Brasil é um dos países com maior desigualdade social no mundoCom 16 milhões de pessoas em situação de pobreza extrema, o Brasil é um dos países com maior desigualdade social no mundo. Enquanto muitos esbanjam com gastos exorbitantes, muitas vezes com o dinheiro público é que estamos vendo, outros sofrem com o desemprego, falta de acesso à educação de qualidade e dificuldade aos serviços básicos, como saúde, transporte público e saneamento básico.
Um dos reflexos disso é o crescimento no número de moradores de rua, que tem ocorrido em todo o país. No Centro do Rio de Janeiro, por exemplo, 60 pessoas dormem diariamente na calçada da Defensoria Pública. Segundo a Prefeitura, o número de moradores de rua triplicou na cidade em três anos e subiu de cinco mil, em 2013, para quase 15 mil em 2016.
Carlos Manoel Gomes, de 28 anos, está no Rio de Janeiro há três meses e dorme nas ruas. Para fazer a barba e escovar os dentes, ele usa o banheiro do aeroporto. No local, há vários moradores de rua que fazem o mesmo.
Na capital paulista, há entre 20 mil a 25 mil moradores de rua e 3% são crianças. Enquanto a população de São Paulo cresce, em média, 0,7% ao ano, o número de moradores de rua aumenta 4,1%.
Tamires Silva mora há oito meses em uma praça no Centro de São Paulo com os dois filhos, Alef de dois anos e Tainá de quatro, e está grávida do terceiro. Ela trabalhava em uma confeitaria e morava com a mãe.
Desde novembro, está desempregada.
Enquete
Para saber o que a população pensa a respeito da prática de dar esmolas e sobre a situação dos moradores de rua em Ituverava, a Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana.
Ituverava
Na cidade, a situação também é preocupante. São muitos moradores de rua espalhados por toda a cidade, especialmente em praças públicas, sobretudo a Praça Dez de Março e a Praça Hélvio Nunes da Silva.
Além de ser um problema social, a questão envolve outras áreas, como segurança pública, pois muitos desses moradores de rua são usuários de drogas e, para suprir seus vícios, são capazes de cometer crimes como assaltos e furtos.
Além disso, usam drogas em público e abordam – algumas vezes de maneira agressiva – as pessoas que passam pelas praças. É importante lembrar que muitos pais levam crianças nesses locais para passear, e elas ficam expostas a situações de risco.
O capitão Helder de Paula, comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar de Ituverava, alerta sobre o problema. “Com base em reclamações que tivemos por parte da população, realizamos algumas abordagens em praças públicas e constatamos que alguns desses moradores estavam prejudicando a ordem pública. Alguns possuem antecedendo criminais por crimes como roubos, furtos e tráficos, e vários deles não são de Ituverava”, observa o comandante.
“É importante lembrar que não é crime essas pessoas estarem nas ruas. O problema passa a existir quando elas colocam em risco a segurança pública ou quando prejudicam a ordem pública”, ressalta.
Dar esmolas pode proporcionar prejuízos aos próprios pedintes.
Uma das questões que contribuem de maneira significativa para que o número de moradores de rua continue aumentando é a esmola. Bem-intencionados, as pessoas doam dinheiro aos pedintes, que alegam que é para comprar comida. Entretanto, na grande maioria das vezes, não é bem isso que acontece.
Um levantamento realizado em diversas cidades apontou que 75% dos moradores de rua usam o dinheiro de esmolas para sustentar vícios em álcool e drogas. O levantamento ainda aponta que eles chegam a arrecadar até R$ 100 por dia.
Por conta disso, muitos municípios (como aconteceu em Ituverava no ano de 2012) organizou uma campanha para orientar os moradores a não dar dinheiro e recomendar os serviços disponibilizados pela administração.
Neste tipo de campanha, panfletos foram distribuídos com informações sobre o que fazer quando uma pessoa pede esmola. Além disso, uma equipe formada por assistentes sociais faz o acompanhamento dos moradores de rua. Eles foram até as praças, conversam e oferecem uma oportunidade. Contudo, o convencimento é uma tarefa difícil.
Encaminhamento
Os moradores de rua que aceitam ajuda foram encaminhados para o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), onde se poderia tomar banho e se alimentar. Eles passam por uma entrevista e eram encaminhadas de volta para a sua família, sempre que possível.
Em Ituverava, ainda há a possibilidade de fazer o encaminhamento ao CAPS Viver, que acolhe pessoas com transtornos mentais, algo recorrente em moradores de rua, sobretudo devido ao uso de drogas.
Problema antigo
A questão de moradores de rua é um problema que vem de muitos anos em Ituverava, porém, a atual prefeita Adriana Quireza Jacob Lima Machado com sua sensibilidade feminina, afirmou à Tribuna de Ituverava que está empenhada em resolvê-lo. “Temos buscado estudar a melhor maneira de resolver esse problema, que é recorrente em todo o país. É uma questão muito delicada que nos entristece, mas infelizmente, muitos dos moradores de rua, que inclusive têm família na cidade, resistem em deixar essa situação e retornar às suas casas”, afirma.
“Sabemos que é uma questão social, pois são seres humanos, e vamos nos empenhar para dar assistência a essas pessoas e procurar solucionar essa questão, que, se não for resolvida, pode se tornar problema de segurança em nosso município”, completa a prefeita.