O Ministério Público e a Defensoria Pública ajuizaram uma ação civil contra uma redução no horário de funcionamento de um dos postos de saúde mais importantes de Barretos (SP).
Desde o final de setembro, a Prefeitura antecipou das 23h para as 18h o fechamento da Unidade Básica de Saúde (UBS) "Dr. Lolfallah Miziara", no bairro Zequinha Amêndola, primeiro local de atendimento de aproximadamente 15 mil moradores.
O processo, que teve como base solicitações como um abaixo-assinado de uma associação de moradores com cerca de mil adesões, pede, em caráter liminar, a volta imediata do expediente noturno, sob pena de multa diária de R$ 3 mil em caso de descumprimento. A Justiça ainda não julgou o pedido.
Com a medida, moradores como a dona de casa Maria Elizabeth Mochiucci Aparecido dizem ter dificuldades para buscar atendimento. Ela conta que, como precisa cuidar dos pais durante o dia, só poderia procurar ajuda médica à noite.
"É um absurdo, estou indignada com a falta de respeito que esse prefeito está com o ser humano, porque na hora que é pra pedir voto na porta ele aparece com um rosto, depois ele é outro", afirma.
O secretário de Saúde, Alexander Stafy Franco, disse que o horário reduzido é temporário e foi adotado em função de dificuldades para contratação de funcionários e para que haja uma reforma na estrutura da unidade, prevista para ser reaberta entre fevereiro e março de 2018.
Também reforçou que, em casos de urgência e emergência, há estrutura disponível para o remanejamento até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
Horário reduzido
Uma das 13 unidades de saúde do município, o posto do bairro Zequinha Amêndola fica em uma região com mais de 15 mil habitantes, a quase 7 quilômetros da UPA, local onde os moradores acabam tendo que ir em busca de atendimento durante a noite.
A distância desagrada a aposentada Hilda Campos Tostes. "Aqui a noite a gente vinha e fazia os exames todinhos. Agora, sem estar funcionando à noite, ficou difícil, porque tem que marcar consulta pra dali muitos dias", conta.
O aposentado Waldivar Conceição também critica o fechamento noturno da unidade e a distância em relação à UPA.
"Uma pessoa que passe mal às 21h chama o Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência], ele vai lá pra UPA, do outro lado da cidade, e Barretos não é uma cidade pequena, tem 140 mil habitantes. Lá do outro lado a pessoa vai ser atendida e vai sair de la à meia-noite, não tem condução, e mora do lado de cá. Como é que faz?", questiona.
A revolta dos pacientes mobilizou um abaixo-assinado com mais de mil adesões, segundo Donizete Paulo Guedes, diretor da Associação Amigos do Bairro Zequinha Amêndola. O documento foi encaminhado ao Ministério Público, um dos autores da ação que agora pede a reabertura da UBS no período noturno.
"O problema é que o prefeito não nos atende. Pensamos de fazer um manifesto, uma audiência pública com ele pra ver se ele nos chamasse para dar uma explicação, um motivo, que ele está fechando o postinho nesse horário, mas ele não nos atende. Achamos melhor entrar pelo poder judiciário", diz.
Fonte: g1.globo.com