AGRICULTURA

Máquinas produzidas pela empresa Busa
30/07/2017

BUSA LIDERA TECNOLOGIA NA PRODUÇÃO DE ALGODÃO


Equipamentos de primeira geração da empresa foram destacados em programa de TV no Maranhão

Na última semana, a Fazenda Parnaíba, no Estado do Maranhão, foi tema de reportagem da TV Paranaíba a respeito da produção de algodão. Um dos focos da extensa matéria – quase 9 minutos – foi a tecnologia empregada pela fazenda nesse processo, com máquinas fabricadas pela Busa Máquinas e Implementos Agrícolas, empresa localizada em Guará e de propriedade do empresário ituveravense Luiz Carlos Rodrigues (“Busa”).

A reportagem mostra todas as etapas no processo de produção do algodão, passando pelo transporte da matéria-prima até a fazenda, desfibramento, prensa, pré-limpeza, separação, classificação e embalagem, destacando que todas elas são feitas com as máquinas da Busa.

De cada fardo de algodão produzido, é retirada uma amostragem para atestar a qualidade do produto, o que é feito em Goiânia (GO). Em seguida, o produto é enviado as fiações, sendo 90% no exterior e 10% no Brasil.

Referência de alta tecnologia
Em entrevista concedida à Tribuna de Ituverava, o empresário Luiz Carlos Rodrigues (“Busa”), explica que as máquinas produzidas pela empresa são consideradas referência devido à alta tecnologia, que permitem que cada passo seja com muita agilidade e precisão. “Hoje existem apenas três empresas no mundo que trabalham com toda essa tecnologia, são duas nos Estados Unidos e a outra é a Busa”, afirma.

“Por conta disso, nossas máquinas e equipamentos espalhados pelo Brasil e também no exterior. Temos uma grande quantidade de clientes e parceiros na América do Sul, América Central, África, Ásia e também nos Estados Unidos”, ressalta.

História do algodão é marcante em Ituverava
Com saudosismo, Busa lembra que Ituverava já foi um dos principais polos de algodão do país, situação bem diferente dos dias atuais, devido ao alastramento da cana-de-açúcar.

“Ituverava já foi a segunda maior exportadora de algodão do mundo e que tinha a maior frota de colheitadeiras em nível mundial. É uma história muito bonita, mas que infelizmente ficou no passado”, ressalta o empresário.

No município, o cultivo do algodão abastecia apenas os teares domésticos, até que na década de 30 espalhou-se pelas lavouras, como alternativa econômica para substituir o café.

O solo era fértil, clima propício (mais seco), mão-de-obra abundante e barata (pelo declínio dos cafezais), condições favoráveis que propiciaram bons lucros.

A demanda por esse produto estava em alta, devido ao crescimento da indústria têxtil paulista. Também foi importante a instalação no município de algumas empresas da área de grande porte, como a Anderson Clayton e Sanbra (Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro), que fabricavam óleo e tortas, propiciando a integração vertical da cadeia produtiva do algodão, e estímulo à sua produção.

Desenvolvimento da cotonicultura
O Estado de São Paulo apoiou o desenvolvimento da cotonicultura, por meio do Instituto Agronômico de Campinas, que desenvolveu pesquisas tecnológicas que permitiram o desenvolvimento de novas variedades de algodão, com fibras mais longas, mais resistentes e de maior produtividade.

Outra contribuição importante foi a atuação das Casas da Lavoura, liada à Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, por meio da criação de campos de cooperação para a produção de sementeiras selecionadas, introdução de variedades mais produtivas e de ciclo vegetativo mais curto, adoção de medidas preventivas contra pragas, fiscalização sanitária das algodoeiras, além de orientação técnica aos agricultores.

Estes fatores surtiram efeitos satisfatórios imediatos e colocaram o município em destaque, tornando-se um polo cotonicultor nacional. Com o algodão, a mão-de-obra deixou de ser o colonato do café e passou a temporária, oferecendo maior oportunidade de empregos, somente na ocasião da colheita. Contratavam-se trabalhadores volantes, que foram precursores dos bóias-frias.

Cabe ressaltar a presença do imigrante japonês, de fundamental importância no desenvolvimento da cotonicultura em Ituverava, representado pelo Grupo Maeda, grande produtor nacional e presente em vários setores (plantio, beneficiamento, produção de sementes, fios, gordura vegetal e subprodutos, como línter e farelo de algodão). Outras famílias japonesas que produziram algodão no município foram Mine, Hashimoto e Ide.

Takayuki Maeda se tornou peça fundamental para a agricultura
Entretanto, é impossível falar da história do algodão sem citar o nome de Takayuki Maeda, conhecido como o rei do algodão.

Ele, que faleceu em 14 de junho de 2008, aos 83 anos, é considerado um exemplo de dedicação à agricultura e um dos responsáveis pelo desenvolvimento do algodão no Brasil, além de ter sido profundamente envolvido com causas sociais no município, ajudando diversas entidades, como o Abrigo de Idosos, que hoje leva seu nome e geriu e colaborou com inúmeros programas de responsabilidade social, em especial a recuperação da Santa Casa de Ituverava, que é hoje considerada uma das melhores da região.

A família Maeda chegou ao Brasil em 1927 através do patriarca Tsunesaemun Maeda que em 1951 já passava a administração dos negócios ao filho Takayuki Maeda, também vindo do Japão. Aqueles ainda eram dias difíceis, em que Takayuki Maeda saía ainda de madrugada para trabalhar na lavoura.

Mas a vida sofrida no campo, logo se transformaria em oportunidade de crescimento, com a compra de pequenas fazendas na região de Ituverava. Aos poucos, os espaços foram sendo conquistados por Ta-kayuki com muito trabalho e dedicação.

Crescimento
Em menos de 15 anos, Maeda já se destacava e resolveu abrir novas fronteiras agrícolas. Comprou terras em Itumbiara (GO). Em pouco tempo, chegou a empregar 15 mil pessoas na colheita nos Estados de São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso, o que fez com que recebesse o título de Rei do Algodão.

Takayuki Maeda liderou um conglomerado agrícola, o Grupo Maeda, que gerou divisas e inúmeros empregos, fortaleceu o comércio, e elevou o nome de Ituverava por todo o país – e mostra que, para crescer, não basta trabalhar muito, ser honesto e manter a família unida. É preciso também confiar na capacidade dos outros e dar uma força a quem o ajuda a crescer. “Ninguém cresce sozinho”, era um dos lemas de Takayuki, assim como outra frase bastante conhecida dita frequentemente por ele “Se puder, ajude”.

Nos anos 90, o algodão passou por uma grave crise. A indústria têxtil parou de comprar algodão brasileiro e a área plantada caiu para um terço. Takayuki venceu a crise e entregou os negócios para o filho, Jorge Maeda.