Jovem faz exercícios físicosO ortopedista Dr. Fábio Farias, que atende na Santa Casa de Ituverava e em consultório na Clínica Bitar, alerta sobre um sério problema de saúde, porém ainda pouco difundido: a Tríade da Atleta Feminina.
A Tríade da Atleta é uma síndrome de distúrbios alimentares, amenorréia e osteoporose. Os componentes da Tríade estão inter-relacionados na etiologia, patogênese e nas consequências. Devido à definição recente da Tríade, estudos de prevalência ainda não foram concluídos. Contudo, não ocorre somente em atletas de elite, mas também em jovens fisicamente ativos e mulheres que participam em uma ampla série de tipos de atividade física.
“A Tríade pode resultar em declínio do desempenho físico, aumento da morbidade clínica e psicológica e também um aumento da mortalidade”, explica o Dr. Fábio Faria.
“As pressões internas e externas às quais são submetidos jovens e mulheres para atingir ou manter um peso corporal irrealmente baixo, está por trás do desenvolvimento desses distúrbios”, ressalta.
Diagnóstico
Ainda segundo ele, a Tríade é frequentemente negada, não diagnosticada e subnotificada. “Os profissionais da área de Medicina do Esporte devem estar atentos à patogenia inter-relacionada e à apresentação variada dos componentes da Tríade. Devem ser capazes de reconhecer, diagnosticar e tratar ou encaminhar mulheres com qualquer um dos componentes da Tríade”, lembra.
“As mulheres que constatarem um dos componentes da Tríade devem ser investigadas se também sofrem de outros. A investigação da doença de ser feita no momento em que a pessoa apresentar os seguintes sintomas: alterações menstruais, padrões alterados de alimentação, alterações do peso corporal, arritmias cardíacas, incluindo bradicardia, depressão ou fraturas de estresse”, alerta o médico.
Área Esportiva
Todos os profissionais da área de Medicina do Esporte e incluindo técnicos e treinadores, devem aprender sobre a prevenção e o reconhecimento dos sintomas e riscos da Tríade.
“Todos os profissionais que trabalham com jovens e mulheres fisicamente ativas devem prescrever um treinamento que seja medicamente e psicologicamente adequado. É important evitar pressionar as jovens e mulheres a reduzir o peso. Os profissionais devem conhecer conceitos básicos sobre nutrição e encaminhar as atletas para aconselhamento nutricional e avaliação médica e de saúde mental, quando necessário”, ressalta.
“Os pais devem evitar pressionar suas filhas a fazerem dieta e reduzirem o peso. Os pais devem ser esclarecidos sobre os sinais de alerta da Tríade e procurar um tratamento clínico para as suas filhas se esses sinais estiverem presentes”, lembra.
Responsabilidade de prevenção
O médico ainda lembra que os profissionais da área de Medicina do Esporte, os administradores desportivos e as autoridades governamentais ligadas à área de esportes, têm a responsabilidade conjunta na prevenção, diagnóstico e tratamento da Tríade.
“As instituições governamentais devem trabalhar no sentido de oferecer oportunidades de programas educacionais para os técnicos para esclarecê-los e habilitá-los profissionalmente. Deve-se trabalhar no sentido de desenvolver programas para monitorizar os técnicos e outros profissionais envolvidos para assegurar práticas de treinamento seguras”, destaca.
“A qualquer sinal do problema de saúde, as mulheres devem ser encaminhadas para avaliação médica de qualquer um dos sintomas da Tríade. Estudos adicionais são necessários para melhor esclarecer a prevalência, causas, formas de prevenção, tratamento e sequelas da Tríade”, completa o ortopedista.
O profissional
Dr. Fábio Farias, 30 anos, nasceu em Novo Horizonte, região de São José do Rio Preto, e é casado com a Nayara Vieira Ciampi. Ele é ortopedista pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), especialista em Pé e Tornozelo, assistente no Hospital Sírio Libanês em São Paulo Ele atua na equipe de Ortopedia da Santa Casa de Ituverava e atende na Clínica Bittar.
Ele pode ser contatado através do Instagram @drfabiofarias.