ECONOMIA

01/06/2017

DONOS DA JBS ASSUMEM ÔNUS DO ACORDO DE LENIÊNCIA




O mercado reagiu positivamente ao acordo de leniência fechado pelo Ministério Público Federal com a J&F, holding da família Batista que controla a JBS. Como a multa, de R$ 10,3 bilhões, será paga no prazo de 25 anos exclusivamente pela J&F, a JBS ficou livre desse ônus. Suas ações subiram 9,05% na B3, a maior valorização de ontem do Ibovespa.

A JBS ganhou R$ 1,8 bilhão em valor de mercado e, embora não tenha se recuperado das perdas acumuladas desde 17 de maio, quando a delação premiada dos irmãos Batista veio a público, as reduziu de R$ 9,6 bilhões para R$ 3,9 bilhões.

O mercado trabalhava com a hipótese de divisão do valor da multa entre J&F, JBS e Eldorado, a empresa de celulose do grupo. O que provavelmente forçaria a JBS a vender alguns de seus bons ativos no exterior. Neste caso, tal como aconteceu com a Braskem, o investidor em ações da JBS acabaria pagando parte da conta por subornos de responsabilidade exclusiva do controlador. Ontem, analistas avaliavam que a JBS ficou protegida, embora desafios ainda persistam, como maior custo de crédito na rolagem de dívidas e novas multas nos EUA e no Brasil.

Com a definição da multa, a maior do mundo para violações a leis anticorrupção, o MPF tenta combater a percepção na sociedade de uma "superpremiação" concedida à pessoa física dos irmãos Batista em troca da delação. Mas o prazo dilatado de 25 anos para pagamento e correção pelo IPCA, sem juros, tornam as condições para o grupo mais favoráveis do que as pretendidas inicialmente pelo MPF.

A J&F obteve desconto de quase R$ 4 bilhões, em valor presente, no total a pagar no acordo. O MPF pediu R$ 10,99 bilhões, parcelados em 13 anos e correção pela Selic. O grupo propôs R$ 8 bilhões, com prazo mais longo e outro índice de correção. O acordo saiu, a valor presente, ao custo aproximado de R$ 7,2 bilhões. Pelo mesmo cálculo de valor presente, Odebrecht e Braskem, que dividiram a conta com seus acionistas, inclusive com a Petrobras, e foram parte de um cartel que aplicava sobrepreços a obras do setor público, vão pagar, juntas, R$ 6,63 bilhões. Sem contar que, como a multa da Odebrecht foi estabelecida pelo Departamento de Justiça dos EUA, ela nada mais tem a pagar por lá.

Fonte: valor.com.br