GERAL

Idosos sofrem diversas formas de violência
21/08/2017

VIOLÊNCIA CONTRA IDOSOS TEM AUMENTADO A CADA ANO


A negligência é uma das formas de violência mais presentes no país, de acordo com especialistas no assunto

Todo dia, pessoas com mais de 60 anos sofrem por sua idade. Violência física, psicológica, patrimonial e negligência. Só no Disque 100, serviço do Governo Federal, foram registradas 62.563 denúncias de violência contra o idoso em 2015. Um crescimento de 15,8%, se comparado às 54.029 do ano anterior. Os dados de 2016 ainda não foram divulgados.

Das 171 notificações diárias, em média, de violação dos direitos dos idosos, a maior parte (39%) é por omissão de cuidados em geral, dos próprios familiares. Em seguida, estão registros de violência psicológica (26,1%), abuso financeiro (20%) e violência física (13,8%).

A negligência é uma das formas de violência mais presente no país, aponta a socióloga Maria Cecília Minayo na cartilha “Violência contra Idosos – o Avesso de Respeito à Experiência e à Sabedoria”, editada pela Secretaria Especial de Direitos Humanos do Ministério da Justiça e da Cidadania.

Para especialistas, no entanto, há subnotificação dos casos. “Os números que chegam ao Disque Denúncia são apenas a ponta do iceberg que esconde a violência contra a pessoa idosa no nosso país”, afirma a gerontóloga Marília Viana Berzins, presidente do OLHE – Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento.

Medo ou vergonha
“Os idosos têm medo e vergonha de fazer a denúncia, principalmente se o agressor está dentro de casa”, ainda mais se for filho, filha, nora, genro ou neto, avalia a terapeuta ocupacional Mariela Besse, presidente do departamento de gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG – SP).

“Quando há uma íntima relação de proximidade entre a vítima e o agressor, é difícil romper a cadeia de violência”, diz Marília. Diante dela, “o idoso poderá ter reações de medo, vergonha ou culpa pelo fracasso das relações afetivas”, explica Mariela, justificando por que muitos não levam o caso a público.

Devido a esse cenário, a informação e prevenção são os melhores antídotos. “Não podemos concordar que seja normal pessoas terem seus direitos violados”, pontua Marília. “Avançaremos não permitindo a naturalização da violência nas suas mais diversas manifestações, protestando em todos os sentidos, até mesmo no transporte coletivo, quando um idoso for maltratado por um passageiro ou por um motorista, por exemplo”.

Frentes a serem trabalhadas
Mariela, da SBGG, reforça que há várias frentes a serem trabalhadas. “Uma delas é empoderar o idoso, para que ele conheça seus direitos, tenha voz ativa e se defenda. É preciso fazer cada vez mais campanhas de conscientização para levar informações e orientações sobre o que é violência contra os idosos, que isso não é normal e que há, sim, punição, porque isso é um crime”.

E Marília lembra que “é infinito o número de pessoas com mais de 60 anos que sofrem calados nos seus lares, vítimas de violência psicológica, física, privação de alimento, abandono, negligência e tantas outras formas”. Por isso “temos de assumir o compromisso público pela dignidade e pela defesa dos direitos, rompendo o pacto do silêncio que existe em relação à violência contra a pessoa idosa”.

Tipos de violência contra o idoso
Violência física


É o uso da força física para compelir os idosos a fazerem o que não desejam, para feri-los, provocar dor, incapacidade ou morte.

Violência psicológica


Corresponde a agressões verbais ou gestuais com o objetivo de aterrorizar, humilhar, restringir a liberdade ou isolar do convívio social.

Violência sexual


Refere-se ao ato ou jogo sexual de caráter homo ou hetero-relacional, utilizando pessoas idosas. Esses abusos visam a obter excitação, relação sexual ou práticas eróticas por meio de aliciamento, violência física ou ameaças.

Abandono


É uma de violência que se manifesta pela ausência ou deserção dos responsáveis governamentais, institucionais ou familiares de prestarem socorro a uma pessoa idosa que necessite de proteção e assistência.

Negligência


Refere-se à recusa ou à omissão de cuidados devidos e necessários aos idosos por parte dos responsáveis familiares ou institucionais. É uma das formas de violência mais presentes no país. Ela se manifesta frequentemente associada a outros abusos que geram lesões e traumas físicos, emocionais e sociais, em particular, para as que se encontram em situação de múltipla dependência ou incapacidade.

Violência financeira ou econômica


Consiste na exploração imprópria ou ilegal ou ao uso não consentido pela pessoa idosa de seus recursos financeiros e patrimoniais.

Autonegligência


Diz respeito à conduta da pessoa idosa que ameaça sua própria saúde ou segurança, pela recusa de prover cuidados necessários a si mesma.

Violência medicamentosa


É administração por familiares, cuidadores e profissionais dos medicamentos prescritos, de forma indevida, aumentando, diminuindo ou excluindo os medicamentos.

Violência emocional e social


Refere-se a agressão verbal crônica, incluindo palavras depreciativas que possam desrespeitar a identidade, a dignidade e a autoestima. Caracteriza-se pela falta de respeito à intimidade, falta de respeito aos desejos, negação do acesso a amizades, desatenção a necessidades sociais e de saúde.

Organização afirma que um em cada 6 idosos sofre violência
Um em cada seis idosos é vítima de algum tipo de violência em todo o mundo, mostra relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicado na revista Lancet Global Health.

Segundo o estudo, 16% das pessoas com mais de 60 anos sofreram algum tipo de abuso. Entre os casos, estão negligência e violência psicológica, física e sexual.

Os dados foram coletados de 52 estudos realizados em 28 países e indicam que a violência contra idosos está aumentando. Segundo a OMS, “para os 141 milhões de pessoas idosas no mundo que sofrem com o problema, isso tem um custo individual e coletivo sério”.

A organização estima que, em 2050, o número de idosos vai dobrar, chegando a 2 milhões. A grande maioria estará vivendo em países de baixa e média rendas. Se a proporção de vítimas continuar como atualmente, o número de idosos afetados por abusos ou violência pode alcançar 320 milhões até lá, de acordo com o relatório.

Abusos em casa
A especialista independente da ONU sobre Direitos Humanos, Rosa Kornfeld-Matte, afirmou que “muitos idosos correm o risco de sofrerem abusos por seus próprios familiares”. Segundo Kornfeld-Matte, a maioria dos casos de acontece de forma discreta e passa despercebida. Ela pediu mais vigilância e mais relatos de casos suspeitos.

A representante da ONU afirmou que “as pessoas não devem fechar os olhos para o destino dos idosos, mesmo quando seja difícil aceitar que a própria família não seja sempre um porto seguro”.

Rosa Kornfeld-Matte pediu a todos que suspeitem de qualquer forma de violência a idosos, incluindo financeira, que denunciem o caso.

Conselho Municipal do Idoso tem importante papel de proteção
Em Ituverava, um importante órgão em defesa dos direitos dos idosos é o Conselho Municipal do Idoso, que tem como objetivo propor políticas e atividades de proteção e assistência aos idosos no Município, além de receber reivindicações e denúncias, atuando no sentido de resolvê-las.

Também busca informar e orientar a população idosa acerca de seus direitos, bem como desenvolver campanhas educativas junto à sociedade.

Nesta semana, foram divulgados os membros do conselho para o ano 2017/2018.

Confira no quadro abaixo:
I – Representantes do Poder Público



1 – Secretaria Municipal de Saúde

Titular – Sara Ana Urbinati

Suplente – Denise Azevedo Tanajura Chicote



2 - Secretaria Municipal da Educação

Titular – Dânia Maria Souza Silva

Suplente – Eurípedes César Avanci Teixeira



3 – Secretaria Municipal da Assistência Social

Titular – Luciana de Lima Gambi

Suplente – Jacqueline Santos Souza Monteiro



4 – Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Lazer

Titular – Fernando Caetano de Souza

Suplente – Francisco Lima da Silva



Representantes da Sociedade Civil



1 – Representante de Organizações de Atendimento ao Idoso em Regimento Interno

Titular – Mateus Scapim Cardoso

Suplente – Nadir Barbosa de Resende



2 – Representante de Sindicatos de Aposentados ou de Associações de Aposentados

Titular – Therezinha de Paula Henrique Lino

Suplente – Leonídia Nicolini Silva



3 – Representante do Centro de Convivência da Terceira Idade



Titular – João Gonçalves Delgado Sobrinho

Suplente – Wilma Lúcia Vieira Delgado



4 – Representante do Curso de Direito da FEI – Fundação Educacional de Ituverava

Titular – Júlia Maria de Souza Chagas

Suplente – Amanda Pereira da Silva