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19/01/2010
Lannoy Dorin
Podemos imaginar que nossas percepções, pensamentos, sentimentos e intuições (função da consciência que o ego, o eu menor, procura coordenar) são influenciadas pelo tempo da natureza e que nosso inconsciente tenha a gravação dos significativos fatos temporais de nossa vida. Ou seja, teríamos tempos marcados para vivenciarmos certos acontecimentos (o encontro decisivo com nosso inconsciente por volta dos 35 anos, p. ex.) e teríamos em dados momentos a influência dos fatos já vividos e memorizados pelo inconsciente individual.
A natureza exterior tem seus sinais para o despertar de nossos pensamentos, sentimentos, percepções e intuições, bem como nossos sonhos, que, mais ligados aos nossos arquétipos, às nossas mais profundas tendências, são seus símbolos. Por exemplo, as flores significam o nascer, o amor e o morrer, que é o renascer para outra vida. Por isso há flores no quarto do recém-nascido, na celebração da união dos contrários (casamento) e no túmulo em que “repousa” a carcaça de quem partiu.
Um conjunto de símbolos naturais, enfeixados com o nome de primavera, representa o nosso nascimento e a beleza de nossa psique ainda não humana. Ao chegar a esta estação, as flores nos fazem lembrar que éramos naturalmente puros, que éramos tudo e nada simultaneamente. Tudo em potencial, nada em humano.
O tudo em potencial significa que temos um pouco da totalidade da natureza, ou seja, partículas do Todo, de Brama, de Deus; e o nada, o humano, isto é, que não fomos ainda modelados pela sociedade (a psique coletiva).
A primavera nos faz voltar ao início de nossa vida, quando tínhamos sexo mas não sexualidade, éramos autênticos, espontâneos, alegres, ingênuos, criativos, sem passado e sem futuro, com os olhos e ouvidos abertos para tudo, descobridores da complexidade na simplicidade e da grandeza nas pequenas coisas, como um mundo numa gota de orvalho. Ela nos faz voltar os olhos para o Sol (símbolo de Deus e/ou do Self), para o rio (a vida que corre e a água que energiza e transforma), para a árvore, que é a vida de cada um, com raízes, galhos, flores e frutos, para as estrelas, que são nossos objetivos maiores... Enfim, ela faz com que nos vejamos na natureza.
Perceber e pensar são atividades mentais diferentes. Perceber é detectar que algo existe e pensar é indagar por quê e para quê.
Como tudo queremos interpretar, dizemos que a primavera é o melhor tempo para amarmos a natureza e nos amarmos. É a estação de Eros, o deus do amor, esse amor que gera e que deve regular a vida.
É primavera. Então, amemos.
Lannoy Dorin é professor, escritor e jornalista