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O secretário de Saúde de Franca, Rodolfo Moraes, afirma que fila de espera diminuiu (Foto: Reprodução/EPTV)
26/06/2017

PACIENTES EM FRANCA, SP, ENFRENTAM MESES DE ESPERA PARA AGENDAR CONSULTAS MÉDICAS NA REDE PÚBLICA






Há três meses, a coladeira Sirlene Nascimento acorda de madrugada e segue para a fila da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Jardim Leporace, em Franca (SP), para tentar agendar uma consulta com um ginecologista. Na semana passada, Sirlene repetiu a rotina e mais uma vez ficou sem saber quando poderá ser atendida. “A resposta é a mesma de sempre, que é pra eu vir de manhã pra aguardar a vaga porque eles não estão marcando a consulta”, diz.



Casos como o de Sirlene se repetem nas unidades de saúde e ambulatório médico de especialidades. Pacientes relatam que não há especialistas suficientes para atendimento na rede municipal de saúde e dizem que a espera pode chegar a anos.



A Prefeitura admite a falta de médicos especialistas em algumas áreas, principalmente na ginecologia, mas afirma que desde janeiro deste ano, o número de pacientes na fila à espera de consultas passou de 11,5 mil para 5,5 mil em junho.



Peregrinação

Sirlene relata o desgaste para agendar uma consulta com um ginecologista. Como a família tem histórico de câncer, a coladeira afirma que se planeja para realizar os médicos periódicos uma vez ao ano, mas há três meses ela tenta, sem sucesso, a avaliação.



“Minha mãe teve câncer no útero e até faz os acompanhamentos, tem que fazer os exames, e a gente tem que prevenir. Eu tenho esse costume de todo ano passar pelo médico, fazer os exames para ver se está tudo certo, mas esse ano eu ainda não consegui nenhuma vaga.”



Ela afirma que enfrentou a mesma situação no ano passado e que esteve todos os dias por dois meses na unidade de saúde até conseguir agendar a consulta que foi feita no fim de 2016.



A mesma reclamação é compartilhada pela cabeleireira Jéssica Tamires da Silva, que espera por uma vaga há cerca de três meses. “Eu preciso trocar uma receita, porque o remédio que eu estou tomando está me fazendo mal. Dizem que só está tendo vaga pra gestante e olhe lá. É a única coisa que falam e falam para vir aguardar vaga. A gente vem, fica aqui na madrugada e não adianta”, diz.



A vigilante Rosa Gimenes protesta e cobra uma solução da Secretaria Municipal de Saúde. “Só tem vaga de ginecologista pra grávida. E o resto? Vai ficar com dor, vai ficar com infecção, problema de colo de útero. Eu estou com problemas e você sabe que está com problemas porque está doendo, porque está tendo sintomas, mas como vai tratar? Sozinha? A secretaria precisa acordar e ver que está faltando médico. Não tem condição mais.”

Afastada do trabalho por problemas de tendinite e bursite no ombro, a serviços gerais Lúcia Helena Moraes busca uma consulta com um ortopedista porque precisa apresentar um laudo atestando a doença para fazer a perícia. Lúcia, no entanto, não consegue uma vaga.



“Eu tenho até o dia 30 deste mês pra apresentar o laudo e não consigo a consulta. Eu também perdi a minha receita, e preciso de um médico. Eu não aguento a dor, e não estou conseguindo nem pra receita. Hoje eu passei na Secretaria e pediram pra eu voltar no Planalto [unidade de saúde] de novo.”



Fila reduziu, mas não é o ideal

O secretário de Saúde de Franca, Rodolfo Moraes, admite que a rede municipal apresenta gargalos, principalmente na ginecologia e na ortopedia, mas afirma que houve uma redução expressiva na fila de espera para consultas desde o início do ano, quando houve a troca de comando na prefeitura.

“No início do ano, a gente encontrou uma situação com 11,5 mil encaminhamentos parados nas UBSs, com gente esperando há 2 anos por uma consulta. Hoje, em junho, a gente trouxe isso pra 5,5 mil, diminuiu pela metade.”

Segundo Moraes, um núcleo de gerenciamento de vagas foi criado, o que viabiliza um melhor aproveitamento das vagas nos Núcleos de Gestão Assistencial (NGA) e no Ambulatório Médico de Especialidades (AME).

Apesar de afirmar que 21 novos médicos aprovados em concursos ingressaram na rede nos últimos dias, Moraes afirma que há processos seletivos sem interessados. Segundo ele, os salários oferecidos são considerados pouco atrativos.

“Fizemos dois concursos públicos para tentar aumentar e trazer a oferta, mas não teve nenhum interessado em assumir as vagas. Estamos partindo pra um rumo de comprar esse serviço, de fazer parcerias dentro do SUS pra poder aumentar o número de consultas por mês. Essa fase parece simples, mas tem todo um envolvimento burocrático e finanças que têm que se adequar pra poder fazer isso dar certo. Esse é o caminho de imediato que a gente vai tomar.”

Fonte: g1.globo.com