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15/09/2017

BOMBEIRO APOSENTADO É PRESO ACUSADO DE FRAUDAR LICITAÇÕES




Uma quadrilha especializada em fraudar licitações em Câmaras Municipais e Prefeituras foi desmantelada ontem pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão e 22 de prisão temporária. Dentre os investigados estão servidores públicos, empresários, assessores legislativos e um vereador. O bombeiro aposentado Paulo César de Oliveira, que trabalhou no quartel de Franca, foi preso no Jardim Aeroporto.



A operação denominada “Arquivos Deslizantes”, que são móveis de escritório para guardar documentos, é resultado de investigação iniciada em 2015 e tem por foco licitações para a compra de módulos de arquivos por prefeituras e Câmaras. Foram identificadas mais de 70 licitações fraudadas pelo grupo, que provocaram prejuízos aos cofres públicos de mais de R$ 8 milhões.



Os mandados foram cumpridos em São Paulo, Belo Horizonte, Piracicaba, Campinas, São José do Rio Preto, ABC e Franca. Participam da operação 23 promotores de Justiça e cerca de 90 policiais. O dia estava amanhecendo quanto as autoridades chegaram na casa do bombeiro no Jardim Aeroporto. A empresa estava cadastrada no mesmo endereço, mas nada foi encontrado no local. Ele foi conduzido para a sede do Gaeco, onde prestou depoimento. No final da manhã, foi levado para o presídio militar Romão Gomes. Paulo César era cabo e se aposentou há cerca de cinco anos. Não foi possível contato com ele.



Em nota, o MP informou que ao menos 15 empresas de São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco, que atuavam no ramo de arquivos deslizantes na fabricação, comercialização e representação comercial, estavam envolvidas no esquema. Seus sócios possuem comprovada vinculação entre si e participavam de licitações simulando concorrência. Em princípio, não foram constatadas fraudes na região de Franca.



As fraudes ocorreram em diversos órgãos públicos, principalmente nas Câmaras, em razão da facilidade que um dos integrantes da organização, que seria o líder do grupo, possui por ser vereador de Catanduva há vários anos, tendo, inclusive, já presidido a Câmara daquela cidade. As empresas participavam das licitações após prévio ajuste entre elas para que uma do grupo se sagrasse vencedora.



Foi apurado que havia alternância entre as companhias que deveriam vencer cada licitação. O MP afirma que há demonstração inequívoca da participação de agentes públicos, os quais não só sabiam dos ajustes entre as empresas, mas agiam de modo a preparar editais e seus anexos para que os objetos licitados fossem direcionados aos integrantes do grupo. As prisões temporárias são válidas por cinco dias, podendo o prazo ser prorrogado.

Fonte: gcn.net.br