A Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, aplicou nesta terça-feira (27) uma multa recorde de € 2,4 bilhões ao Google por ter favorecido seu comparador de preços, o Google Shopping, dentro do serviço do próprio buscador.
O Google informou em nota que estuda recorrer da multa.
Margrette Vestager, a comissária europeia para concorrência, afirmou, em nota, que "o que o Google fez é ilegal de acordo com as regras antitruste da EU".
“Google criou muitos produtos e serviços inovadores que fizeram a diferença em nossas vidas. Essa é uma coisa boa. Mas a estratégia do Google para seu serviço de comparação de compras não era só para atrair consumidores ao fazer seu produto melhor do que o de outros rivais", disse a comissária.
"Em vez disso, o Google abusou de seu domínio de mercado como uma ferramenta de busca ao promover seu próprio serviço de comparação de compras em seus resultados de busca e removendo os serviços de seus competidores”, pontuou Margrette Vestager, a comissária europeia para concorrência.
"Ele negava a outras companhias a chance de competir no mérito e de inovar. E, mais importante, ele negava aos consumidores europeus a genuína escolha de serviços e todos os benefício da inovação", completou.
O caso
O caso se arrasta desde 2010 e foi iniciado quando os concorrentes americanos Microsoft e TripAdvisor denunciaram a Google à UE. Em abril de 2015, a Comissão Europeia emitiu uma “comunicação de objeções”, o equivalente a uma acusação, reforçada em 2016.
Durante cinco anos, o ex-comissário de concorrência, Joaquín Almunia, tentou junto ao Google encontrar um meio para que as reclamações fossem atendidas. Para chegar a uma conciliação, a Comissão alterou a proposta de solução três vezes.
A Comissão Europeia acusa o Google de favorecer as páginas de seus serviços de comparação de preços em seu motor de busca.
Para isso, aponta a UE, a empresa prejudicava as ferramentas de busca de concorrentes, como o Bing, da Microsoft. Segundo o órgão executivo europeu, a ação do Google só foi possível porque a empresa usou seu amplo poder nesse segmento, já que concentra 90% das buscas na internet na Europa.
Em 2015, quando a denúncia foi formalizada, o Google minimizou seu papel na internet. Comparou sua atuação à de uma porta de entrada. Considerou ainda que a acusação é equivocada, já que há outras opções de busca na internet. Citou como opções aos seus serviços Bing, Yahoo, Quora, DuckDuckGo, Facebook, Pinterest, Twitter e Amazon.
Em casos de acusações de abuso de posição dominante, a multa recorde até então emitida pela Comissão Europeia havia sido de € 1,06 bilhão contra a fabricante americana de multiprocessadores Intel, em 2009, segundo a France Presse.
Android
A União Europeia avalia outros casos contra o Google por abuso de posição dominante. Um sobre sua plataforma de anúncios AdSense, e outro, sobre o sistema operacional Android.
O objetivo da bloco europeu é "avaliar se, ao concluir acordos contrários à concorrência ou cometendo abusos de sua posição dominante, o Google prejudicou de forma ilegal desenvolvimento e acesso ao mercado de sistemas operacionais para telefonia móvel”.
Fonte: g1.globo.com