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07/01/2010
Devotos em todo o Brasil comemoram, em 6 de janeiro, o Dia dos Santos Reis Magos: Baltazar, Belchior e Gaspar. Neste mesmo dia, a Bandeira dos Santos Reis – que estava sendo empunhada pela companhia os Magos do Oriente – chegou na Igreja de Santos Reis, localizada no bairro Jardim Guanabara, onde foi recebida por fiéis e outras companhias de folia de Reis. Na ocasião também foi servido um almoço para todos os presentes.
Segundo um dos organizadores da festa, o pedreiro Eurípedes Barsanulfo de Castro (“Nadola”), a tradicional festa encerra as festividades natalinas. “Sou capitão da companhia Os Magos do Oriente, e desde o dia 12 de dezembro fazemos nossa peregrinação, passamos por várias casas, tocando músicas em homenagem aos santos. No dia 6 de janeiro, a peregrinação é encerrada”, explica. “É uma tradição que insistimos em manter viva, pois entendemos que é muito importante continuar a uma tradição de nossos pais e avós, então é nosso dever continuar esse magnífico trabalho”, afirma.
De acordo com o capitão da companhia, a festa do folião está marcada para o dia 16 de janeiro, às 18h. “Haverá procissão pelo bairro Jardim Guanabara e, em seguida, promoveremos a festa com donativos que foram arrecadados ao longo da peregrinação”, explica (“Nadola”).
Os fiéis falam sobre a tradição. “Desde pequena tenho o costume de acompanhar os foliões e, essa tradição ficou incorporada na minha vida. Gosto das mensagens que envolvem os três reis magos e das cantigas” ressaltou a aposentada, Maria Helena Soares de Paula. “Infelizmente a igreja em honra aos Reis Magos ainda não foi terminada, por isso, peço às autoridades que nos ajudem para que possamos concluir esse magnífico trabalho”, solicita a aposentada.
Tradição do dia de Reis
No Brasil a visitação das casas, que dura do final de dezembro até o dia de Reis, dia 6 de janeiro, é feita por grupos organizados, muitos dos quais motivados por propósitos sociais e filantrópicos. Cada grupo, chamado em alguns lugares de Folia de Reis, em outros Terno de Reis, é composto por músicos tocando instrumentos, em sua maioria de confecção caseira e artesanal, como tambores, reco-reco, flauta e rabeca (espécie de violino rústico), além da tradicional viola caipira e da sanfona. Além dos músicos instrumentistas e cantores, o grupo muitas vezes se compõe também de dançarinos, palhaços e outras figuras folclóricas devidamente caracterizadas.
Todos se organizam sob a liderança do Capitão da Folia e seguem rigorosamente os passos da bandeira, cumprindo rituais tradicionais de inquestionável beleza e riqueza cultural. As canções são sempre sobre temas religiosos, com exceção das tradicionais paradas para jantares, almoços ou repouso dos foliões, onde se realizam animadas festas com cantorias e danças típicas regionais, como catira, moda de viola e cateretê.
Contudo ao contrário dos Reis (magos) da tradição, o propósito da folia não é o de levar presentes, mas de recebê-los do dono da casa para finalidades filantrópicas, exceto, obviamente, as fartas mesas dos jantares e as bebidas. No Dia do Reis, 6 de janeiro é o dia que costumamos desarmar a árvore de Natal.
O três reis magos
Melquior, Baltasar e Gaspar, não seriam reis nem necessariamente três mas sim, talvez, sacerdotes da religião zoroástrica da Pérsia ou conselheiros. Como não diz quantos eram, diz-se três pela quantia dos presentes oferecidos.
Talvez fossem astrólogos ou astrônomos, pois, segundo consta, viram uma estrela e foram, por isso, até a região onde nascera Jesus, dito o Cristo. Assim os magos sabendo que se tratava do nascimento de um rei, foram ao palácio do cruel rei Herodes em Jerusalém na Judéia. Perguntaram eles ao rei sobre a criança. Este disse nada saber. Herodes alarmou-se e sentiu-se ameaçado, e pediu aos magos que, se o encontrassem, falassem a ele, pois iria adorá-lo também, embora suas intenções fossem a de matá-lo. Até que os magos chegassem ao local onde estava o menino, já havia se passado algum tempo, por causa da distância percorridas, assim a tradição atribuiu à visitação dos Magos o dia 6 de janeiro.
A estrela, conta o evangelho, os precedia e parou por sobre onde estava o menino Jesus. "E vendo a estrela, alegraram-se eles com grande e intenso júbilo" (Mt 2, 10). "Os Magos ofereceram três presentes ao menino Jesus: ouro, incenso e mirra, cujo significado e simbolismo espiritual é, juntamente com a própria visitação dos magos, ser um resumo do evangelho e da fé cristã, embora existam outras especulações respeito do significado das dádivas dadas por eles. O ouro pode representa a realeza (além providência divina para sua futura fuga ao Egito, quando Herodes mandaria matar todos os meninos até dois anos de idade de Belém). O incenso pode representar a fé, pois o incenso é usado nos templos para simbolizar a oração que chega a Deus assim como a fumaça sobe ao céu (Salmos 141:2). A mirra, resina antiséptica usada em embalsamamentos desde o Egito antigo, nos remete ao gênero da morte de Jesus, o martírio, sendo que um composto de mirra e aloés foi usado no embalsamamento de Jesus (João 19: 39 e 40), sendo que estudos no Sudário de Turim encontraram estes produtos.
"Entrando na casa, viram o menino (Jesus), com Maria sua mãe. Prostando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra." (Mt 2, 11).
"Sendo por divina advertência prevenidos em sonho a não voltarem à presença de Herodes, regressaram por outro caminho a sua terra" (Mt 2, 12). Nada mais a Escritura diz sobre essa história cheia de poesia, não havendo também quaisquer outros documentos históricos sobre eles.
Devemos aos Magos a tradição de trocar presentes no Natal. Dos seus presentes dos Magos surgiu essa tradição em celebração do nascimento de Jesus. Em diversos países a principal troca de presentes é feita não no Natal, mas no dia 6 de janeiro, e os pais muitas vezes se fantasiam de reis magos.
A melhor descrição dos reis magos foi feita por São Beda, o Venerável (673-735), que no seu tratado “Excerpta et Colletanea” assim relata: “Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”.
Quanto a seus nomes, Gaspar significa “Aquele que vai inspecionar”, Melquior quer dizer: “Meu Rei é Luz”, e Baltasar se traduz por “Deus manifesta o Rei”.
Como se pretendia dizer que representavam os reis de todo o mundo, representando as três raças humanas existentes, em idades diferentes. Assim, Melquior entregou-Lhe ouro em reconhecimento da realeza; Gaspar, incenso em reconhecimento da divindade; e Baltasar, mirra em reconhecimento da humanidade.
A exegese vê na chegada dos reis magos o cumprimento a profecia contida no livro dos Salmos (Sl. 71, 11): “Os reis de toda a terra hão de adorá-Lo”.
Na antigüidade, o ouro era um presente para um rei, o olíbano (incenso) para um sacerdote, representando a espiritualidade e a mirra, para um profeta (a mirra era usada para embalsamar corpos e, simbolicamente, representava a imortalidade).
Durante a Idade Média começa a devoção dos Reis Magos (e que são "baptizados"), tendo as suas relíquias sido transladadas no séc. VI desde Constantinopla (Istambul) até Milão. Em 1164, com os três já a serem venerados como santos, estas foram colocadas na catedral de Colônia, em Colônia (Alemanha), onde ainda se encontram.
Em várias partes do mundo, há festas e celebrações em honra aos Magos. Com o nome de Festa de Santos Reis há importantes manifestações culturais e folclóricas no Brasil.
Fonte: Wikipédia – link: http://pt.wikipedia.org/wiki/Três_Reis_Magos