CIDADE

O juiz Renato César Trevisani
04/11/2017

JUIZ DA VARA DO TRABALHO RECEBERÁ TÍTULO DE CIDADANIA


O projeto que concede o Título é de autoria da vereadora Andréa Fonseca Yamanda Scotte

Em sessão realizada na última semana, a Câmara Municipal de Ituverava aprovou por unanimidade o projeto que concede título de Cidadão Ituveravense ao juiz Renato César Trevisani, titular da Vara do Trabalho de Ituverava, que também abrange os municípios de Guará, Miguelópolis, Jeriquara, Aramina, Buritizal e Igarapava.

O projeto é de autoria da vereadora Andréa Fonseca Yamanda Scotte, que fala sobre os motivos que a levaram a prestar a homenagem. “Além do trabalho que desenvolve de maneira brilhante à frente Vara do Trabalho de Ituverava, Dr. Renato é um excelente professor e ativista na luta contra o trabalho infantil e a tortura”, explica.

“Também faz um importante trabalho na RecordTV, onde participa semanalmente do ‘Minuto do Trabalhador’, que leva informações e esclarecimentos de interesse sobre a legislação trabalhista”, ressalta.

Ainda segundo a vereadora, o trabalho de Renato César Trevisani como juiz é digno de muitos elogios. “A Vara do Trabalho de Ituverava realiza um atendimento abrangente, ágil e bastante elogiado pelos que precisam”, destaca.

O juiz
Nascido em Batatais, Renato César Trevisani Trevisani ingressou na Magistratura Trabalhista como juiz substituto em 1999. Ele é formado pela Faculdade de Direito de Franca, é mestre em Direito pela UNESP, doutor pela PUC (Pontifícia Universidade Católica), e professor na Unesp, na Fundação Getúlio Vargas, na Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), na Fundação Educacional de Ituverava e na ESAOAB/SP.

Juiz fala sobre homenagem recebida
“Sinto-me muito feliz por saber que a concessão de tamanha honraria deve ser muito bem fundamentada, muito bem analisada e assim explicada aos representantes do Legislativo, com detalhes e de forma convincente. E isto, também deve ser feito à toda sociedade, representada pelos Srs. Vereadores. Daí a minha responsabilidade, também.

Eu estou sabendo que a aprovação foi por unanimidade.

A concessão me equipara àqueles que nasceram aqui em Ituverava, com uma distinção especial voltada a uma adoção oficial feita por todos, com os braços abertos.

Aproveitando, quero registrar que no ano de 2012 fui consultado sobre esta mesma homenagem, entretanto, eu tinha a certeza de ainda não ter reunido patrimônio social e comunitário para o aceite. Em 2014, um outro Vereador me procurou com o mesmo propósito, cuja decisão foi semelhante, ainda crente de nada reunir para tanto. No final de 2015, um terceiro representante da edilidade local fez-me, novamente, a proposta, para o que ainda não me sentia merecedor. Como dito, trata-se de uma honraria responsável.

Contudo, em setembro deste ano de 2017, ao depois de vários acontecimentos profissionais e pessoais, depois de me decidir por Ituverava e região, terra de gente ordeira e voltada ao trabalho, a Vereadora Yamada Scote, justificou a sua intenção, traçando alguns fundamentos e méritos (nas palavras dela) para a concessão do título. Confesso que preferi não me lembrar do que a nobre Vereadora elencou.....apenas, naquele momento, naquele exato momento, busquei o auxílio do meu querido pai e aceitei.

Lembro-me de que ao consultar a Vereadora sobre as fontes reveladoras do que ela atribuiu a mim, ajustamos o compromisso de não falarmos mais sobre isto. Aliás, este é um dos propósitos da caridade ensinada pelo nosso Pai Maior.

Este título vai servir para que eu continue da mesma forma, neste mesmo caminho.

Declaro aqui que não vou usá-lo para melhorar meu currículo, não! Aliás, penso que já atingi o meu supremo e sempre digo que hodiernamente “nenhuma crítica me incomoda bem como nenhum elogio consegue me deixar irreal”.

Penso, também, noutras pessoas que merecem tal honraria e com elas assim comungo. Isto vai me servir de incentivo, registro.

Venho de família pobre, de seis irmãos, meu pai sempre lutou junto com a minha mãe e assim davam conta de tudo. Repito: “tudo”. Podia faltar as outras coisas todas, mas, o amor não faltava. Lembro-me de um Natal que às 22 horas fomos dormir, “porque não tinha nada”.

Sem as comodidades de eletrodomésticos, sem ajudantes domésticas, a Dona Ziza cuidou de tudo e de todos. Saudades de tudo limpinho, tudo quentinho, tudo arrumado.

Estudei em escolas públicas, como meus irmãos. Aliás, como a maioria de quem viveu naquela época. Éramos felizes e sabíamos!

Por pouco tempo, tive a experiência de colher café, tive uma caixinha de engraxate, fui trabalhar como office-boy, aos 13 anos, passei a auxiliar de vendas de uma loja de produtos agropecuários, ao depois, vendedor. Com 18 anos fui trabalhar da JUMIL que é uma fábrica de implementos agrícolas. Fui aprovado no concurso do Banespa, em 1984, onde fiquei até 1990. Fui vendedor e comerciante de calçados por 2 anos. Em 1992 fui aprovado na Polícia Federal, como agente. Cursei Economia na FACEF, Franca/SP. Cursei, em seguida, Direito, na Faculdade de Direito de Franca/SP. Em 1993 fui aprovado pelo Tribunal Regional do Trabalho, na condição de cartorário, onde permaneci até 1998, ao fim atuando como Oficial de Justiça. Em 1998 fui aprovado no concurso para a Magistratura, tendo assim atuado por dois anos em São Paulo, capital, Grande São Paulo e Baixada Santista.

Sempre gostei de aviões, consegui a licença para Piloto de Aviões Monomotores Terrestres em 1982. Fui Professor no Curso de Pilotagem do Aeroclube de Batatais/SP, (Aerodinâmica, Conhecimentos Técnicos de Motores e Meteorologia). Também sempre gostei de armas, sou atirador prático e instrutor. Ultimamente, o cultivo de plantas tem me destinado muitas alegrias e recomposição mental.

Na vida acadêmica, consegui fazer algumas especializações, o Mestrado e o Douto-rado e agora um projeto para o Pós-Doutorado. Sou Professor Universitário e da ESA, OAB-SP.

Na vida profissional, fui nomeado por merecimento ao cargo de Juiz Titular. Sou Professor Tutor da Escola Judicial, fui convocado para substituir Desembargador no Tribunal, sou membro nato do Comitê de Erradicação do Trabalho Escravo, Tráfico de Pessoas e Discriminação.

Gosto muito do que faço, aliás: ‘Escolha um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida’. (Confúcio).

Ao fim, renovo a minha responsabilidade e reitero a minha honra em receber este título.

‘Eu tenho muito mais do que mereço’”.

Renato César Trevisani, juiz titular da Vara do Trabalho de Ituverava