MINHA ITUVERAVA

“Ituverava está guardada no meu coração, foi onde passei minha infância e a maior parte da adolescência”
01/04/2010

ADVOGADO RADICADO EM FRANCA LEMBRA DOS AMIGOS DE JUVENTUDE


José Luiz Lana de Mattos diz que preserva grandes amizades do passado até hoje

O advogado ituveravense José Luiz Lana Mattos, 64 anos, relembra com muita emoção, da infância e adolescência que passou em Ituverava. Radicado em Franca, ele conta que sua família deixou a cidade-natal em 1961, devido aos interesses profissionais do pai, o empresário José de Mattos.
Veja, abaixo, a íntegra da entrevista, concedida via e-mail:
Há quanto tempo se mudou
“Nós nos mudamos de Ituverava para Franca em 1961, devido aos interesses profissionais de meu pai, principalmente por ter mudado de atividades comerciais, adquirindo duas farmácias na cidade de Franca”.

Formação profissional
“Eu me formei pela Faculdade de Direito de Franca. Em 1963, pensei em cursar Medicina, mas a opção foi me estabelecer em Franca na atividade da família, no comércio farmacêutico. Optei então pelo curso de Direito, com o qual sempre me identifiquei, graduando na turma de 1969”.
“A área de especialização e atuação, como advogado, foi a Cível, em sua maior parte na área do Direito de Família. Mas, atuo em Direito Comercial, Empresarial e, raríssimas vezes, Trabalhista, Criminal e Tributário”.
“Atualmente, dedico-me à Advocacia, embora assista também a minha esposa no ramo de Prestação de Serviços, dando-lhe cobertura nas áreas comercial e de informatização, desde 1990”.

Atividades Profissionais
“Há três gestões, desde 2002, sou coordenador presidente, da Comissão de Direito e Prerrogativas da 13ª Secção de Franca. Também trabalho voluntariamente na área esportiva, como chefe do Departamento Jurídico do Franca Basquetebol Clube, que, como advogado, assisto o clube desde o início dos anos 90. Atuei, ainda, como secretário-executivo, vice-presidente e, posteriormente, presidente do Conselho Administrativo do FBC, entre outras funções”.
“Na recém-fundada Liga Nacional de Basquete (LNB), represento Franca no Conselho Diretivo da Liga, atuando também como auditor-presidente, na Comissão Disciplinar da Liga no Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Sou encarregado, como auditor presidente, de todos os julgamentos das ocorrências infracionais. A Liga Nacional de Basquete é hoje responsável pelo Campeonato Nacional NBB (Novo Basquete Brasil)”.
“Outra atividade, em que sempre procurei estar presente, foi a social. Fiz parte do Rotary Club Franca Oeste por sete anos; do Clube Diretores Lojistas (CDL) por dois; e da Associação dos Proprietários de Farmácia (anos 70) por quatro anos. Atualmente, participo ativamente, desde 1996, de uma instituição de cunho filosófico, filantrópico, progressista e evolucionista, de âmbito internacional”.
“Rememorando, também tive incursões, como já disse, no comércio farmacêutico, no ramo rural como parceiro agrícola, na fazenda de café que fica em Jeriquara. Estive neste ramo pelo período de quinze anos, até 1993, quando meu pai, José de Mattos, faleceu. No ramo industrial, fui sócio de uma pequena fábrica de sapatos, Lanna Calçados, já extinta há mais de 15 anos”.

Freqüência de visitas à cidade
“Para minha insatisfação, as visitas a Ituverava não ocorrem muito freqüentemente, o que é frustrante. Ituverava está guardada no meu coração, foi onde passei minha infância e a maior parte da adolescência. As minhas grandes amizades — que felizmente preservo até hoje — verdadeiros irmãos, parentes, primos queridos, estão ainda aqui ou por perto, na região de Ituverava”.

Grandes lembranças
“Em Ituverava, fiz o curso primário. Grupo Escolar Fabiano Alves de Freitas. As minhas professoras foram Dona Suzana Lana Contart, Dona Maria Luiza Melchi, Dona Iraídes Bueno de Menezes, Ernestina de Paula Santos Rezende (‘Dona Santa’), magníficas lembranças e grande aprendizado na Educação Básica; do segundo grau, antes Ginásio, dos professores João Beber Filho, José Ferreira Assis, Antonino Amêndola, Dr. Antônio Barbosa Lima, José Geraldo Evangelista, Miriam Abud Francisco, Simone Gray Soares, em nome dos quais saúdo e agradeço a todos (para não cometer injustiças)”.
“Por fim, no último ano de estudos em Ituverava – 1º Colegial Científico, quando foram meus caros mestres, entre outros, além dos já citados Guido Krahenbull, Professor Adauto (das notas dificilmente adquiridas, em Química) e, em nome deles, rendo as minhas homenagens a todos. São grandes lembranças!”

Grandes lembranças II
“Também tenho grandes lembranças dos Cines Rosário e Regina. Sempre fui admirador da arte cinematográfica, freqüentando sessões dos dois cinemas desde criança, quando tinha a Sessão Escolar, às 18h, as matinês aos domingos, até o encerramento das atividades do primeiro deles, o Cine Rosário, que se situava ao lado da residência de meus queridos tios, já falecidos, Higino Antônio Contart e Suzana. Lembro-me bem do sr. Alberto Simões recebendo os ingressos...”.
“Saudades do futebol, na piscina do Dr. Halley, (que ficava próxima ao Bar do Moacir). Dos bailes na Associação Atlética Ituveravense, na minha época, ao lado do Ginásio, perto da Praça 10 de Março. Dos jogos de xadrez...”.
“Dos inocentes namoricos. Bom, destes é melhor não citar nomes, para meu interesse e também para o delas... Mas são grandes lembranças, sem dúvida!”
“Ituverava, como já disse, está dentro do meu coração, permanentemente”.

Fato que mais lhe marcou
“O meu período em Ituverava é o da adolescência. Talvez, para tratar no singular, o fato que mais me marcou em Ituverava, foi a área educacional. Excelentes mestres nos três graus cursados mais a “Admissão ao Ginásio”, curso que freqüentei com a Dona Basílica Possa de Paula, o que, indubitavelmente me proporcionou maior estímulo e facilidade para continuar os estudos”.

Juventude
“São várias as amizades de infância, verdadeira irmandade em Ituverava. Bem próximas, entretanto, ouso citar nomes porque ainda nos reunimos com boa freqüência: Dr. José Estevam Alves, Dr. José Carlos Borges, Dr. João Augusto Rodrigues e Antônio Márcio Ribeiro Sandoval. E respectivas famílias”.
“Passagens com eles são tantas, todas de lembranças felizes e agradáveis, como viagens. Ainda jovens fomos ao Rio de Janeiro, visitando outros amigos como o Dr. Ricardo Jorge Vasconcelos”.
“Passagens esportivas, em que em memorável disputa de campeonato de futebol de salão na AAI (quadra no centro, ao fundo do clube), a equipe em que jogavam Estevam José Alves, João Rodrigues, Ricardo Vasconcelos, Henrique Lana (meu primo) e em que me incluía, sagramos campeões enfrentando atletas profissionais da AAI, atuando pelo Tiro de Guerra, do Márcio Sandoval, e equipe do Dr. Luiz Faleiros Nunes da Silva, filho do saudoso Deputado Hélvio Nunes da Silva (‘Zito’). Melhor não me aprofundar muito neste evento porque posso ferir suscetibilidades, principalmente a do Márcio Sandoval...”.

Análise de Ituverava
“Ituverava é uma bela cidade. Não teve vocação para um crescimento desenfreado, como outras cidades da região. Desde menino, se fazia comentário de que Ituverava precisava ampliar, diversificar atividades econômicas, eis que o negócio rural predominava ostensivamente”.
“Lembro-me até de ‘tarefa’ escolar proposta por um professor, a respeito, ainda na primeira fase. Pergunta-se, entretanto: será mesmo vantagem se tornar um grande centro, sem estrutura suficiente?”.
“Ituverava, a meu ver, tem economia sólida e possibilidades de crescimento sustentável. Acompanho e confesso: admiro as últimas gestões administrativas da cidade. É este o caminho: bons administradores, que tenham boa fé e interesse comunitário. Progresso e desenvolvimento, sim! Mas, prudente e sustentável”.

O que mais gosta e o que menos gosta
“Como já asseverei antes, infelizmente não sou muito freqüente em visitas a Ituverava. Pelas lembranças, gosto de Ituverava pelo seu todo, pelo meu passado. Quanto ao que falta para a cidade, acredito ter respondido na questão anterior”.

Voltar a morar na cidade
Embora esta seja uma opção que me faria muito feliz (até porque sou dos que cultiva "saudosismo", como o gosto pela música que hoje aprecio e, que me acompanha desde a infância), devo confessar honestamente que é muito difícil a volta a Ituverava para residir”.
“A família, as atividades minhas e de minha família, a interação completa com a cidade (Franca) que me acolheu com carinho, que me proporcionou o patrimônio (patrimônio moral, de conhecimento e de integração social) que possuo hoje, em fase de maturidade da minha vida. As amizades — que em Franca também fiz, juntamente com a minha família — contam para que eu permaneça e procure continuar a minha vida, sempre em busca da felicidade dos meus entes queridos”.

Raio X

Nome: José Luiz Lana Mattos
Idade: 64 anos
Profissional: advogado
Filiação: Luzia Lana de Mattos e José de Mattos (falecido em 1992)
Esposa: Maria Nascimento Mattos
Filhos: José Luiz Lana Mattos Júnior (34 anos), casado com Denise Diniz Mattos; Fernando Nascimento Mattos (32 anos) e Cláudio Nascimento Mattos (29 anos)
Irmãs: Maria Luiza Lana Mattos Salomão, psicóloga, casada com Dr. Sebastião Mauro Salomão, médico; e Ana Maria Lana Mattos, engenheira civil, todos residentes em Franca, SP.