Um projeto da USP de Ribeirão Preto (SP) busca crianças voluntárias a participarem de um programa que utiliza o videogame como ferramenta contra a obesidade e o sedentarismo. O objetivo é constatar os efeitos de jogos eletrônicos de dança e simulação de esportes como estímulo para atividades físicas reais e para um estilo de vida mais saudável.
A iniciativa tem base em uma pesquisa apontando que 30,9% das crianças matriculadas em escolas estaduais estão acima do peso, condição associada à preferência delas pelo videogame e TV em detrimento dos exercícios.
"Temos crianças que já reduziram o peso, temos crianças que buscaram outras atividades físicas depois de se encontrar no projeto. O beneficio é grande", afirma a pesquisadora Renata Paulino Pinto, educadora física responsável.
Para participar, as crianças precisam estar acima do peso e ter entre 6 e 11 anos. Elas passarão por avaliação médica, orientações com nutricionista, além de testes de massa corporal, altura, peso e ansiedade.
Depois de inscritas, elas devem permanecer pelo tempo mínimo de três meses no projeto. As sessões acontecem duas vezes por semana no Laboratório de Exercício e Mídia Interativa, anexo ao Ginásio Poliesportivo da Escola de Educação Física.
De acordo com Renata, desde o início do ano 16 pessoas participaram e pelo menos mais 40 são procuradas para ampliar os resultados dos estudos. Pais interessados devem enviar e-mail para renatapaulinopinto@gmail.com ou entrar em contato pelo telefone (16) 99205-5347.
Obesidade e sedentarismo
Em uma pesquisa com 505 crianças matriculadas em escolas da rede estadual de Ribeirão Preto, a educadora física apontou que 30,9% delas estavam acima do peso. A maioria delas, em torno de 92, tinha sobrepeso, enquanto 63 já apresentavam traços de obesidade.
No mesmo estudo, Renata associou a essa estatística a ausência de hábitos saudáveis na rotina dos mais novos.
Além da alimentação desregrada, com açúcar, fast food e refrigerantes, ela notou que 65% dos participantes não praticavam atividade física, mas que a grande parte deles - 74% - admite usar equipamentos eletrônicos diariamente.
"Se deixar, o mundo de hoje faz com que a criança se torne cada vez mais sedentária. As próprias mudanças ocorridas na sociedade fazem que elas fiquem mais tempo dentro de casa", diz.
Como consequência, ela notou casos de hipertensão e diabetes entre os mais novos. "Além da obesidade infantil e desse sobrepeso, as doenças associadas já estão atacando principalmente as crianças. Doenças conhecidas em adultos hoje já estão sendo conhecidas em crianças", afirma a pesquisadora.
Fonte: g1.globo.com