Pagar contas deve ser a prioridade com o 13º salário O décimo terceiro salário é um recurso importantíssimo para quem é assalariado. E deve ser encarado com seriedade e não como motivo banais, com a finalidade de se fazer gastos sem planejamento.
O começo de ano é repleto de gastos fixos e, supondo que a pessoa não tem dívidas, o décimo terceiro salário pode e deve ser guardado, já que no início do ano existem impostos e taxas, como IPVA, IPTU e inscrição material escolar.
Se a pessoa ainda tem alguma dívida, no entanto, sem dúvida, o recurso extra deve priorizar a redução máxima delas. É sabido que o juro de dívidas – sobretudo as do cheque-especial e dos cartões de crédito – supera muito qualquer remuneração de investimentos que você possa vir a fazer. Considerando isso, pague primeiro as dívidas que têm juros mais altos e, em seguida, as que tiverem juros menores.
Comércio
Não esqueça que a época do décimo terceiro é ansiosamente esperada pelo comércio. Essa injeção de dinheiro que a economia recebe, bem na época da troca de presentes acaba deixando as lojas cheias de ofertas tentadoras – nem sempre vantajosas.
Além disso, há toda a sorte de motivos para consumir desenfreadamente.
Então, é preciso ficar atento para o real valor do dinheiro extra, de maneira que não se imagine que ele é infinito. Parece bobo, mas muita gente se surpreende quando descobre que ele acabou três dias depois de ter caído na conta.
Ano difícil
“Em primeiro lugar, é preciso priorizar o pagamento das dívidas. Nenhuma aplicação no mercado consegue oferecer um retorno de investimentos tão bom quanto a taxa de juros cobrada por qualquer empréstimo”, alertou o planejador financeiro Thiago Nigro.
Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor de pesquisas econômicas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), concorda. Ele destaca que o ano de 2017 foi muito difícil para os brasileiros, que tiveram que lidar com altas taxas de juros e desemprego e, por isso, se endividaram mais. Uma recomendação do especialista é dividir em três o montante a ser recebido:
“O ideal é pensar primeiro em quitar dívidas, depois em pagar encargos no início do ano e, só então, naquele dinheiro para não passar o Natal em branco. Mais uma vez, esse será o Natal da lembrancinha”, resume.
Outra orientação importante destacada por Ribeiro pode ser ainda antecipar o pagamento de um financiamento. Segundo ele, poucas pessoas sabem que, caso paguem as parcelas antes do prazo, o banco é obrigado por lei a reduzir os juros e demais acréscimos, proporcionalmente. Mas, nesses casos, é preciso ficar atento para se certificar que o banco ou financeira está fazendo as reduções devidas.
Aplicar a curto prazo
“Para o consumidor que sabe que as despesas de Natal e de início de ano (matrícula escolar, IPVA, IPTU etc.) vão pesar no orçamento, o décimo terceiro pode ir para aplicações de curto prazo”, explica Flávio Lemos, especialista em investimento e diretor da Trader Brasil Escola de Finanças & Negócios.
“Para saldar dívidas do ano novo, você pode contar com o bom e velho fundo DI ou, novamente, com títulos do Tesouro Selic, que têm boa liquidez. Assim, é possível sacar o dinheiro em um mês, caso a pessoa queira, e sem pagar IOF. É uma oportunidade”, destacou.
Para os felizardos que não têm dívidas e vão conseguir equilibrar as despesas extras, a ideia então é investir. Esse é o caso da advogada Kátia Gondo, assessora executiva em uma imobiliária. Aos 36 anos, ela teve que aprender a organizar as finanças depois de se separar. Mas não parou por aí e começou a investir. No início deste ano, resolveu fazer o maior dos investimentos: abrir seu próprio negócio. Hoje, tem um e-commerce de roupas de crossfit. Mas garante que só pôde pensar em poupar depois que aprendeu a se antecipar aos gastos extras da temporada de fim do ano:
“Fiz questão de juntar um dinheiro para essas despesas de Natal e início de ano que não fosse o meu décimo terceiro. Com isso, meu salário ‘extra’ já tem outros destinos: metade vai para os meus investimentos pessoais, e a outra vai para a minha loja”.
Conservadores
Para os investidores mais conservadores, a caderneta de poupança voltou a ficar atrativa frente aos fundos de renda fixa com a queda da taxa básica de juros Selic, hoje em 7,5% ao ano.
“Com a queda de juros, a poupança fica mais atraente, e hoje é altamente rentável. Para pequenos investidores, com até R$ 120 mil, ela se torna uma opção”, destacou Ribeiro, lembrando que, segundo cálculo da Anefac, a tradicional aplicação vai bater todos os fundos com taxa de administração igual ou superior a 2% ao ano em qualquer prazo.
Para quem tem um perfil mais arrojado, porém, uma opção são os fundos multimercados ou fundos de ações.
“Esses fundos são destinados a investidores mais diversificados, que consigam aguentar perdas, mas que podem ser bastante rentáveis. O mais importante é conhecimento. Para aqueles que quiserem se informar e estudar, tudo é possível, e o mercado de ações também pode ser uma ótima escolha”, conclui Lemos.
13º injetará R$ 13,8 milhões na economia de Ituverava em 2017
Em Ituverava, de acordo com recente levantamento feito pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio SP), principal entidade sindical paulista dos setores de comércio e serviços, em parceria com o Sincovami (Sindicato do Comércio Varejista do Município de Ituverava), o décimo terceiro salário deverá injetar cerca de R$ 13,8 milhões na economia local neste ano.
De acordo com o Sincovami e a Fecomercio SP, a injeção do décimo terceiro é um alento aos consumidores e empresários, principalmente em períodos de reação econômica, como a que o pais está vivendo. “Favorecerá consumidores para regularizarem dívidas, em atraso ou não, e a retornar o consumo”, afirma o economista da Fecomercio SP, Jaime Vasconcellos.
Enquete
Para saber a importância do 13° para as famílias brasileiras e o que os trabalhadores pretendem fazer com o salário extra, a Tribuna de Ituverava foi ás ruas nesta semana.
Data principal
“Além disso, o 13º salário é o responsável pelo Natal ser a principal data especial do varejo. Ele faz, normalmente, o comércio varejista vender até 30% a mais em dezembro do que a média dos outros meses, garantindo maior giro de caixa e, também de estoques, que é essencial em todos os momentos, mas principalmente após um período de retração”, ressalta.
Ainda segundo ele, o montante previsto – R$ 13,8 milhões – foi calculado a partir da massa salarial paga aos 7,3 mil trabalhadores com carteira assinada da cidade que iniciaram esse ano, somado ao saldo da massa de salários, resultante dos 1,3 mil admitidos e 1,2 mil desligados de janeiro a agosto de 2017. “Nos cálculos, não foram considerados os recursos recebidos pelos aposentados e pensionistas”, explica.