Vacinação em jovens do sexo masculino mostram que a inclusão contribui para a diminuição do câncer de colo do útero e vulva das mulheresMeninos de 12 a 13 anos já podem receber a vacina contra o vírus HPV pelo SUS em postos de vacinação de todo o Brasil, através da campanha de vacinação do Ministério da Saúde. A inclusão desse grupo tinha sido anunciada em outubro de 2016, mas só entrou em vigor em janeiro de 2017.
Estudos feitos em outros países que já adotaram a vacinação em jovens do sexo masculino mostram que a inclusão contribui para a diminuição do câncer de colo do útero e vulva das mulheres, já que possibilita a diminuição da circulação do vírus na população, o que beneficia o público feminino.
Além disso, os próprios meninos serão beneficiados, já que a vacina protege contra câncer de pênis, garganta, ânus e verrugas genitais, problemas também relacionados ao vírus.
A vacinação contra HPV para meninos também é aplicada nos Estados Unidos, Austrália, Áustria, Israel, Porto Rico e Panamá. A inclusão dos meninos na vacinação contra HPV segue a recomendação de sociedades médicas brasileiras como a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a Sociedade Brasileira de Pediatria.
A faixa etária dos meninos que podem receber a vacina será ampliada gradualmente até 2020, quando ela estará disponível para meninos de 9 a 13 anos.
Mudança
Outra mudança é que, a partir de 2017, meninas que chegaram aos 14 anos também poderão se vacinar. A vacinação também será estendida a homens que vivem com HIV entre 9 e 26 anos. Antes, só as mulheres com HIV desta faixa etária podiam se vacinar gratuitamente. No caso desse público, o esquema vacinal é de três doses.
Também entra em vigor a inclusão da vacina contra meningite C para meninos e meninas de 12 a 13 anos. Até 2020, a vacina deverá estar disponível a crianças de 9 a 13 anos. Hoje, essa imunização é oferecida apenas para crianças aos 3, 5 e 12 meses de idade. A meningite C é o subtipo mais frequente da doença, que é considerada grave e de rápida evolução.
Ituverava
De acordo com a enfermeira Ione Márcia Mendonça de Castro, coordenadora das campanhas de vacinação no município, a inclusão de meninos no público-alvo de vacinação é muito positiva.
Ainda de acordo com ela, a vacinação HPV em ambos os sexos está muito baixa. “Isso acontece porque os adolescentes em geral têm muitos temores sobre procedimentos invasivos e dolorosos e tendem a achar que estão imunes a doenças e situações de risco", afirma.
“Os pais muitas vezes interpretam a vacinação como um incentivo aos jovens para que tenham uma iniciação sexual mais precoce e esse é um dos mitos que dificultam a adesão as campanhas de vacinação contra o vírus HPV”, ressalta.
Doença
O papilomavírus humano (HPV) é uma doença sexualmente transmissível, com mais de 100 tipos diferentes de infecção. Entre as mais graves formas de manifestação, o HPV pode causar um dos tipos de câncer com maior incidência no país: o de colo de útero. A boa notícia é que a vacinação previne contra o vírus, em 90% dos casos.
A princípio, a doença não apresenta sintomas e, por isso, costuma ser diagnosticada em fases mais avançadas, quando começam a surgir sangramentos vaginais e dores pélvicas.
A vacina contra o HPV deve ser aplicada preferencialmente antes do início da vida sexual, pois, como ainda não houve contato com o vírus, as chances de proteção são maiores. Isso não significa, entretanto, que a imunização não deva ser feita após o início da vida sexual, pois devem ser vacinadas até mesmo as mulheres que já tiveram diagnóstico da doença, para prevenir-se contra novas infecções e lesões.
Disponibilidade da Vacina
Hoje, a vacina está disponível em campanhas do Ministério da Saúde e também na rede privada. Ela é indicada para meninos e meninas, a partir de nove anos e é um grande avanço no combate ao câncer de colo uterino. No entanto, ainda existem muitos mitos, medos e desconhecimento em torno do assunto, apesar de toda eficácia e seguranças comprovadas das vacinas existentes.
Além da vacinação contra o HPV, é importante praticar outras ações preventivas ao câncer de colo do útero, como a realização do exame de Papanicolau e o uso de camisinha em todas as relações sexuais.
Esclareça as principais dúvidas sobre a vacina
A vacina é por via oral ou é injeção?
O procedimento é realizado via intramuscular, ou seja, injeção de apenas 0,5 ml em cada dose.
Quem já teve diagnóstico de HPV pode vacinar?
Pode! Desde que esteja na faixa etária estipulada. Existem estudos com evidências promissoras de que a vacina previne a reinfecção ou a reativação da doença.
Por que a vacina HPV não é introduzida para todas as faixas etárias no País?
A vacina é potencialmente mais eficaz para adolescentes vacinados antes do seu primeiro contato sexual, uma vez que a contaminação por HPV ocorre juntamente ao início da atividade sexual.
A proteção dura a vida toda?
Até o momento, sabe-se com convicção que a vacina pode proteger por 9 anos, mas a imunidade relacionada à vacina ainda não foi determinada, principalmente pelo pouco tempo em que é comercializada no mundo, que é desde 2007.
Embora se trate da mais importante novidade que surgiu na prevenção à infecção pelo HPV, ainda é preciso aguardar o resultado de estudos em andamento para fornecer mais dados sobre a duração da proteção e necessidade de doses de reforço.
A vacina HPV pode ser administrada concomitantemente com outra vacina?
A vacina HPV quadrivalente pode ser administrada simultaneamente com outras vacinas do Calendário Nacional de Vacinação (PNI), sem interferências na resposta de anticorpos a qualquer uma das vacinas. Quando a vacinação simultânea for necessária, devem ser utilizadas agulhas, seringas e regiões anatômicas distintas.
A vacina HPV provoca algum efeito colateral?
A vacina contra o HPV é uma vacina segura e recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Já é utilizada como estratégia de saúde pública em quase 100 países que realizaram a aplicação de mais de 175 milhões de doses desde 2006, sem registros de evidências que pudessem pôr em dúvida a segurança dessa imunização.
Os eventos adversos mais comuns relacionados à vacina HPV são os mesmos relacionados às outras vacinas, como reações locais (dor, inchaço, e vermelhidão), dor de cabeça e febre, em menor incidência. Eventualmente, podem ocorrer desmaios, formigamento nas pernas, fatos que podem ser observados ao se aplicar medicações injetáveis em adolescentes e não relacionado especificamente à vacina HPV, mas ao medo de tomar injeção.
O que fazer se sentir alguns desses sintomas após ser vacinado?
Recomenda-se que a pessoa permaneça sentada por 15 a 20 minutos, imediatamente após receber a vacina sem fazer esforços para prevenir possíveis reações.
No caso da aparição de sintomas, durante os dias posteriores ao da vacinação, recomenda-se procurar uma unidade de saúde mais próxima relatando o que sentiu ou o que está sentindo.
Em quais situações a vacina contra o HPV não deve ser administrada em meninos/homens?
A vacina HPV é contraindicada e, portanto, não deve ser administrada em meninos/homens com: hipersensibilidade ao princípio ativo ou a qualquer um dos excipientes da vacina; história de hipersensibilidade imediata grave à levedura; ou que desenvolveram sintomas indicativos de hipersensibilidade grave após receber uma dose da vacina HPV.