Meninos de 11 a 15 anos também podem ser vacinados contra a doençaO Ministério da Saúde anunciou terça-feira, 20 de junho, a ampliação na oferta de vacina contra HPV para meninos de 11 a 14 anos, 11 meses e 29 dias. A medida tem o objetivo de aumentar a cobertura do público alvo - adolescentes do sexo masculino. Atualmente, a vacina contra a doença já é disponibilizada em meninos de 12 e 13 anos. Até 2016, o foco da campanha eram as meninas.
Segundo a pasta, a inclusão do novo grupo equivale a 3,3 milhões de adolescentes. A meta para 2017 é vacinar 80% dos 7,1 milhões de meninos de 11 a 15 anos e das 4,3 milhões de meninas entre 9 e 15 anos. A inclusão dos meninos contribuirá para o aumento da proteção de meninas.
“Nós temos que cuidar da imunização das nossas crianças, porque as estatísticas e estudos internacionais demonstram que, de fato, a vacina ajuda a reduzir os casos de câncer genital nessas pessoas imunizadas. Então, é mobilizar a sociedade e imunizar as pessoas”, disse o ministro da Saúde, Ricardo Barros.
A nova oferta também incluirá a cobertura de homens e mulheres transplantados e pacientes oncológicos em uso de quimioterapia e radioterapia. A medida inclui ainda cerca de 200 mil crianças e jovens, de ambos os sexos, de 9 a 26 anos vivendo com HIV/Aids.
Desde 2014, foram imunizadas 5,3 milhões de meninas de 9 a 15 anos com as duas doses da vacina contra o vírus HPV. Esse total corresponde a 45,1% do total dessa faixa etária.
Prevenção
A vacina contra o HPV contribui para redução da incidência do câncer de colo de útero e vulva nas mulheres. A imunização também previne câncer de pênis, ânus, verrugas genitais, boca e orofaringe.
Pesquisa realizada nos Estados Unidos, onde há vacinação desde 2006, apontou redução de 88% da infecção oral por HPV. Estudo realizado com homens de 18 a 70 anos do Brasil, México e Estados Unidos, aponta que os brasileiros têm mais infecção por HPV que mexicanos e norte-americanos, com índices de 72% no Brasil, 62% no México e 61% nos Estados Unidos.
A pesquisa apontou ainda que a incidência de câncer do pênis entre os brasileiros é três vezes maior que entre os norte-americanos.
Ituverava
Segundo a enfermeira Ione Márcia Mendonça de Castro, coordenadora das campanhas de vacinação no município, a inclusão de meninos no público-alvo de vacinação é positiva.
Ainda de acordo com ela, a vacinação HPV em ambos os sexos é pequena. “Isso acontece porque os adolescentes em geral têm muitos temores sobre procedimentos invasivos e dolorosos e tendem a achar que estão imunes a doenças e situações de risco", afirma.
“Os pais muitas vezes interpretam a vacinação como um incentivo aos jovens para que tenham uma iniciação sexual mais precoce e esse é um dos mitos que dificultam a adesão as campanhas de vacinação contra o vírus HPV”, ressalta.
Entre 80 e 90% da população já tiveram contato com o vírus
HPV é um vírus que atinge a pele e as mucosas, podendo causar verrugas ou lesões percursoras de câncer, como o câncer de colo de útero, garganta ou ânus. O nome HPV é uma sigla inglesa para “Papiloma vírus humano” e cada tipo de HPV pode causar verrugas em diferentes partes do corpo.
O HPV é um vírus que se transmite no contato pele com pele, por isso pode ser considerado uma doença sexualmente transmissível. No primeiro contato sexual 1 em cada 10 meninas chega a entrar em contato com o vírus.
Conforme o tempo passa, entre 80 e 90% da população já entrou em contato com o vírus alguma vez na vida, mesmo que não tenha desenvolvido lesão. Mas é importante lembrar que mais de 90% das pessoas conseguem eliminar o vírus do organismo naturalmente, sem ter manifestações clínicas.
Tipos
Existem mais de 200 tipos de HPV. Até hoje 150 deles já foram identificados e sequenciados geneticamente.
Entre esses tipos, 14 apenas podem causar lesões precursoras de câncer, como o câncer de colo de útero, garganta ou ânus. 70% dessas lesões são causadas pelos HPVs tipo 16 e 18, enquanto o HPV 31, 33, 45 e outros tipos menos comuns são encontradas nos casos restantes.
Já os HPVs tipo 6 e 11 também são bastante comuns em mulheres, mas causam apenas verrugas genitais.
O tipo de HPV é detectado através de dois tipos de exames: o teste genético PCR e o teste de captura híbrida. Esses testes podem trazer informações como o tipo, a carga viral ou até marcar se esse HPV é ou não oncogênico, ou seja, se pode evoluir para um câncer.
Causas
O HPV é um vírus que se transmite no contato pele com pele, por isso pode ser considerado uma doença sexualmente transmissível, até porque 98% das transmissões ocorrem através do contato sexual. Mas diferente das outras DSTs, não é preciso haver troca de fluídos para que a transmissão ocorra: só o contato do pênis com a vagina, por exemplo, já ocasiona a transmissão do vírus.
Sintomas de HPV
O principal sintoma do HPV é o surgimento de verrugas ou lesões na pele, normalmente uma manchinha branca ou acastanhada que coça. Muitas vezes, no entanto, a lesão pode não ser visível a olho nu, aparecendo em exames como colposcopia, vulvoscopia e peniscopia.
No organismo feminino, as lesões costumam se desenvolver na vulva, vagina, colo do útero. Na genitália masculina, o pênis é o local mais comum para aparecimento do HPV.
Em ambos os gêneros, o ânus, garganta, boca, pés e mãos são locais em que o vírus do HPV costuma se manifestar.
Mais de 90% das pessoas conseguem eliminar o vírus do HPV do organismo naturalmente, sem ter manifestações clínicas.
Diagnóstico de HPV
Normalmente a descoberta do HPV acontece em algum exame de rotina, como o papanicolau, colposcopia, vulvoscopia, peniscopia ou anuscopia. Nesses exames pode ser usado um reagente corante, que facilitará na procura de lesões feitas com um aparelho especial, que permite visualizar com um aumento a superfície da pele e das mucosas.
Quando a lesão é encontrada, é feita uma biópsia em que parte da lesão é retirada para análise do tecido e DNA do vírus causador da lesão. Exames como o teste genético PCR e o teste de captura híbrida podem trazer informações como o tipo, a carga viral ou até marcar se esse HPV é ou não oncogênico, ou seja, se pode evoluir para um câncer.
Além disso, existem testes genéticos capazes de detectar a presença do vírus HPV no organismo, o chamado teste do HPV. Normalmente ele é indicado para mulheres com mais de 30 anos, época em que a maioria das mulheres já teve chance de eliminar os vírus que pode ter adquirido no começo da vida sexual.
Prevenção
Além disso, a vacina do HPV é uma forma interessante de prevenir a doença. Existem duas vacinas para prevenção HPV aprovadas e registradas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e que estão comercialmente disponíveis: a vacina quadrivalente, que confere proteção contra HPV 6, 11, 16 e 18. A outra opção é a vacina bivalente, que confere proteção contra HPV 16 e 18.
De acordo com a literatura científica, as vacinas contra o HPV previnem aproximadamente 70% dos casos de câncer de colo do útero, aqueles causados pelos HPV 16 e 18. Isso não elimina, porém, a necessidade de as mulheres passarem por consultas de rotina ao ginecologista para a realização de exames preventivos.
A vacina contra o HPV é mais uma estratégia possível para o enfrentamento do problema e um momento importante para avaliar se há existência de DST. Ela funciona estimulando a produção de anticorpos específicos para cada tipo de HPV. A proteção contra a infecção vai depender da quantidade de anticorpos produzidos pelo indivíduo vacinado, a presença destes anticorpos no local da infecção e a sua persistência durante um longo período de tempo.