20 em 20 minutos, durante a noite toda, durante o tempo todo em que eles estão trabalhando".
Nestlé
A nestlé informou que apresentou à promotoria uma proposta para reduzir o barulho e eliminar os resíduos, que aguarda o parecer do MP e que esse mesmo projeto vai ser encaminhado para a Cetesb.
Disse ainda que a fábrica em Araras tem certificações internacionais e que, nos últimos anos, reduziu em 32% a emissão de resíduos.
Fonte: g1.globo.com